DESENVOLVIMENTO: Os ricos podem fazer mais para ajudar a África

Washington,, 15/05/2008 – Suécia, Irlanda e Grã-Bretanha são, entre 21 países ricos analisados por especialistas do Centro para o Desenvolvimento Global (CGD), com sede em Washington, os mais comprometidos com o desenvolvimento da África, embora todos eles possam fazer mais para ajudar o continente africano. Os Estados Unidos, a maior economia do mundo, figura em um distante 13º lugar, enquanto o Japão continua sendo o país rico que menos ajuda a África, segundo o Índice de Compromisso com o Desenvolvimento (CDI) desse centro. Este estudo anual avalia o grau de ajuda ou dano que implicam as políticas dos países ricos para as nações africanas.

Segundo o CDI, Suécia, Irlanda e Grã-Bretanha são os que mais fazem para ajudar esse continente nas categorias analisadas. O índice leva em conta não apenas o valor da ajuda, mas também a qualidade da assistência, a abertura dos mercados às exportações africanas, a responsabilidade ambiental e o apoio a mecanismos multilaterais de segurança como missões de paz e intervenções humanitárias. O CDI avalia negativamente, por outro lado, os países que exportam armas para regimes autoritários com um alto nível de gasto militar. Também considera políticas migratórias e de investimento, bem como a disposição de compartilhar livremente as tecnologias. Está desenhado para substituir o critério tradicional de medir a ajuda externa apenas como uma porcentagem do produto interno bruto. “As nações ricas estão vinculadas com a África de múltiplas formas, não apenas através da ajuda externa”, disse à IPS Steve Roodeman, do CGD. “Se queremos ser sérios em matéria de ajuda para o desenvolvimento da África não podemos olhar um aspecto parcial. Temos que dar atenção ao conjunto”.

O CDI coloca a Suécia no topo da lista por suas ações em matéria de ajuda e segurança, enquanto a Irlanda aparece em segundo lugar devido à magnitude da ajuda que dá e à forte presença de suas tropas na missão de paz presente na Libéria. A Grã-Bretanha vem em seguida por ser um dos maiores investidores e garantidores da segurança na África. Também se destacam suas políticas “amigáveis” em matéria de migrações e meio ambiente. Portugal, sexto no índice, figura na cabeça do grupo de nações ricas no que se refere ao grau de abertura para os imigrantes africanos. O último lugar cabe ao Japão, fundamentalmente por suas exorbitantes tarifas alfandegárias que aplica às importações de arroz, entre 600% e 800%.

Em relação ao meio ambiente, os Estados Unidos estão em último lugar, por se negar a ratificar o Protocolo de Kyoto, que até agora constitui o esforço internacional mais sério para combater a mudança climática. O estudo menciona, para explicar essa baixa qualificação, o elevado volume das emissões norte-americanas de gases causadores do efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global, e a baixa carga de impostos sobre os combustíveis. Os Estados Unidos também recebem uma pobre avaliação pela escassa ajuda externa que destina a África, em relação ao tamanho de sua economia. Mas, em matéria de segurança Washington aparece em quarto lugar, atrás de Grã-Bretanha, Irlanda e Suécia, o que gerou críticas por parte de organizações civis que, de todo modo, consideram o CDI confiável na avaliação de outros itens.

A não-governamental Africa Action, com sede em Washington, disse que a política de segurança dos Estados Unidos em relação a esse continente “está se movendo em uma direção muito perigosa, que tem o potencial de criar grande quantidade de problemas de desenvolvimento”. Em especial, a entidade menciona a criação da Africom, uma estrutura de comando militar unificada com jurisdição sobre o continente. “Pode representar uma mudança fundamental nas relações entre África e Estados Unidos”, disse à IPS Michael Swigert, da Africa Action. O Departamento de Defesa tomaria sob seu controle funções de desenvolvimento que antes estavam na órbita da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) ou do Departamento de Estado, acrescentou Swigert. O grupo fez uma advertência sobre o risco de “militarizar” a política de desenvolvimento de Washington.

Roodman destacou que a principal mensagem do índice é que os países ricos podem fazer muito mais para estimular o desenvolvimento da África. Inclusive a Suécia, que figura no topo da lista, com uma qualificação média em quatro das sete áreas analisadas pelo CDI. “Nenhum dos países, portanto, pode se mostrar satisfeito com seu desempenho. Todos podem fazer um esforço maior. Os titãs do Grupo dos Oito países mais poderosos do mundo que figuram nas posições mais inferiores têm, especialmente, a oportunidade de ajudar muito mais os africanos”, destacou o CGD.

Entre os desafios que exigem uma resposta das nações ricas está a ameaça provocada pelo constante aumento do preço dos alimentos. O Banco Africano de Desenvolvimento e a ONU advertiram na segunda-feira que a crise alimentar poderia anular os progressos realizados por muitos países rumo aos Objetivos de Desenvolvimento das Nações Unidas para o Milênio, que entre outras metas tem reduzir a pobreza extrema até 2015, e reclamaram maior assistência por parte das nações ricas. (IPS/Envolverde)

Emad Mekay

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