AGRICULTURA: Queda alarmante dos investimentos

Londres, 01/07/2009 – Os líderes do Grupo dos Oito países mais poderosos deverão analisar em sua próxima reunião, este mês, a crise causada pela queda dos investimentos mundiais na agricultura, informou a organização Oxfam. Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo sofrem fome, e os preços dos alimentos começaram a aumentar novamente, ameaçando muitos pobres, alerta o informe dessa organização. “Os investimentos globais totais, em assistência bilateral e multilateral, diminuíram 75% desde a década de 80”, explicou à IPS Emily Alpert, autora do informe, em uma entrevista desde Hong Kong.

O subfinanciamento ao longo das décadas aumentou a vulnerabilidade de muitos às sacudidas climáticas e do mercado, disse Alpert, cobrando uma ação imediata. “Os investimentos em agricultura trazem pouco lucro (no curto prazo). Suas recompensas podem demorar muito. Os investimentos de hoje não trarão os resultados desejados de imediato”, reconheceu. O informe intitulado “Investir em agricultores pobres recompensa: repensando o investimento na agricultura”, divulgado ontem, diz que dois terços dos pobres rurais do mundo são afetados pelos escassos recursos destinados ao setor.

A Oxfam exortou os líderes do G-8, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia, a aumentarem a ajuda agrícola a, pelo menos, os níveis de 1980, de US$ 20 bilhões ao ano, contra os atuais US$ 5 bilhões anuais. “Os investimentos nacionais seguiram a tendência de baixa, menos em países ricos e em um punhado de nações em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia”, disse Alpert à IPS. Entre os ricos, o informe diz que, somente em 2007, os investimentos agrícolas da um foram de US$ 130 bilhões, e os dos Estados Unidos somaram US$ 41 bilhões.

É necessário “um substancial aumento dos investimentos agrícolas, em comparação com os atuais investimentos nas nações ricas ou dos bilhões de dólares gastos mundialmente este ano em resgate financeiro”, acrescentou Alpert em uma declaração. “Fortalecer os setores agrícolas dos países em desenvolvimento é uma parte fundamental de uma solução de longo prazo para as crises alimentar, financeira e climática do mundo”, afirmou. O informe da Oxfam exorta doadores, governos nacionais e investidores privados a destinarem mais fundos, e mais sabiamente, na agricultura do Sul, dirigindo-os às pessoas, particularmente às mulheres, para estimular e apoiar o capital social e do conhecimento, e com a finalidade de que adotem métodos de cultivo ambientalmente sustentáveis.

“As mulheres são fundamentais para a segurança alimentar”, disse Alpert. “Investir equitativamente nas necessidades das mulheres e construir sua capacidade para envolver-se produtivamente na agricultura deve estar à frente de qualquer solução para melhorar o crescimento agrícola e reduzir a pobreza”. A Oxfam assinalou que o financiamento dos doadores deve ser transparente e unido, e que a ajuda tem de adequar-se às condições especificas dos lugares, permitindo a participação dos setores envolvidos e atendendo suas demandas.

Deve-se dar especial atenção a agricultores e pecuaristas em terras marginalizadas, que, em geral, trabalham em ambientes difíceis e isolados com acesso inadequado aos mercados, aos serviços, a créditos e insumos, diz o informe. “Esses agricultores e pecuaristas levam a carga de conservar a biodiversidade de cultivos e de administrar alguns dos solos mais frágeis do mundo, e podem ser aliados-chave na luta contra a mudança climática”, acrescenta. Alpert disse que, apesar dos baixos ganhos do investimento em áreas marginalizadas, o principal beneficio é reduzir a pobreza.

“Um setor agrícola atua como multiplicador nas economias locais, permitindo, finalmente, que haja maiores salários e vibrantes mercados rurais, onde os agricultores e trabalhadores gastam seu lucro”, disse Alpert. “Já estamos vendo o impacto nos pobres do aumento de preços dos alimentos, o que em parte se deve à falta de investimentos na agricultura. Quanto mais aumenta a produtividade, mais alimento há para as pessoas, que gastem entre 50% e 80% de sua renda em comida”, acrescentou. IPS/Envolverde

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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