SAÚDE-ÁSIA: Persiste a ameaça de dengue

Milha, 03/10/2008 – Nas ultimas três décadas a dengue afetou cada vez mais países Ásia-Pacífico. Mas as autoridades, em geral, dão atenção à doença quando surgem epidemias e já é muito tarde. Entre 1991 e 2004, as epidemias de dengue detectadas na região do Pacífico ocidental pela Organização Mundial da Saúde afetaram severamente 10 países: Camboja, China, Fiji, Filipinas, Laos, Malásia, Nova Caledônia, Polinésia Francesa, Cingapura e Vietnã. Desde 2007 houve uma quantidade alta e incomum de casos de dengue no Camboja, Filipinas, Cingapura e Kiribati.

A doença está tão difundida hoje na região que, segundo a OMS, 1,8 milhão de pessoas corre o risco de contraí-la. Nos últimos três meses, Nova Déli registrou 600 casos de dengue, dos quais dois foram fatais. Mas, a dengue é uma “doença desatendida” que chama a atenção pública e o compromisso do governo apenas durante as epidemias, alertou a OMS. Nesses casos, habitualmente, é muito tarde para adotar uma ação efetiva. A OMS informou que a mortalidade mais alta se registra no começo da epidemia, e que as crianças correm um risco muito alto de morrer devido a complicações e falta de acesso a um tratamento imediato.

Inclusive durante os focos, os programas para combater a dengue costumam enfrentar escassez de recursos humanos e financeiros, diz a OMS. A dengue foi uma das principais preocupações dos ministros da Saúde e representantes do Pacifico ocidental durante uma reunião da OMS realizada de 22 a 26 de setembro em Manila. Os delegados concordaram que é preciso encontrar soluções de longo prazo para este problema e reverter a tendência à alta da doença. Os participantes observaram que embora alguns países tenham algum êxito no controle da propagação da dengue, em outro ocorria o oposto.

O medico Nguyen Huy Nga, do Ministério da Saúde do Vietnã, disse que seu país detectou os primeiros casos da doença em 1959, e que agora sofre 50 mil casos ao ano, em média. O ministério localizou as principais áreas de reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, em contêineres usados por moradores para armazenar água no delta do Mekong, acrescentou. Atualmente, Fiji sofre uma importante epidemia de dengue, com cerca de mil casos registrados. “Não há sinais de que a situação esteja melhorando”, disse o representante do país na conferência.

Em Brunei, os casos de dengue eram mínimos antes de 2002. Mas em 2006 o país experimentou uma epidemia, que desde então se tornou endêmica. O aumento das viagens internacionais e o comércio contribuíram para a propagação da dengue em países que antes não sofriam este flagelo. É por esta razão que o surgimento de dengue em um país representa ameaça para outros, segundo a OMS. Em Hong Kong não houve casos da doença adquiridos localmente desde 2003, nem infecções originadas em pessoas que haviam viajado ao sudeste da Ásia e voltado para casa, afirmou o medico Lawerence Wong Yu-shing, do Departamento de Saúde.

A OMS afirma que a dengue não pode ser controlada se os esforços se limitarem a uns poucos territórios. E considera que deve existir uma colaboração regional para ajudar as nações a tomarem as medidas adequadas. Essa agência da Organização das Nações Unidas atribui a propagação da dengue na região ao “desenvolvimento urbano não planejado”, às migrações humanas e à alta densidade populacional. Quanto mais habitada uma área, mais oportunidades há para a transmissão do vírus. Também são responsáveis práticas humanas como a inadequada eliminação de pneus velhos, embalagens de plástico e latas de metal. O Aedes aegypti se reproduz na água paralisada que esses objetos acumulam.

Embora Durant e décadas se soubesse que algumas intervenções eram efetivas contra a dengue, sua implementação continua sendo um grande desafio para muitos países devido à falta de recursos destinados aos programas de controle desta doença, disse a OMS. A maior parte dos poucos recursos gastos com a dengue é destinada a inseticidas em aerossol e larvicidas químicos que têm pouco impacto sobre as epidemias. Em contraste, as medidas mais efetivas para prevenir a dengue incluem controlar o mosquito reduzindo suas áreas de reprodução e garantindo um ambiente limpo.

Acredita-se que a mudança climática também responde pela alta incidência da doença. A OMS diz que as enfermidades transmitidas por insetos, com dengue e malária, as originadas na água e nos alimentos e as respiratórias são apenas alguns dos atuais e potenciais riscos para a saúde relacionados com a mudança climática. Os países “não deveriam esperar que toda evidência” sobre os efeitos da mudança climática na saúde “estejam disponíveis e devem agir agora para minimizar as potenciais conseqüências com o conhecimento existente e as tecnologias que temos disponíveis”, disse o diretor regional da OMS para o Pacifico ocidental, Shigeru Omi.

Na reunião regional, os participantes aprovaram um Plano Estratégico contra a Dengue para a região Ásia-Pacícifo que ajudará as nações a potencializarem sua preparação diante dos focos e responder e limitar a epidemia pela prevenção e pelo controle. O plano inclui medidas para reduzir fatalidades, melhorar o controle e a coleta de dados pelas autoridades, dar orientação sobre o manejo ambiental do desenvolvimento urbano e controlar a propagação do Aedes aegypti, além de educar a população para reconhecer a dengue e a necessidade de uma pronta atenção medica.

Alguns estudos mostram que as fatalidades podem ser reduzidas a 1% ou menos se os casos de dengue forem diagnosticados cedo e tratados de modo adequado. O plano estratégico reconhece a necessidade do desenvolvimento de vacinas, melhor diagnostico e outras inovações para o tratamento. (IPS/Envolverde)

Stella Gonzales

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