Politica: Al Qaeda ainda é o maior medo dos EUA

Washington, 07/02/2008 – Após a melhora na situação de segurança no Iraque durante 2007, a rede terrorista Al Qaeda, particularmente sua base central no Paquistão, continua sendo a maior ameaça para os Estados Unidos, tanto dentro quanto fora de seu território, afirmou o diretor nacional de inteligência, Michael McConnell. Embora o grupo tenha sofrido graves reveses, particularmente no Iraque no ano passado, conseguiu manter sua unidade e melhorar sua habilitade para atacar os Estados Unidos, em parte identificando, capacitando e localizando inclusive ocidentais capazes de cometerem esses atentados, disse McConnell, que na terça-feira apresentou à comunidade de inteligência seu “exame anual de ameaças” perante o Comitê de Inteligência do Senado.

“Enquanto as crescentes medidas de segurança dentro e fora do país fazem com que a Al Qaeda veja o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, como um objetivo mais difícil, constatamos uma afluência de novos recrutas ocidentais às áreas tribais (no Paquistão, fronteiriças com o Afeganistão) desde meados de 2006”, disse aos legisladores. A Al Qaeda e seus afiliados, entre eles o mais ativo e perigoso é a organização Terras do Magreb Islâmico, continuam sendo a maior ameaça.

Entretanto, as agências de inteligência continuam preocupadas com os supostos programas de armas de destruição em massa do Irã e da Coréia do Norte, e pela vulnerabilidade de Washington aos ataques dos dois países, bem como de atores independentes que possam penetrar em seu sistema de informação. O informe de 45 paginas de McConnell também expressa preocupação pela segurança mundial no setor da energia, incluindo a possibilidade de uma “grande interrupção no fornecimento de petróleo” e seu impacto na economia internacional, bem como o crescente risco de instabilidade social e política nos países em desenvolvimento devido ao “duplo impacto dos altos preços da energia e dos alimentos”.

O crescente custo tanto do combustível quanto da comida, segundo McConnell, “Superou os orçamentos mundiais de ajuda e teve impacto negativo na capacidade dos países e das organizações doadoras de fornecer ajuda alimentar”, afirmou, acrescentando que os últimos protestos públicos do México ao Marrocos poderiam pressagiar uma instabilidade maior. McConnell, que se apresentou junto aos diretores das principais agências de inteligências do país, incluindo a CIA, também expressou preocupação pela possibilidade de os maiores exportadores de petróleo, incluindo Rússia e Venezuela, usem seus “ganhos inesperados” para cumprir fins políticos que possam prejudicar os interesses dos Estados Unidos.

Em sua fala na terça-feira, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), Michael Hayden, reconheceu publicamente pela primeira vez que o “waterboarding”, tortura conhecida como submarino, muito utilizada pelas ditaduras latino-americanas nas décadas de 70 e 80, foi usada contra altos lideres da Al Qaeda detidos secretamente em 2002 e 2003. Esta declaração motivou um chamado da organização defensora dos direitos humanos Human Rights Watch para que o Departamento de Justiça realize uma investigação. Essa prática é qualificada de tortura pelos tribunais norte-americanos desde a Guerra Hispano-Norte-americana há 110 anos.

McConnell reiterou que a principal conclusão da Avaliação Nacional de Inteligência, feita em julho passado, foi que a Al Qaeda “regenerou suas capacidades operacionais necessárias para atacar” os Estados Unidos, sobretudo graças à sua retenção das áreas tribais no Paquistão, que serviram como plataforma para os ataques do movimento islâmico Talibã, bem como centro de treinamento para novos terroristas para ataques no Paquistão, Oriente Médio, África, Europa e Estados Unidos”.( IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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