Washington, 05/01/2009 – Em meio à ofensiva israelense em Gaza, ganha força uma voz na comunidade judia dos Estados Unidos que rompe com a linha habitual e se opõe ao conflito. Os grupos tradicionalmente partidários das políticas de Israel realizam uma campanha de apoio aos bombardeios contra o Hamás (Movimento de Resistência Islâmica) que mataram mais de 500 pessoas, entre elas um grande numero de civis, argumentando que a ofensiva se justifica, pois busca frear os ataques com mísseis por parte da resistência palestina às cidades do sul de Israel. O Comitê Judeu Norte-americano expressou um “forte apoio a Israel em sua operação dirigida contra objetivos terroristas em Gaza”. Por sua vez, o Comitê Norte-americano-Israelense de Assuntos Políticos exortou Washington a “colocar-se firmemente com Israel quando tenta se defender”.
Além dos constantes comunicados, representantes destes grupos aparecem regularmente nos meios de comunicação e convocam entrevistas coletivas. Mas quatro importantes organizações judias nos Estados Unidos pedem um imediato fim dos bombardeios e o envio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Um dos grupos, Norte-americanos pela Paz Agora, organização-irmã da Paz Agora, com sede em Israel, exortou o governo israelense “a por fim à sua operação militar na Faixa de Gaza e agir para obter um cessar-fogo”. Já a Aliança Judia para a Justiça e a Paz exortou o presidente George W. Bush a “iniciar um esforço internacional para negociar um imediato cessar-fogo”.
Estas fortes declarações, junto a outras semelhantes do movimento pacifista pró-israelense J Street e o Fórum de Políticas sobre Israel, marcam um claro contraste com muitos dos tradicionais grupos judeus nos Estados Unidos. “Há uma voz que é cada vez mais clara e tem uma significativa ressonância na comunidade judia norte-americana, que toma uma posição e que não se deixará amedrontar”, afirmou Daniel Levy, ex-negociador israelense e diretor do Grupo Especial sobre Oriente Médio da New America Foundation. “A bola está sendo levada adiante e estão sendo redefinidos os parâmetros do debate sobre o que significa ser, de forma responsável e mediata, pró-israelense”, afirmou à IPS.
Estas últimas declarações são, em parte, o ápice de uma série de esforços para criar uma voz pacifista pró-israelense que não tema se afastar da linha tradicional, embora estes grupos destaquem que apóiam o Estado Judeu e seu direito de se defender. Mas Jeremy Bem-Ami, diretor-executivo da J Street, disse que a questão não é o direito de autodefesa, ms se realmente é produtiva uma ofensiva como a lançada contra Gaza. “Embora a operação das Forças de Defesa Israelenses em Gaza possam ser entendidas e inclusive justificadas pela última onda de ataques com foguetes” por parte do Hamás, afirmou Bem-Ami, “acreditamos que os verdadeiros amigos de Israel reconhecem que agravar o conflito será contra-producente, alimentando mais ódio na região e prejudicando as perspectivas de paz e estabilidade no longo prazo”. J Street repetiu os mesmos conceitos de seu diretor em um comunicado de imprensa em que declarou que os bombardeios “arrastam ainda mais o longo conflito palestino-israelense para o caminho de uma violência sem fim”.
Enquanto a maioria dos outros grupos judeus mostrou pouco entusiasmo pelo processo de paz e pela chamada “solução dos dois Estados”, estas organizações consideravam ambos elementos-chave para a existência do Estado judeu. Ao contribuir para a paz com seus vizinhos árabes, incluindo os palestinos, estas organizações sustentam que estão ajudando Israel no longo prazo. Levy afirmou que, na essência, estão dizendo: “Também amamos Israel, mas não fica nada bem sermos porta-vozes da chancelaria israelense”. (IPS/Envolverde)

