ENERGIA: Egito terá sua primeira usina atômica

Moscou, 28/03/2008 – Rússia e Egito finalmente assinaram um acordo para impulsionar a cooperação no desenvolvimento de energia nuclear civis após anos de negociações diplomáticas. O convênio foi assinado esta semana, durante a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak, a Moscou. Espera-se que este ano seja anunciada a licitação para a construção da primeira central nuclear do Egito, com custo estimado em US$ 2 bilhões. O Egito prevê construir outras três usínas atômicas com capacidade total de 1.800 megawatts, para cobrir suas necessidades energéticas e diversificar as fontes para tornar mais duradouras suas reservas de hidrocarbonos.

A Rússia, que tenta impulsionar setores de alta tecnologia em várias partes do mundo para reduzir sua dependência das exportações de gás e petróleo, se mostrou interessada em construir uma usina nuclear no Egito. O acordo foi assinado pelo chefe da empresa estatal de energia nuclear Rosatom, Sergei Kiriyenko, e pelo ministro egípcio de energia, Hassan Younis. Além disso, o convênio prevê a capacitação em instalações atômicas egípcias e o fornecimento de combustível nuclear.

A estatal russa especializada na exportação de serviços e equipamentos nucleares Atomstroyexpoort constrói cinco centrais na China, Índia e no Irã por US$ 4,5 bilhões. Também venceu uma licitação para construir outra em Belene, na Bulgária, e negocia a instalação de outras centrais no Marrocos, Vietnã e África do Sul. Também existe um projeto-piloto para criar uma zona industrial russa no Egito, segundo uma fonte do Kremlin. Por sua vez, o Cairo ofereceu a empresas russas taxas preferenciais para reforçar seus setores automobilísticos e de aviação.

“A Rússia se prepara para ajudar muitas outras nações africanas a resolver seus problemas de energia e de alta tecnologia de forma gradual”, disse à IPS um porta-voz da Agência Federal Nuclear, que supervisiona os projetos do governo na matéria dentro e fora de fronteiras, ao fechamento da cerimônia de assinatura do acordo. “As freqüentes visitas de líderes africanos destacam a existência de uma grande variedade de possibilidades econômicas de cooperação e desenvolvimento entre os dois continentes”, disse à IPS a chefe do Grupo de Embaixadores Africanos, Melrose Kai-Banya, em Moscou.

As negociações também confirmam a preparação da Rússia para o fortalecimento das relações bilaterais mediante o uso da energia nuclear com fins pacíficos, acrescentou. “A visita de Mubarak significa maior desenvolvimento das relações tradicionais entre Rússia e Egito e também entre os dois líderes”, disse à IPS Vladimir Shubin, do Instituto de Estudos Africanos, com sede na capital russa. “O fato demonstra novamente a intenção da Rússia de ampliar os vínculos com diferentes continentes e regiões”, acrescentou.

O Egito está no centro do mundo árabe e é uma nação africana com uma importância internacional que não pode ser subestimada, disse Shubin. Rússia e Egito também tiveram coincidências em assuntos delicados como a situação na Palestina, a intervenção militar norte-americana no Iraque e a tensão pelo dossier nuclear do Irã, acrescentou. O Cairo manteve bons vínculos com a extinta União Soviética graças aos quais no final dos anos 50 foram realizados vários projetos de desenvolvimento, incluída a construção da represa de Aswan.

O acordo “abre novos horizontes para a cooperação bilateral”, disse o presidente russo que está deixando o cargo, Vladimir Putin, em declarações à imprensa após a reunião com Mubarak. “O Egito é um dos sócios estratégicos da Rússia. Nossa relação é ampla e inclui questões políticas e econômicas. Continuaremos desenvolvendo nossos laços econômicos”, acrescentou Putin. Mubarak é ex-piloto treinado no Quirguistão que estudou na Academia Militar Soviética em Moscou na década de 60. (IPS/Envolverde)

Kester Kenn Klomegah

Kester Kenn Klomegah is the IPS Moscow correspondent. He covers politics, human rights issues, foreign policy and ethnic minority problems. His research interests include Russian area studies and Russian culture. Kester has worked for several years with the Moscow Times. He has studied social philosophy and religion and spent a year at the Moscow State Institute of International Relations. He is co-author of ‘AIDS/HIV and Men: Taking Risk or Taking Responsibility’ published by the London-based Panos Institute. In 2004, he was awarded the Golden Word Prize for excellence in journalism by the Russian Media Union, a non-governmental media organisation in Moscow.

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