FÓRUM SOCIAL MUNDIAL: Terra Viva visita Terra Firme

BELÉM, 02/02/2009 – -TerraViva.- A água encanada, que se limitava a poucas horas durante as manhãs, agora chega o dia todo e a policia triplicou seu efetivo local, reduzindo a violência, mas os moradores de Terra Firme não alimentam esperanças de que essas melhorias permaneçam depois do Fórum Social Mundial (FSM). Os 100 mil habitantes do bairro situado ao lado das universidades que acolhem a maioria das atividades do FSM foram beneficiados também pela pavimentação das ruas e pelo fechamento dos bares ás 22 horas, medidas que o governo local buscou realizar para melhorar as condições do encontro mundial da sociedade civil em Belém, capital do Pará.

“Pude inaugurar o chuveiro que comprei há dez anos”, sem uso por falta de água, contou Maria do Pilar Pantoja, funcionária de uma escola para surdos. Passada essa semana do Fórum, os banhos com baldes voltarão, em sua convicção.

Mas a insegurança é o principal problema do bairro, dizem os moradores. “Fui assaltado onze vezes nesta padaria”, assinala Pedro Veras, que tem o negócio há cinco anos e pensa em instalar grades nas portas, como fizeram quase todos os comerciantes locais, para reduzir os riscos.

“Acabam de assaltar uma senhora aqui”, a cem metros da porta da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), informou ao Terra Viva Antônio Marinho, mecânico que disse ter perdido 70% de seus clientes ao mudar sua oficina de outro bairro para Terra Firme, onde vive há 30 anos. As pessoas tëm medo de entrar no bairro, por causa da sua “má imagem de lugar violento”.

Essa imagem faz também com que muitos taxistas se neguem a levar passageiros às estreitas ruas do bairro, deixando-os na praça onde está a polícia, comentou Nilo Almeida, que trabalha com seu táxi há 16 anos.

A Polícia Militar trouxe muitos policiais do interior para triplicar os efetivos do batalhão que atua nos bairros próximos às universidades, a partir de agosto do ano passado, com novos equipamentos e veículos, segundo o tenente Rogério Pereira. É natural que os transferidos voltem às suas localidades, mas o comando pretende manter o reforço policial no local, assegurou.

O batalhão é recordista em apreensão de armas no Pará, somando 298 no último ano e cerca de cem este mês. A queda na violência é reconhecida pela população, destacou Pereira. Seus policiais fazem cumprir a proibição de que os bares funcionem depois das 22 horas, adotada às vésperas do FSM e que moradores querem que seja permanente, porque também ajuda a baixar a criminalidade.

Mas seria a morte do bar de Nei Vera Cruz, que antes fechava às duas horas da madrugada. Seus ganhos, de cerca de R$ 200, diários agora não alcançam “nem R$ 50”, lamentou. É um negócio de risco, já fui assaltado duas vezes, mas se faz “impossível” se for mantido este horário de fechamento. Não imagina alternativas para a atividade que exerce há dois anos, no que era a garagem de sua casa, quando não pôde continuar com seu trabalho de pintor de automóveis por problemas na coluna vertebral.

A maior presença policial reduziu a tensão no bairro, que registrou dez assassinatos desde dezembro, nas contas de Vera Cruz. Mas ele tampouco acredita que prossiga o esforço motivado pelo FSM. Antonio Valdecir, recepcionista na UFRA, teme que a violência volte a aumentar, depois que o reforço policial se for, porque os criminosos voltarão com maior sede após este período de relativa inatividade.

Visão mais otimista têm as jovens Larissa Pantoja e Estefani Silva, ambas concluindo o ensino médio. O FSM impulsionou o turismo em Belém, ampliou a consciência ambiental e tratou da defesa da Amazônia, destacou a primeira. Em suas idas diárias às universidades onde aconteceu o Fórum, no entanto, participou de um único debate sobre meio ambiente, do qual disse ter compreendido muito pouco. Mas é bom que haja o debate “diversificado” sobre os problemas do mundo e da Amazônia, observou Silva. (IPS/ TerraViva)

Mario Osava

El premiado Chizuo Osava, más conocido como Mario Osava, es corresponsal de IPS desde 1978 y encargado de la corresponsalía en Brasil desde 1980. Cubrió hechos y procesos en todas partes de ese país y últimamente se dedica a rastrear los efectos de los grandes proyectos de infraestructura que reflejan opciones de desarrollo y de integración en América Latina. Es miembro de consejos o asambleas de socios de varias organizaciones no gubernamentales, como el Instituto Brasileño de Análisis Sociales y Económicos (Ibase), el Instituto Fazer Brasil y la Agencia de Noticias de los Derechos de la Infancia (ANDI). Aunque tomó algunos cursos de periodismo en 1964 y 1965, y de filosofía en 1967, él se considera un autodidacto formado a través de lecturas, militancia política y la experiencia de haber residido en varios países de diferentes continentes. Empezó a trabajar en IPS en 1978, en Lisboa, donde escribió también para la edición portuguesa de Cuadernos del Tercer Mundo. De vuelta en Brasil, estuvo algunos meses en el diario O Globo, de Río de Janeiro, en 1980, antes de asumir la corresponsalía de IPS. También se desempeñó como bancario, promotor de desarrollo comunitario en "favelas" (tugurios) de São Paulo, docente de cursos para el ingreso a la universidad en su país, asistente de producción de filmes en Portugal y asesor partidario en Angola. Síguelo en Twitter.

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