POLÍTICA: Não somos os melhores

Washington, 27/01/2009 – O orgulho nacional parece ser um importante fator de disputas geopolíticas do século XXI. Mas, uma pesquisa demonstrou que as populações de vários países não necessariamente acreditam que seus governos sejam moralmente superiores aos outros. A maioria dos entrevistados em 19 dos 21 países escolhidos não creem que seus respectivos governos tenham uma política externa cuja moral esteja acima da média, segundo o estudo apresentado no último dia 22 pelo WorldPublicOpinion.org, projeto do Programa sobre Atitudes a Respeito da Política Internacional (Pipa) da Universidade de Maryland (EUA).

Apenas cerca de um quarto dos consultados disse que seus países têm uma política externa com integridade superior à média, enquanto aproximadamente 20% afirmaram que era inferior. “Sem dúvida, os governos estão preocupados em aumentar o poder de seus Estados, e isso influi através de uma ideologia nacionalista”, disse à IPS Steven Kull, diretor do Pipa e do WorldPublicOpinion.org. porém, Kull afirmou que os resultados da pesquisa demonstram que, enquanto os governo ágüem sob premissas nacionais, suas populações veem mais além na hora de avaliar como suas políticas externas afetam “o mundo como um todo”.

Kull foi rápido em alertar que isso não significa que as populações tenham se voltado contra a política externa de seus países. “Não estão dizendo que (agir com base no interesse do Estado) seja uma coisa terrível. Aqui não se vê uma crítica dura”, afirmou. De fato, cerca de 40% disseram que seus países tinham política externa de média moral, o que supõe um ponto de vista bastante moderado sobre as gestões de seus governos no cenário mundial

Quarenta e nove por cento dos norte-americanos consultados afirmaram que a política externa de seu país era de integridade média, porcentagem maior do que o total mundial. Mas o número dos que a consideram acima da média foi o mesmo que no plano global: 24%. A Rússia apenas ultrapassou as cifras mundiais: 27% dos consultados disseram que a política externa de Moscou é moralmente superior em comparação com o resto do planeta.

Os países onde a maioria dos entrevistados se considerou moralmente superiores foram Jordânia (44%), Índia (40%), Azerbaijão (39%) e China (38%). Onde a maioria respondeu que a política externa de seus países mostrava uma moral inferior à média foi no México (54%) e na Argentina (39%). Entre as principais potências mundiais, os britânicos foram os que registraram valores mais baixos em suas opiniões. Quase um quarto dos entrevistados se pronunciou por uma média inferior. Embora quase uma maioria (49%) responderem que a política externa de seu país era de moral média.

Contrariamente às tendências nacionalistas, as populações dos países pesquisados também mostraram ter uma boa imagem da moralidade de outras nações. Neste sendo, a China teve os piores resultados entre as principais potências. Isto não surpreende considerando a má imagem que teve sua atitude em relação ao Tibet e o que se considerou um bloqueio das resoluções de conflitos no Sudão e na Birmânia. Os entrevistados perceberam que os interesses econômicos de Pequim ignoraram as considerações morais. Os consultados em seis nações disseram que a política externa da China era moralmente inferior: Alemanha, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Itália.

A Rússia também teve um número similar de críticas em cinco países, enquanto os Estados Unidos mostraram os resultados mais erráticos do estudo. Cinco nações afirmaram que a política externa de Washington está abaixo da média, mas duas disseram que estava acima. A Grã-Bretanha foi o país que obteve a classificação mais positiva. Embora apenas cerca de um quinto dos consultados (sem incluir os britânicos) tenha dito que a política externa de Londres era superior à média, esse foi o único país para o qual esse número foi maior do que a quantidade de pessoas que afirmaram ser inferior à média (17%). (IPS/Envolverde)

Ali Gharib

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