Roma, 25/06/2009 – Pela primeira vez em 15 anos, uma Organização das Nações Unidas, a Fundação Internacional de Mulheres na Mídia (IWMF), tenta medir a igualdade de gênero na imprensa mundial.
Em um artigo anterior sobre o mesmo tema, a IPS descobriu que a representação das mulheres nos mais altos escalões de poder dos meios de comunicação é muito escassa, mesmo no melhor dos casos. Por exemplo, na Suécia, três em cada quatro líderes na indústria da mídia são homens, segundo o informe de 2008 “O jornalismo de gênero”, elaborado por Monika Djerf-Pierre. A IPS entrevistou a coordenadora do informe e também diretora de pesquisas da IWMF, Elisa Muñoz, por telefone e correio eletrônico desde Washington.
IPS- Quais são as premissas da pesquisa?
Elisa Muñoz – A IWMF realiza o mais completo estudo internacional jamais feito sobre a situação das mulheres na mídia. A pesquisa tomou como amostra entre 500 e 600 meios de comunicação de 66 países (sem contar os cibernéticos, as revistas e as agências noticiosas). Um estudo prévio, intitulado “Uma historia inacabada: patrões de gênero no emprego na mídia”, foi publicado em 1995 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foi escrito por Margaret Gallagher, que agora está em nossa equipe especial de pesquisa.
Realizado em 43 países, o estudo de Gallagher concluiu que, na maioria das nações, a representação das mulheres nas noticias e demais ramos da mídia variava entre um pico de 30% e um único digito, menos em alguns países nórdicos, onde as mulheres estavam ombro a ombro com os homens. Em nosso próprio estudo, refinamos a metodologia (por exemplo, as definições das categorias ocupacionais) e nivelamos a representação geográfica.
IPS- Em que etapa estão agora?
EM- O Informe global adota um enfoque de ciência social em sua metodologia. A meta é ter uma mostra representativa de nações de modo que todas as regiões estejam representadas, e que tanto o número de países como o de meios de comunicação estudados sejam suficientes para permitir que as conclusões se generalizam mundialmente. O centro da análise é a mídia impressa. As variáveis de preocupação são o status ocupacional, salário, reportagens encomendadas e oportunidades de capacitação e promoção das mulheres, bem com outras políticas da companhia.
As mostras de empresas por nação foram determinadas por um laborioso processo que implicou coletar e informação sobre jornais, rádios e emissoras de televisão de cada país. Para isto usamos o modelo do GMMP (Projeto Global de Supervisão da Mídia) para determinar a densidade de empresas de comunicação como guia, mas nosso enfoque particular modificou isto combinando aos meios eletrônicos e impressos.
Elaboramos um documento de 12 paginas com 52 perguntas. Usamos como modelo básico um questionário desenvolvido por Gender Links (organização africana comprometida com a igualdade de gênero) para em seguida desenvolver um instrumento muito mais extenso. Tentamos manter informação similar à do questionário de Links para garantir que seus dados foram comparáveis com pelo menos 75% do questionário da IWMF.
IPS- Como se coordena tudo isto?
EM- A administração do projeto é organizada através de um modelo descentralizado. A pesquisadora principal, Carolyn Byerly, desenvolveu um questionário e materiais de instrução para a coleta de dados, que foi feita através de 19 coordenadores regionais, cada um atendendo um grupo de nações. Seu papel é selecionar, contratar, capacitar e supervisionar pesquisadores, propondo meios de comunicação específicos a serem estudados (sujeito a aprovação da IWMF), assegurar que toda a informação seja entregue a tempo ao IWMF e cumprir uma série de tarefas administrativas relacionadas.
A pesquisadora principal estabeleceu certas rotinas administrativas que permitem que a coordenação e a comunicação sejam regulares. Toda informação deve ser processada, analisada e escrita na sede da IWMF, sob direção da investigadora principal. Os dados são coletados na África orienta, setentrional, austral e ocidental; nas Américas do Norte e Latina; no Caribe; na Ásia e no sudeste asiático; na Oceania; na Europa oriental, ocidental e nórdica, e no Oriente Médio. Atualmente, realizamos entrevistas de campo. O pesquisadores enviam sua informação tão logo a obtêm. Não teremos conclusões preliminares até outubro.
IPS- Em uma entrevista anterior concedida à IPS, Jane Ransom, ex-diretora-executiva daUWMF disse que mesmo esperando que o informe mostre “certas áreas de progresso” não se surpreenderia “se as tendências mostrarem também uma paralisação dos progressos em algumas áreas importantes”. Concorda com isso?
EM- Creio que encontraremos mais mulheres na profissão de jornalistas no mundo. Mas, provavelmente, continuaremos descobrindo que as mulheres estão sub-representadas nos altos níveis de administração. IPS/Envolverde


