NAÇÕES UNIDAS: Missões de paz sob fogo

Nações Unidas, 29/01/2008 – A Organização das Nações Unidas vive sob a sombra de ameaças terroristas, que forçam alguns membros de seu pessoa de campo a trabalhar desde a segurança de seus lares. A Secretaria Geral da ONU foi sacudida pelo ataque a instalações suas na Argélia no mês passado, que deixaram 17 mortos, somando-se ao atentado de agosto de 2003 contra o prédio de sua missão em Bagdá. “Na medida em que a ONU s converte crescentemente em um alvo em todo o mundo, não se deve poupar esforços para proteger seu pessoal, começando com uma investigação independente caracterizada pela transparente sinceridade de seu propósito”, disse o sindicato das Nações Unidas, com sede em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse aos jornalistas que estava muito emocionado pela sucessão de ataques terroristas. “Deve haver diversas áreas nas quais deveremos analisar este tema estrategicamente”, afirmou, Deixando de lado sua habitual reticência para divulgar algumas das novas medidas de segurança que serão postas em prática. “Esperamos que os governos anfitrios, em todos os países onde a ONU opera, ofereçam a necessária e adequada proteção. Isto é o que vamos discutir com os 192 Estados-membros”, disse Ban.

Está em curso uma guerra de palavras entre a organização mundial e o governo da Argélia, que se opõe a qualquer investigação independente do atentado, fundamentalmente por razoes políticas. As autoridades argelinas também negam a acusação de terem ignorado o pedido da ONU para reforçar as medidas de segurança, incluindo o fechamento de ruas, pouco antes do ataque terrorista. O diretor local do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Kemal Dervis, cujo escritório foi destruído no atentado, disse que pelo menos em seis países foi dito ao pessoal daorganização para trabalharem em suas casas, porque as agências daa ONU se converteram em “um alvo mais explícito” de grupos extremistas. Dervis negou-se a identificar essas nações, mas admitiu que a Argélia é uma delas.

Tanto funcionários como membros das forças de paz da ONU receberam ameaças no Afeganistão, Iraque, Líbano, Somália e Sudão, entre outros países. O líder da organização terrorista Al Qaeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, ofereceu recompensa de 10 quilos de ouro (cerca de 322 mil) pelas vidas do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e seu representante espcial no Afeganistão, Lakhdar Brahimi.

“Infelizmente, a maioria das pessoas não distingue entre as Nações Unidas como ‘animal político’ e seu caráter de organização humanitária”, disse à IPS um alto funcionário da ONU. Se um escritório é alvo de um ataque, é o pessoal que sofre as conseqüências, não os países-membros, que são os que disparam os ressentimentos políticos em primeiro lugar, acrescentou. Dervis disse que as vítimas do atentado em Argel não eram soldados, “mas, na maioria, argelinos que estavam trabalhando para a paz, o desenvolvimento e o alívio do sofrimento humano”.

“Foi tão entristecedor ver, com meus próprios olhos, o impacto deste ataque em colegas tão comprometidos com a criação de meios de vida sustentáveis para os pobres da Argélia, apoiando seu acesso à justiça, fortalecendo o Parlamento e promovendo a proteção do meio ambiente”, disse Dervis, um dos funcionários da ONU de maior status que visitou o local do atentado. “Nossos colegas em Argel não perseguiam um objetivo político e, definitivamente, não promoviam os interesses de um grupo de nações ou pessoas sobre as outras”, afirmou Ban Ki-moon em uma cerimônia em homenagem às vítimas.

Além disso, depois do atentado Ban perguntou se os sentimentos de ódio em relação à ONU são uma indicação do fracasso em comunicar às pessoas a missão da organização. Disse que se deveria fazer maiores esforços para explica ao publico e à imprensa o papel das Nações Unidas “em todos os lugares onde operamos: o motivo de estarmos ali, o que fazemos, o que representamos e o que não representamos”.

“Temos que deixar claro que não estamos ali para representar os interesses de nenhum grupo de nações sobre os de outras. Devemos deixar claro que estamos ali para limpar campos minados, construir escolas, administrar centros de saúde, promover a vigência da lei, cuidar do meio ambiente e proteger os direitos humanos”, enfatizou Ban. Concluindo, disse que “estamos ali para construir uma vida melhor para os homens, as mulheres e as crianças, porque existimos para servi-los”. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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