MÉXICO: Borboletas monarca ficam sem floresta

México, 05/09/2008 – Apesar das ruidosas operações policiais e dos programas destinados a frear o corte de florestas, não se detém a deterioração da mexicana Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca, que em julho foi incluída na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Cerca da metade dos 56.259 hectares da reserva, localizada nos Estados de México e Michoacán, no ocidente da capital, se perderam ou ficaram deteriorados pelo corte de árvores essenciais para a vida de centenas de milhões de borboletas de fortes cores laranja e negra.

Desde 2006 até hoje foram desmatados ilegalmente 502 hectares, indica um relatório divulgado ontem pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) baseado em fotografias obtidas via satélite. “A situação é preocupante, sobretudo em uma comunidade localizada na zona núcleo da reserva, onde velhos problemas agrários e conflitos sociais impedem um trabalho com seus moradores e, assim, evitar o desmatamento”, disse à IPS o diretor desta organização no México, Omar Vidal. A zona núcleo da reserva tem 11 mil hectares e o restante forma a áreas de amortização.

Os ambientalistas argumentam que está em risco o ritual migratório de cinco mil quilômetros que cumpre em cada final de ano a borboleta monarca (Danaus plexippus) desde o Canadá e os Estados Unidos até as florestas do México. “O trabalho entre governos, sociedade civil e moradores da reserva em geral deu bons frutos, mas há algum foco vermelho difícil de abordar e solucionar, por isso com os dados recentes obtidos vamos aprofundar os programas”, disse o diretor da WWF no México. Assim floresta, simplesmente irá desaparecer a migração da borboleta, “por isso é preciso redobrar esforços”, alertou Vidal.

O WWF participa a cinco anos de vários programas com as comunidades da reserva. Para isso estabeleceu acordos com o governo e as empresas Telcel, da áreas telefônica, e Altos Fornos do México, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu a região para onde migram as borboletas em sua lista de Patrimônio Mundial. Antes a havia declarado Reserva da Biosfera. Desde tempos imemoriais, centenas de milhões de borboletas iniciam em novembro e dezembro um trajeto de seis semanas rumo ao sul, até chegarem aos seus santuários no México.

Após descansarem sobre imensas árvores de oyamel, amadurecem seus órgãos sexuais e acasalarem, em março e abril alimenta-se de pólen, revoam formando imensas nuvens e começam seu regresso ao norte. Segundo as explicações científicas, no final do verão boreal, nas florestas do norte da América desperta nas borboletas uma rara inquietação para migrar com destino a climas menos frios. Antes de iniciarem a longa jornada, à velocidade entre 16 e 48 quilômetros por hora em seis horas de vôo diário, o coleóptero sofre mudanças fisiológicas que impedem a maturação de seus órgãos sexuais, o que prolonga sua vida até os oito meses.

Quando chega às florestas mexicanas, se recupera consumindo néctar. Nas semanas posteriores ao processo, entra em uma fase de letargia e mais tarde voa de regresso. Para evitar ser devorada por outros insetos ou aves, a borboleta desenvolve substâncias tóxicas que agem como repelente. Este espetáculo, que fascina cientistas e cerca de 150 mil turistas que o assistem a cada ano, tem seus inimigos: organizações de cortadores de árvores que atendem a demanda comercial por madeira, e a pobreza e os conflitos que vivem vários dos habitantes da reserva.

Desde 2001, a presença policia é constante na região para evitar o desmatamento. As autoridades afirmaram este ano que o problema havia diminuído em 80% graças à vigilância e a programas de conservação aplicados em colaboração com camponeses. No final do ano passado, o governo do conservador Felipe Calderón anunciou uma operação policial na reserva, a de maior envergadura realizada na história, segundo o mandatário. Centenas de policiais apreenderam em várias serralherias 6.116 metros cúbicos de madeira, equivalentes a cerca de 1.750 árvores de oyamel e pinus de quase 20 metros de altura cada uma. Além disso, 56 pessoas foram detidas e a polícia apreendeu ferramentas, veículos e armas. (IPS/Envolverde)

Diego Cevallos

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