Washington, 27/04/2009 – A crise econômica mundial criou uma “emergência” que coloca em risco o cumprimento de alguns dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em muitos países, segundo alerta do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional As duas instituições divulgaram um informe a respeito na véspera de sal reunião semestral conjunta em Washington. As metas, fixadas em 2000 para serem alcançadas até 2015, estão em grave risco especialmente na África subsaariana e na Ásia meridional. As regiões mais pobres do mundo. O Banco e o FMI calcularam crescimento econômico de 1,5% para todo o mundo em desenvolvimento após essa não, mas entre 55 milhões e 90 milhões de habitantes desses países ficarão submersos na miséria.
O informe de quase 300 páginas, intitulado “Informe sobre acompanhamento mundial 2009: uma emergência de desenvolvimento”, prevê que a renda por habitante cairá em meia centena de países, na maioria africanos. “Os números aumentarão se a crise se aprofundar e o crescimento das nações em desenvolvimento fraquejar ainda mais”, alerta o estudo. Na África subsaariana e na Ásia meridional, onde a pobreza é maior, a desaceleração da produção “elimina, essencialmente, as perspectivas anteriores à crise de uma continuidade na redução da pobreza para 2009”. Isso teria um impacto grave e duradouro nos setores da educação e saúde, e somaria entre 200 mil e 400 mil mortes anuais de menores de 5 anos às atuais, entre este ano e 2015, segundo o informe.
“Embora a recessão agora seja sentida com mais força nas economias avançadas, as condições nos países em desenvolvimento estão se deteriorando dramaticamente, infelizmente”, disse na sexta-feira aos jornalistas o vice-diretor gerente do FMI, John Lipsky. “Com recessões simultâneas atingindo todas as grandes regiões, a possibilidade de uma recuperação dolorosamente lenta é muito real, o que faz da luta contra a pobreza um desafio mais sério e mais urgente”, acrescentou. O informe foi divulgado no contexto da conferência semestral conjunta do Banco e do FMI, que reuniu no final de semana em Washington os ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais de todo o mundo.
Espera-se que as duas instituições, muito questionadas por organizações internacionais da sociedade civil, cumpram missões de importância nas ações contra a crise. No começo deste mês, a cúpula do Grupo dos 20, que reúne economias emergentes e industrializadas, acordou entregar ao FMI US$ 750 bilhões para que ajude com créditos os países em desenvolvimento. o G-20 também apoiou um aumento dos empréstimos dos bancos multilaterais de desenvolvimento, incluindo o Banco Mundial, de US$ 100 bilhões anuais nos próximos três anos. Também apoiou os planos do Banco de elevar os empréstimos para infra-estrutura, pequenas e médias empresas e manutenção de redes de segurança social.
A instituição anunciou na sexta-feira que vai triplicar seus créditos voltados aos sistemas de saúde, para US$ 3,1 bilhões, e os destinados à educação, para US$ 4,1 bilhões. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio incluem reduzir pela metade até 2015 a proporção da população pobre e faminta, conseguir educação primária universal, reduzir a mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, promover a igualdade de gênero e reverter a propagação da Aids e de outras doenças.
Na primeira metade desta década foram alcançados avanços substanciais rumo a essas metas, mas o impulso foi perdido por vários fatores. Os países ricos não cumpriram seus compromissos de ajuda ao desenvolvimento. Desde 2006, as nações pobres que não produzem petróleo foram afetadas pelo aumento de preços do combustível e dos lamentos. Depois, em setembro passado, houve a crise financeira. “Para os países pobres, isto é crise sobre crise”, diz o informe. “O triplo risco das crises de alimentos, combustíveis e finanças empurram muitos países pobres para uma zona de perigos, impondo-lhes custos humanos cada vez piores e minguadas expectativas de desenvolvimento”.
Antes da crise alimentar em 2007, as agências internacionais calcularam os famintos crônicos do mundo em desenvolvimento em 850 milhões. O número subiu para 960 milhões até 2008, e se prevê que no próximo ano serão mais de um bilhão. A meta da educação primária universal está ao alcance, mas a combinação de crise torna improvável o cumprimento dos objetivos em saúde, como a redução de mortes materna e infantil. IPS/Envolverde

