Espanha: Aliança de Civilizações dá os primeiros passos

Madri, 17/01/2008 – O Primeiro Fórum da Aliança de Civilizações terminou ontem em Madri com compromissos concretos, incluindo um forte financiamento e o anúncio de um segundo encontro na Turquia, no próximo ano. O ato de encerramento foi presidido por Ali Babacan, chanceler da Turquia, país que patrocina a Aliança junto com Espanha; Jorge Sampaio, alto comissariado das Nações Unidas para a Aliança de Civilizações, e Maria Teresa Fernández de la Veja, vice-primeira-ministra da Espanha.

Fernández de la Veja recomendou “deixar de lado” o chamado “choque de civilizações” porque “todas as civilizações não são fechadas nem rígidas, mas abertas e porosas”. Sampaio, por sua vez, disse que o encontro cumpriu os objetivos propostos e destacou que alguns paises, especialmente a Espanha, já iniciaram planos nacionais para desenvolver os objetivos presentes, que não especificaram, se destacaram as contribuições anunciadas por duas mulheres do mundo árabe.

A esposa do xeque do Qatar, Sheikha Mozah bint Nasser-el-Missned, que anunciou o aporte de US$ 100 milhões para um dos programas da Aliança, a Iniciativa Global de Emprego Juvenil “Silatech”, voltada à promover a criação de postos de trabalho e oportunidades para os jovens do Oriente Médio e do Norte da África. A rainha Noor, da Jordânia, comprometeu outros US$ 100 milhões, dos quais já entregou US$ 10 milhões destinados a um fundo para financiar sem fins lucrativos produções audiovisuais com grandes companhias produtoras de Hollywood. O objetivo é romper as imagens estereotipadas de comunidades e minorias nos meios de comunicação.

Também foi constituído um fundo de solidariedade juvenil, financiado pela Espanha com um milhão de euros (1,4 milhão) que terá uma primeira fase este ano, durante a qual serão distribuídas bolsas de estudo em setores de intercâmbios interculturais, liderança juvenil e presença ativa nos meios de comunicação. Também ficou acertada a implementação de um Centro de Informação da Aliança, com especial atenção à formação de jornalistas, a partir da assinatura de acordos com 18 universidades. De forma paralela, funcionará um mecanismo de reação rápida para a mídia, que oferecerá uma base de dados na Internet realizada por especialistas de todo o mundo, que também atenderão os jornalistas sobretudo em situações de crise.

Três paises, Espanha, Turquia e Nova Zelândia, anunciaram a criação de planos nacionais dedicados a desenvolver programas da Aliança e de articulá-los com o alto comissariado Sampaio e os coordenadores nacionais de cada país-membro. Além disso, a Aliança assinou acordos com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Liga Árabe, a Organização Islâmica para a Educação, a Ciência e a Cultura, bem como com cidades e governos locais.

Os acordos foram destacados por Fernández de la Veja, para quem “se fez um bom trabalho formulando propostas concretas e práticas para realizar os ideais de diálogo e entendimento que norteiam a Aliança, que hoje é uma realidade com um futuro promissor”. A vice-primeira-ministra deu especial atenção aos meios de comunicação que “devem evitar a apresentação viciada ou baseada em estereótipos das diferenças culturais”. A convivência cultural é um desafio de primeira ordem “do qual depende a segurança mundial”, por isso considero indispensável “somar forças e vontades e conciliar pontos de entendimento”.

Neste primeiro Fórum participaram cerca de 400 personalidades políticas, empresariais e religiosas de 82 paises, constituindo-se “no maior esforço já feito até agora pela comunidade internacional no sentido de aumentar a segurança no mundo, fomentar o diálogo intercultural e combater os extremismos irracionais”, segundo de la Veja. Samapio destacou que os representantes dos paises e das organizações internacionais do Grupo de Amigos da Aliança, que se reuniram a portas fechadas, se comprometeram a realizar esforços para que “as palavras se transformem em ações”.

Em um intervalo do Fórum, a Associação Muçulmana de Cientistas Sociais da Grã-Bretanha entregou o prêmio Building Bridges Award ao primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e ao primeiro-ministro da Turquia, Tayeb Erdogan, responsáveis pela iniciativa de criar a Aliança de Civilizações. Este prêmio é concedido a quem, segundo as associação, de fato deu uma contribuição especial no campo da ciência ou na promoção da harmonia social e do diálogo interculturla e inter-religioso. O prêmio foi entregue a Zapatero por Anãs Al-Shaikh-Ali, presidente da entidade. No ato de encerramento do encontro foi informado que Brasil Qatar e Portugal expressaram interesse em organizar os fóruns anuais seguintes ao que será realizado no próximo ano na Turquia. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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