Washington, 06/02/2008 – O medo de novas regulamentações governamentais e as perdas financeiras devido à mudança climática levou três grandes bancos de investimentos e agentes de bolsa dos Estados Unidos, a adotarem pautas ambientais para fortalecer seu apoio à indústria do cobre. Citigroup, JP Morgan Chase e Morgan Stanley – três dos maiores nomes de Wall Street – apresentaram esta semana seus novos “princípios do carbono”, segundo os quais as companhias que buscam financiamento para adquirir novos geradores à base de carvão deverão apresentar planos para minimizar e mitigar a contaminação de dióxido de carbono.
O dióxido de carbono é um dos gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta, segundo a maioria dos cientistas. “A necessidade destes princípios é motivada pelos riscos que a indústria energética enfrenta, já que os produtores independentes, os reguladores, os prestamistas e os investidores sofrem as incertezas das políticas regionais e nacionais sobre a mudança climática”, disse o Citigroup em uma declaração.
Com o anúncio, Wall Street deu seu primeiro passo para ficar em dia com o setor dos seguros, que por anos lutou com os estragos causados pela mudança climática: os furacões não afetam apenas as pessoas e a infra-estrutura, mas também as companhias seguradoras. A decisão destes três bancos também chega em meio a um crescente interesse no carvão como um recurso abundante para reduzir a dependência dos Estados Unidos do petróleo estrangeiro. Calcula-se que os Estados Unidos possuem reservas de carvão para 200 anos, a maior parte nas montanhas Apalaches e no sudoeste do país.
As companhias norte-americanas sofreram até agora pouca pressão de seu governo em torno da mudança climática. Mas isto poderia estar mudando com o aparente agravamento das perdas causadas por fenômenos climáticos no país e com os esforços políticos para que Washington se ponha em linha com a comunidade internacional nesse assunto. Como conseqüência, as empresas de energia enfrentam um crescente risco de uma intervenção governamental, que poderia espantar os bancos que a financiam. Por isso, cada vez mais executivos vêem a necessidade de adotar voluntariamente regras com as anunciadas na segunda-feira.
“O aquecimento planetário está mudando o panorama competitivo”, afirmou Dale Bryk, advogado do grupo de pressão ambientalista Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais. “A energia limpa é o nome do jogo hoje em dia. As facilidades convencionais do carvão já estão sendo alvo de um intenso exame. Pensamos que cada vez mais dinheiro irá para soluções limpas e eficientes”, acrescentou Bryk. Sua organização o grupo Defesa Ambiental assessoraram os bancos em sua iniciativa. Sete companhias de energia também ajudaram a criar o programa: American Electric Power, CMS Energy, DTE Energy, NRG Energy, Public Service Enterprise Group, Sempra e Southern Company.
A tendência em adotar voluntariamente políticas ambientais também chega aos investidores. Nos últimos anos, acionistas em empresas de energia e mineração apresentaram iniciativas não vinculantes mas de alto perfil para que as companhias revelem suas liberações de dióxido de carbono e sua participação em projetos para reduzir e administrar as emissões. Importantes empresas de todas as indústrias receberam esse tipo de pedido de informação por parte do Projeto de Revelação do Carbono, uma coalizão de 385 investidores institucionais com cerca de US$ 57 bilhões em ações.
Desde 2000, a coalizão pressiona as empresas para que informem quanto dióxido de carbono lançam na atmosfera. Ambientalistas apoiaram o anúncio feito segunda-feira. “Se esta política prevê o financiamento do carvão, será produtiva”, disse Rebecca Tarbotton, diretora de campanhas mundiais da Rede de Ação pelas Florestas, que luta contra os investimentos no cobre. (IPS/Envolverde)

