DIREITOS HUMANOS-ONU: Desanimadora votação

Nações Unidas, 11/05/2009 – Quando a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas eleger amanhã 18 países para serem integrados ao Conselho de Direitos Humanos, quase todos os candidatos conseguirão seu objetivo sem maiores esforços, devido à falta de competição. Por se basear em critérios geográficos, a composição do Conselho de direitos Humanos da ONU, de 47 membros e com sede em Genebra, três de cada cinco grupos regionais apresentarão tantos candidatos quanto os números de vagas. Isso “elimina toda competição significativa e o escrutínio comparativo dos candidatos”, afirmaram em conjunto cerca de 30 organizações não-governamentais internacionais.

Cinco países do grupo asiático se apresentam para as cinco vagas: China, Arábia Saudita, Bangladesh, Quirguistão e Jordânia. Então, todos têm a vitória assegurada. Pelo grupo da América Latina e do Caribe, há três candidatos para três vagas: Cuba, México e Uruguai. No grupo Europa Ocidental e Outros Estados, os três candidatos são Bélgica, Noruega e Estados Unidos. Há três postos livres. A Nova Zelândia, integrante deste grupo, era candidata, mas se retirou depois que os Estados Unidos apresentaram sua candidatura.

“A falta de competição cria um mau precedente. Corre-se o risco de uma volta às aprovações e autorizações regionais que permitiram a Zimbab e ao Sudão integraram a Comissão de Direitos Humanos, antecessora do Conselho”, disse à IPS Elizabeth Sepper, da Human Rights Watch. Este ano, os países do Ocidente tomaram o caminho mais fácil, e isso se voltará contra eles, afirmou. “Deixando de competir, os países da Europa ocidental enfraquecem sua própria capacidade de incentivar as nações respeitosas dos direitos humanos a competirem com regimes abusivos, consideração que será importante no próximo ano, quando o Irã se candidatar”, acrescentou Sepper.

O diretor-executivo do Fórum Asiático para os Direitos Humanos e o Desenvolvimento, Yap Swee Seng, disse que a falta de disputa sugere que as regiões voltam a “colocar a política e o comércio de votos à frente dos direitos humanos e de um Conselho eficaz”. Dokhi Fassihian, diretor-executivo do Democracy Coalition Project, considerou “especialmente decepcionante o fato der, pela primeira vez, as democracias históricas do grupo ocidental terem escolhido apresentar-se a uma eleição não competitiva”. Estas três instituições integram a rede de organizações não-governamentais Coalizão Para Um Efetivo Conselho dos Direitos Humanos.

Cada candidato deve obter a maioria absoluta – 97 votos entre 192 membros – na Assembléia Geral para integra o Conselho. No momento, apenas em dois grupos regionais há certa competição. Pela África são cinco vagas e seis candidatos: Camarões, Djibuti, Quênia, Mauricio, Nigéria e Senegal. Mas, seguramente, um deles irá se retirar. A única competição provável será no grupo da Europa oriental, onde Hungria, Rússia e Azerbaijão disputam duas vagas.

Em uma carta aos países da ONU, a coalizão de organizações não-governamentais expressou sua preocupação pelos maus antecedentes em matéria de direitos humanos de pelo menos cinco candidatos: Azerbaijão, China, Cuba, Rússia e Arábia Saudita. A coalizão, que também inclui a Freedom House e a Federação Internacional para os Direitos Humanos, trabalha para que não se vote nestes países. Um informe do Conselho sobre o estado dos direitos humanos em Cuba divulgado em fevereiro reflete o sólido apoio de uma ampla maioria de países a Havana, mas, também apresenta uma nota de objeções de um punhado de governos. Cuba aceitou 60 das 89 recomendações contidas no informe.

Consultada sobre a resposta dos países às campanhas das organizações de direitos humanos contra candidatos ao Conselho, Sepper disse à IPS que a pressão conseguiu deixar de fora desse órgão a Bielorússia em 2007 e Sri Lanka em 2008. Em 2007, quando a Bielorússia se candidatou, Bósnia-Herzegovina apresentou-se com menos de duas semanas de antecedência e acabou eleita. Esse ano, China, Cuba e Arábia Saudita se apresentam em grupos não competitivos. “Mas as nações também têm a opção de não votar”, disse Sepper.

Os países determinam seu voto com base na política e não nos antecedentes dos candidatos em matéria de direitos humanos, acrescentou a ativista da HRW. Os países preocupados com os direitos humanos não deveriam votar em regimes abusivos, mesmo não havendo candidatos alternativos, acrescentou Sepper. “Se a comunidade internacional recompensa China, Cuba e Arábia Saudita com uma alta votação, países como Sudão, Zimbábue e Irã considerarão como um sinal para se candidatarem” sem competição, ressaltou. IPS/Envolverde

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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