FÓRUM SOCIAL MUNDIAL: Aliança entre presidentes socialistas e um pragmático

BELÉM, 02/02/2009 – – TerraViva.- Um presidente pragmático, Luiz Inácio Lula da Silva, e quatro colegas sul-americanos de esquerda mostraram discrepâncias em suas perspectivas diante da crise econômica mundial, em mesa em que se juntaram na noite da quinta-feira, no Fórum Social Mundial (FSM).

 - Claudius/Dipló Brasil

- Claudius/Dipló Brasil

À tarde os quatro “socialistas” já haviam se reunido a convite da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do Brasil, mas Lula ficou de fora.

Enquanto os presidentes Rafael Correa, do Equador, e Hugo Chávez, da Venezuela, apoiados por Evo Morales, da Bolívia, afirmaram estar construindo o “socialismo do século XXI” como a única solução para a crise, condenando o capitalismo, Lula defendeu acordos comerciais para aumentar as exportações, ajuste financeiro e investimentos estatais para evitar a recessão e o desemprego.

Fernando Lugo, do Paraguai, em discurso não tão claro, falou em promoção das potencialidades da América Latina, em integração de nações e não de comércio, saudando o FSM como a origem e o difusor de idéias e propostas que ajudaram a levá-lo à presidência de seu país em 2008, derrotando um regime autoritário que já durava 60 anos.

Lula reconheceu ter “divergências” com seus colegas, mas se referia a disputas concretas como a nacionalização do petróleo e gás na Bolívia, que afetou investimentos da estatal brasileira Petrobras, e a reivindicação paraguaia de melhor remuneração para a energia da central hidrelétrica de Itaipu, compartilhada entre Brasil e Paraguai.

Lugo foi mais diplomático na presença de Lula, nesta ocasião, do que em um encontro anterior dos quatro presidentes anticapitalistas, organizado pela Via Campesina, que não convidou o presidente brasileiro ao “diálogo” entre os promotores e simpatizantes da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), encabeçada por Chávez. Entre os bolivarianos Lugo disse que “não descansaremos em paz, e nossa alma não descansará, enquanto não atingirmos este objetivo”, referindo-se a um preço melhor e à “livre disponibilidade” da energia de Itaipu, que o Paraguai vende ao Brasil

O Brasil também enfrentou atritos diplomáticos, já superados,com o Equador, por conta da expulsão de una empresa privada brasileira por supostas irregularidades na construção de una central hidroelétrica equatoriana.

Lula destacou a boa convivência com seus colegas e a solução de disputas no “jogo da verdade” das negociações. Porém, se mantém distante da ALBA e da visão que identifica uma “crise do capitalismo” nas atuais crises financeira, ambiental e energética que o mundo enfrenta.

Em seu discurso, diante de dez mil pessoas que se apertavam no centro de exposições Hangar, o presidente brasileiro acusou os banqueiros e a especulação desenfreada de provocarem a crise financeira. A regulação dos bancos e uma “nova ordem econômica internacional” são suas receitas.

Anunciou grandes investimentos da Petrobras e um programa de construção de 500 mil moradias este ano para evitar mais desemprego. O Estado ampliará seus investimentos e a participação na economia, porque “aqui o pobre não pagará pela crise”, sustentou o presidente. Lula aposta nos investimentos públicos para espantar a crise que ameaça se instalar nas economias da região. “Nossos países foram obrigado a fazer ajustes fiscais e de redução do Estado”, disse, afirmando que agora, com a quebra dos bancos e das empresas, é o Estado que tem de salvar a todos.

Lamentou que a Rodada de Doha, de negociações da Organização Mundial de Comercio (OMC), tenha fracassado, porque “os países pobres, sobretudo a África”, ganhariam mais mercados para suas exportações. Recordou inclusive ter recomendado ao ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que salvasse Doha e portanto também sua biografia.

O livre comércio e a OMC não contam com simpatias entre seus colegas de esquerda. O presidente equatoriano Rafael Correa disse que o socialismo deste século “já existe”, e reconhece a supremacia do trabalho humano, defende a vida e o valor social dos ecossistemas, como a floresta amazônica, um pulmão do planeta. Os países amazônicos, ao contrário dos industrializados, que devastaram suas florestas, preservaram um ambiente de altíssimo valor, mas sem preço.

“O verdadeiro socialismo é feminista” e já está em construção, disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que afirmou ser o socialismo “o único caminho para salvar o planeta” e que “outro mundo está nascendo na América Latina” que, em décadas passadas, foi o “laboratório que levou a receita do capitalismo neoliberal mais a fundo que outras regiões”. Identificou uma “onda revolucionária” na região.

“Se uma alternativa não for construída, o capitalismo destruirá o mundo”, sentenciou Evo Morales, para propor quatro campanhas mundiais, uma por “justiça e paz” para que este seja o século do “fim das guerras imperiais”, outra por uma nova ordem econômica de “complementaridade entre nações”. A terceira campanha teria por finalidade “salvar a Mãe Terra” do capitalismo e seus padrões de consumo.

Um “modelo alternativo já existe na América Latina” e poderá avançar muito com a integração regional, que já tem instrumentos financeiros, como o Banco do Sul, e um possível marco institucional, com a Organização dos Estados Latino-Americanos e do Caribe. Esta organização teve a fundação aprovada na Cúpula Regional de dezembro, em Salvador, Brasil, disse Rafael Correa.

Mario Osava

El premiado Chizuo Osava, más conocido como Mario Osava, es corresponsal de IPS desde 1978 y encargado de la corresponsalía en Brasil desde 1980. Cubrió hechos y procesos en todas partes de ese país y últimamente se dedica a rastrear los efectos de los grandes proyectos de infraestructura que reflejan opciones de desarrollo y de integración en América Latina. Es miembro de consejos o asambleas de socios de varias organizaciones no gubernamentales, como el Instituto Brasileño de Análisis Sociales y Económicos (Ibase), el Instituto Fazer Brasil y la Agencia de Noticias de los Derechos de la Infancia (ANDI). Aunque tomó algunos cursos de periodismo en 1964 y 1965, y de filosofía en 1967, él se considera un autodidacto formado a través de lecturas, militancia política y la experiencia de haber residido en varios países de diferentes continentes. Empezó a trabajar en IPS en 1978, en Lisboa, donde escribió también para la edición portuguesa de Cuadernos del Tercer Mundo. De vuelta en Brasil, estuvo algunos meses en el diario O Globo, de Río de Janeiro, en 1980, antes de asumir la corresponsalía de IPS. También se desempeñó como bancario, promotor de desarrollo comunitario en "favelas" (tugurios) de São Paulo, docente de cursos para el ingreso a la universidad en su país, asistente de producción de filmes en Portugal y asesor partidario en Angola. Síguelo en Twitter.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *