MUDANÇA CLIMÁTICA: Fornecedores de multinacionais aceitam medir emissões

Johannesburgo, 02/05/2008 – Cada vez mais companhias fornecedoras de algumas das maiores multinacionais estão aceitando medir e informar sobre suas emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Muitas “empresas, incluindo as de países menos industrializados, estão preocupadas com os riscos do clima extremo, a escassez de água e com tudo o que representa a mudança climática”, disse Paul Dickinson, diretor-geral da Carbnon Disclosure Project(CDP), organização independente sem fins lucrativos com sede na Grã-Bretanha e que coordena esse esforço.

Multinacionais como Tesco e Unilever talvez não liberem grandes quantidades desses gases em suas instalações, mas seus fornecedores – que são milhares e estão em todo o mundo – sem dúvida, sim. Seria bobagem fingir que estes não são parte das marcas de carbonoi (quantidade de emissões na cadeia de produção) de uma corporação, disse Dickinson à IPS. O CDP é uma iniciativa que coordena ações entre 385 investidores institucionais, com ações no valor de US$ 57 bilhões, que solicitam às 500 principais empresas do mundo que revelem informação sobre suas emissões de gases que provocam o efeito estufa.

Cada vez mais as principais companhias e seus investidores sabem que a mudança climática supõe um importante risco econômico e, portanto, procuram reduzir suas emissões. Sob o programa Colaboração da Liderança sobre a Cadeia de Fornecimento, do CDP, foi solicitado em janeiro a 11 multinacionais que obtenham informação sobre as emissões de carbono e metas de redução de seus fornecedores. As empresas que participam são Dell, Hewlett Packard, L’Oreal, PepsiCo, Reckitt Benchister, Cadbury Schweppes, Nestlé, Procter & Gamble, Tesco, Imperail Tobacco e Unilever. Os resultados compilados foram divulgados na quarta-feira pelo CDP.

Os dados indicam que 96% dos fornecedores reconhecem os gases que provocam o efeito estufa como um risco potencial. Também consideram que as condições climáticas extremas afetarão suas operações e reduzirão sua produtividade. Cerca de 58% identificaram a redução do consumo de energia como a melhor forma de reduzir os riscos. Mas, no momento, apenas 26% ficaram metas para diminuir suas emissões, disse Dickinson. “Há uma revolução na consciência pública em todo o mundo sobre a emissão desses gases. As pessoas não comprarão produtos de empresas cujas emissões prejudicarão seus filhos”, afirmou.

Agora o CDP se prepara para em maio levar sua campanha a outras multinacionais, com Vodafone, Carrefour, IBM, Heinz e milhares de fornecedores. A organização espera que, em 2009, “toda companhia responsável por significativas quantidades de emissões de carbono” seja parte do programa, explicou Dickinson. Medir e reduzir essas emissões logo será algo comum para todas as empresas. A rede de supermercados Tesco anunciou que uma ampla gama de suas marcas próprias levará etiquetas especificando as marcas de carbono.

A Grã-Bretanha está tornando obrigatório o informe de emissões. A província canadense de Colúmbia Britânica vai impor um imposto às emissões a todas as empresas a partir de 1º de julho. Inclusive os Estados Unidos, sob o governo de George W. Bush, prepara um sistema para que a indústria informe suas emissões. Dickinson considera que esta é uma mudança fundamental e acredita que as companhias que puderem conseguir produtos com baixas emissões de carbono serão as ganhadoras, reduzindo seus custos energéticos e ganhando consumidores.

Esta mudança é uma das razões pelas quais muitos investidores e instituições financeiras já não colocam seu capital em unidades de energia à base de carbono nos Estados Unidos. E em um país com a África do Sul, que sofre importante escassez de eletricidade, seria ingênuo construir mais usinas movidas à carvão, disse o ativista. As emissões sul-africanas por habitante são semelhantes às européias, mesmo quando milhões de pessoas no país africano vivem sem eletricidade.

“Os mais pobres do mundo são os mais vulneráveis à mudança climática. Não podemos esquecer isto. Serão os mais afetados pelas temperaturas mais altas e pela escassez de água”, afirmou Dickinson. Enquanto os ricos podem se adaptar aos piores impactos da mudança climática, os pobres têm de procurar comida e água. E a já alta taxa de criminalidade na África do Sul aumentará porque as pessoas ficarão mais desesperadas, alertou.

A CDP é uma ferramenta muito útil que torna acessível ao público quase toda informação através de seu site Cdproject.net, disse à IPS o pesquisador do clima Andre de Fontaine, do Centro Pew sobre Mudança Climática Global, organização não-governamental norte-americana que trabalha com líderes do setor privado, do governo e da área acadêmica. (IPS/Envolverde)

Stephen Leahy

Stephen Leahy is the lead international science and environment correspondent at IPS, where he writes about climate change, energy, water, biodiversity, development and native peoples. Based in Uxbridge, Canada, near Toronto, Steve has covered environmental issues for nearly two decades for publications around the world. He is a professional member of the International Federation of Journalists, the Society of Environmental Journalists and the International League of Conservation Writers. He also pioneered Community Supported Environmental Journalism to ensure important environmental issues continue to be covered.

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