Lusaka, 18/11/2008 – Em uma tentativa de reduzir drasticamente a taxa de mortalidade infantil e melhorar a saúde materna, o governo de Zâmbia destinou no ano passado uma parte de seu orçamento ao setor público. Isto teve como resultado melhoria nos índices, destacaram pesquisadores. Mas, os progressos foram registrados nas cidades, enquanto nas áreas rurais a situação melhorou muito pouco. Em seu orçamento nacional 2007-2008, a saúde recebeu a maior parte: 11,5%. O dinheiro foi usado para melhorar serviços no setor público, especialmente na área da pediatria. Em Zâmbia, as principais causas para a alta mortalidade infantil são diarréia, desnutrição, malária HIV (vírus da deficiência imunológica adquirida, causador da aids) e as infecções respiratórias agudas.
Para melhorar a situação das crianças, o Departamento de Saúde apresentou um programa destinado a fornecer-lhes nutrientes através de alimentos fortificados com, por exemplo, vitamina A, além de rotinas de vacinação e medidas para evitar a transmissão do HIV de mãe para filho. Como conseqüência, a mortalidade infantil caiu de 107 mortes por mil nascimentos em 1992 para 70/1000 no ano passado.
Os números mostram que Zâmbia está a caminho de alcançar um dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio que busca reduzir em dois terços a mortalidade infantil até 2015 em relação aos níveis de 1990. “Ainda temos muito pela frente, mas, neste ritmo e neste progresso, há uma possibilidade de alcançar este objetivo até o final de 2015”, disse à IPS o ministro da Saúde, Brian Chituwo. “Este progresso se baseia no sustentado crescimento econômico de Zâmbia nos últimos anos, nos crescentes investimentos nos setores sociais e de saúde e em uma robusta resposta nacional aos assuntos sanitários”, acrescentou.
Apesar dos progressos, especialistas em saúde lamentam o fato de o impulso financeiro no sistema de saúde pública ter pouco impacto nas zonas rurais. A metade dos profissionais da saúde do país residem na capital, Lusaka, e um terço em outras cidades importantes, segundo a pesquisa. Para reverter esta tendência, o Departamento de Saúde acaba de lançar uma iniciativa para capacitar trabalhadores comunitários em áreas rurais com pouca assistência medica. Os trabalhadores comunitários agora instruem os moradores rurais sobre saúde, higiene, nutrição, atenção infantil e planejamento familiar, e estão treinados para tratar doenças comuns, como a diarréia.
James Zimba, dedicado à capacitação de trabalhadores comunitários, destacou que isso ajudou a melhorar a atenção em áreas distantes dos centros urbanos, onde os programas do governo ainda não foram colocados em pratica. “A maior parte do orçamento de saúde nacional é investido em trabalho administrativo do ministério e nos três principais hospitais. Muito pouco vai para as clinicas dos distritos menores”, lamentou Zimba. “Se queremos avançar às áreas rurais, dependemos dos serviços dos trabalhadores comunitários, dispostos a trabalhar por um pequeno salário, ou nenhum”, acrescentou. a grande parte deles trabalha de graça ou recebem comida dos pacientes como “pagamento”.
Entretanto, sua tarefa é crucial, já que dão assistência em lugares geralmente privados de assistência medica. Mabel Kasoma, chefe de enfermeiras da clinica Kaliga-Kaliga em Lusaka, disse que os trabalhadores comunitários oferecem uma necessitada solução aos departamentos de saúde com graves carências de recursos humanos. “Devido ao inadequado uso de recursos financeiros temos uma grande carência de pessoal capacitado para atender as necessidades medicas da população rural, especialmente grávidas e crianças”, afirmou Kasoma. “É por isso que o departamento decidiu treinar membros das comunidades rurais em assistência medica básica, com ênfase na atenção materna”, acrescentou.
Kasoma disse acreditar que os trabalhadores comunitários contribuirão para reduzir a mortalidade infantil, não apenas em zonas urbanas mas também rurais. “Um grande êxito alcançado pelos trabalhadores comunitários foi a redução dos casos de doenças relacionadas com a diarréia em menores de 5 anos de áreas rurais. Este é um passo importante na direção correta”, destacou.
(Envolverde/IPS)

