Bangcoc, 15/09/2008 – As crianças menores de 5 anos na Ásia-Pacífico estão ficando para trás na corrida para reduzir a pobreza, apesar dos grandes avanços rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, adotados em 2000. O crescimento econômico da região impulsionado pela China, tornará possível concretizar o primeiro das oito metas propostas pela Organização das Nações Unidas com prazo até 2015: redução pela metade da pobreza extrema em relação aos níveis de 1990.
O número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia caiu de 1,9 bilhão em 1990 para 641 milhões em 2004, segundo informe do Banco Asiático de Desenvolvimento e de duas agências da ONU, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Comissão Econômica e Social para Ásia-pacífico (Escap). A razão, diz o estudo, foram “as rápidas reduções na China e no sudeste asiático”. Entre os outros objetivos de desenvolvimento do milênio estão conseguir até 2015 educação primária universal, promoção da igualdade de gênero para dar mais poder às mulheres e redução da mortalidade materna e infantil.
Mas os êxitos da região são desiguais, como demonstra o número de crianças desnutridas, condição em que se encontra um em cada quatro menores de 5 anos no sudeste asiático. “Embora se trate de uma região de renda média, a quantidade de crianças com baixo peso é igual à da África subsaariana”, disse a secretária-executiva da Escap, Noeleen Hayzer. “Isto é simplesmente inaceitável e mostra as diferenças nos avanços em diferentes países”, acrescentou. o panorama é mais grave na Ásia meridional, onde quase 50% dos menores de 5 anos têm baixo peso, segundo dados das Nações Unidas.
Em 2006 havia nas nações em desenvolvimento 140 milhões nessa condição. Na região Ásia-Pacífico, 28% dos menores de 5 anos sofrem desse problema. Representam dois terços do total mundial. As práticas alimentares inadequadas constituem a principal causa, especialmente entre os pobres das áreas rurais e bairros marginalizados das cidades, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância. “Os países da região mostram uma das taxas mais baixas de amamentação no mundo. A metade dos bebes na Ásia-Pacífico não são alimentados exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses de vida e quase a quarta parte não recebe as duas doses necessárias de suplementos de vitamina A”, acrescentou o Unicef.
“Parte do problema é que as mães não estão conscientes da importância de amamentar seus filhos”, disse à IPS Shantha Bloemen, porta-voz do escritório regional para a Ásia oriental e o Pacifico do Unicef. “Misturam água com açúcar para dar-lhes de beber, mas se uma água não for segura podem provocar diarréia”, afirmou. Além disso, muitas mulheres são influenciadas pelas estratégias de marketing das empresas que promovem substitutos, como o leite em pó. “A publicidade está tendo um grande impacto, porque se trata de um mercado em crescimento para essas companhias”, disse Bloemen. Além disso, a necessidade de trabalhar de muitas mães as impede de amamentar os filhos, como ocorre nas Filipinas, na Indonésia e Tailândia.
Os bebês que nascem de mães anêmicas ficam presos em um círculo vicioso. As mulheres que estão amamentando precisam de uma dieta adequada, mas isto não acontece. Também necessitam de micronutrinetes, como o ácido fólico”, disse Bloemen. O número de crianças desnutridas representa um obstáculo para atingir o objetivo de reduzir a mortalidade infantil. “globalmente, caiu ao seu nível mais baixo, mas a situação na Ásia-Pacífico é ainda de grande preocupação. Já que cerca de quatro milhões de crianças morrem antes dos 5 anos de vida”, segundo o informe do Pnud, da Escap e do Banco Asiático de Desenvolvimento.
“Dos 47 países sobre os quais existem dados, 15 não estão no caminho de alcançar a meta e em vários houve retrocessos”, adverte o informe. De acordo com a ONU, “a desnutrição, cuja redução é lenta, é a causa subjacente em mais de um terço das mortes de menores de 5 anos”. Em todo o mundo, a taxa de crianças desnutridas nessa faixa de idade caiu de 33% em 1990 para 26% em 2006, de acordo com os dados das Nações Unidas. Por outro lado, uma área em que a situação das crianças registra importantes avanços é a educação primária. “Em quase todos os países a taxa de matrícula é maior do que 90% e em vários se aproxima dos 100%”, diz o informe da ONU. (IPS/Envolverde)

