Saúde: Desnutrição infantil se combate com prevenção

Washington, 22/02/2008 – A prevenção pode ser o melhor remédio para a desnutrição infantil, segundo um estudo publicado na prestigiosa revista científica britânica The Lancet. Com base na evidência fornecida por programas de nutrição no Haiti os especialistas concluíram que as ações preventivas, em meninos e meninas, tiveram mais impacto na solução deste problema do que os tratamentos de “recuperação” de que já estava parcialmente mal alimentado. “A experiência no Haiti tem importância global porque, sem importar onde vivem, todas as crianças têm durante seus dois primeiros anos de vida as mesmas necessidades nutricionais para atingir um desenvolvimento adequado”, explicou Purnima Menon, uma das autoras do informe.

Segundo a Aliança Global para a Melhora da Nutrição, as deficiências em vitaminas e minerais provocam a morte de um milhão de crianças antes de chegarem aos 5 anos de idade. Além disso, cem mil nascem com defeitos físicos que podem ser prevenidos. Outros estudos de várias universidades norte-americanas mostram a relação entre a pobreza dos bebês e crianças com dificuldades no desenvolvimento do cérebro, entre as quais estão problemas de memória e linguagem, segundo informou o jornal britânico Financial Times. Mas, durante as duas últimas décadas, a maioria das agências de desenvolvimento centraram seus esforços em programas de recuperação, segundo Marie Ruel, a principal autora do estudo publicado pela The Lancet.

Ruel explicou que a reticência dos programas de prevenção se deve ao fato de tratarem todas as crianças de determinada idade, em uma comunidade determinada, sem se ter claro quais deles sofreriam desnutrição se esses planos não fossem aplicados. Alem disso, as evidências sobre as razões pelas quais os programas de ajuda deveriam prevalecer na prevenção são escassas. Ate agora, destacam os autores do estudo, além de investir em programas de prevenção, é importante oferecer assistência nutricional às crianças.

A maioria dos programas de recuperação é de ajuda até que as crianças cheguem aos 5 anos de vida, em alguns casos. “Vimos que depois dos 2 anos, talvez 3, pode-se alimentar uma criança que ela não se recuperará, quanto ao seu peso. Depois dos 3 anos ficou demonstrado que as intervenções não os ajudam”, disse Ruel. O estudo no Haiti “é especialmente importante para a Ásia meridional, que tem a maior taxa de desnutrição do mundo e a maior quantidade de crianças má-nutridas”, disse Menon.

Segundo os especialistas, cerca de 47% das crianças na Índia têm baixo peso. As carências nutricionais são também notavelmente altas nas zonas rurais da América Central e na região da cordilheira dos Andes. Atender a desnutrição nessas áreas não só é vita do ponto de vista da saúde, mas também representa benefícios econômicos com o passar dos anos. Um estudo feito na Guatemala durante 35 anos demonstrou que dar às crianças um suplemento alimentar com alto conteúdo de vitaminas, durante seus dois primeiros anos de vida, aumentou substancialmente sua força quando se tornaram adultos.

“Assim como precisamos investir em infra-estrutura, devemos investir nas crianças”, disse Renaldo Martorell, um dos pesquisadores que elaborou esse informe e que é professor de Nutrição Internacional na Universidade Emory, dos Estados Unidos. “O estudo mudou completamente nosso enfoque sobre a desnutrição infantil”, segundo Lesly Michaud, coordenadora de saúde materna e infantil no Haiti da não-governamental World Vision, a maior distribuidora de ajuda do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas. (IPS/Envolverde)

Abra Pollock

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