DAR ES SALAAM, 10/12/2007 – O direitor do Centro Palestino para a Divulgação da Democracia e o Desenvolvimento Comunitário (Panorama), o Walid Salem, condenou os musulmanos que cometem atos terroristas, que, assegurou, não representan o Islão. O Panorama, sedeado em Jerusalem, é uma organização não governamental criada em 1991 com a intenção de “criar uma sociedade civil pluralista” nesta nação.
Ele disse isto foi numa entrevista com a IPS em Dar es Salaam, durante a terceira conferência do Processo de Helsinki sobre a Globalização e a Democracia, uma iniciativa conjunta de Finlândia e Tanzânia que começou em 2003 como um foro de diálogo entre o Sul e o Norte.
“Os grupos como Al Qaeda representam uma minoria de musulmanos e não o setor mais âmplio dos amantes da paz no mundo islâmico”, disse o ativista.
“Não há extremismo na fê do Islão. Pelo contrário, é uma religião que defende a paz, e alguem que não defenda a paz não deveria ser considerado como um representante de todos os musulmanos. Estes grupos só usam o Islão para justificar as suas atividades extremistas”, acrescentou o Salim
O direitor de Panorama afirmou que o extremismo islâmico está enraizado nos acontecimentos políticos de Medio Oriente, como a emergência dos tiranos e déspotas.
“Sem nenhuma possibilidade de ter com os líderes delas, algumas pessoas assumiram as atividades extremistas e esconderam se na religião. Quando os líderes destes povos os negam a participação no governo e impõem um sistema da opressão, assim como a pobreza extrema, os povos são obrigados a buscar os outros modos de exprimir a frustração deles”, explicou ele.
O Salem disse que a solução aos tais problemas é de melhorar a governança. “A democracia deve surgir e assegurar a justiça para todos, para que os povos possam viver sem medo da opressão”, sustentou ele. O ativista também destacou a necessidade de que o Islão se accompanhasse a modernidade.
“Na época do Mahomet, se mutilava os membros dos ladrões, mas hoje os religiosos propõem as outras formas de castigo para os delinquentes”, disse ele.
“O problema do extremismo agravou se porque há aquelas pessoas que querem trazer o passado ao presente. Mas o tempo vai mudando e agora ninguem vai por toda a parte do mundo lutando contra os ‘infieis’, como era o caso antes”, acrescentou ele.
A conferência de três dias em Dar es Salaam, que acabou no dia 29 deste mês, foi realizada sob o tema “A Governança inclusiva: Ligando as brechas globais”.
As discussões tocaram parcialmente no papel da sociedade civil na promoção da paz e da segurança.
A reunião também marcou o fim da segunda fase do Processo de Helsinki, iniciada em 2005, e está a revistar o progresso feito nos últimos dois anos.
A primera fase do Processo (2003-2005) teve entre outros, o objectivo de desenvolver e ampliar a cooperação na abordagem dos problemas mundiais.

