ALEMANHA: Negócio de armas prospera em silêncio

Berlim, 19/06/2009 – Pacifistas, organizações religiosas e partidos de oposição criticam o governo da Alemanha por permitir que este país se converta no terceiro maior fornecedor mundial de armas. Entretanto, uma fonte da indústria bélica garante que a política de exportação de armamento deste país é das mais restritivas do mundo. No ataque de Israel contra o território palestino de Gaza, de 27 de dezembro 19 de janeiro, o exercito israelense empregou aviões caça F-16, helicópteros de combate Apache e tanques Merkava. Nenhum desses aparelhos foi montado na Alemanha. Mas, todos foram construídos com componentes fabricados neste país e enviados a empresas no estrangeiro para sua montagem.

Essa prática se torna cada vez mais comum, especialmente na União Européia. “Não sabemos, por exemplo, a quem as empresas francesas vendem os produtos acabados”, disse à IPS Marc von Boemcken, pesquisador do instituto de estudos Bonn International Centre for Conversion, dedicado a promover a paz e o desarmamento. “Ninguém pode dizer se os componentes alemães são usados em conflitos bélicos ou não, apesar de ser expressamente proibido exportar armamentos para regiões em conflito. Porém, o governo não parece importar-se”, disse von Boemcken. As firmas alemãs precisam da aprovação do governo para vender armamentos ou componentes, veículos e outros produtos de uso militar.

A maior parte das armas alemãs é vendida aos aliados desse país, em especial Grécia e Turquia, mas uma quantidade significativa vai para “terceiros” países que não pertencem à UE nem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Nos princípios políticos de 2000, o governo alemão basicamente excluiu a exportação de armas para terceiros países, a menos que interesses de segurança e de política externa justifiquem uma autorização especial”, acrescentou von Boemcken. O envio de 112 tanques Leopard-2 ao Chile e de 15 Fuchs de reconhecimento aos Emirados Árabes Unidos em 2007 e 2008 não parece atender a nenhum interesse da Alemanha. “Há uma discrepância entre os princípios políticos e a prática permissiva do governo”, destacou o especialista.

As exportações alemãs de armamentos convencionais, como submarinos, tanques ou helicópteros, aumentaram 70% entre 1999 e 2003 e 2004 e 2008, segundo o Stockholm International Peace Research Institute (Sipri), com sede na Suécia e especializado em conflitos e assuntos de segurança. A participação da Alemanha no mercado de armamento aumentou de 7% para 10%, superada por Rússia e Estados Unidos com 25% e 31%, respectivamente. A venda de armas de empresas alemãs subiu para € 8,7 bilhões (cerca de US$ 12 bilhões) entre 2004 e 2008, segundo o Sipri.

Se forem somadas as armas pequenas, os componentes de motores e os veículos e armamento pesado, as exportações aprovadas pelo governo chegaram a € 8, 8 bilhões (mais de US$ 12,2 bilhões) em 2007, últimos dados disponíveis do Ministério da Economia, enquanto em 2006 foram € 7,7 bilhões (mais de US$ 10,6 bilhões). IPS/Envolverde

Wolfgang Kerler

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *