Washington, 24/07/2009 – A maioria do público mundial acredita que os governos de seus países não fazem esforços suficientes para atender a crise econômica, segundo pesquisa feita com um grupo diversificado de 22 nações e territórios. De todo modo, os resultados da pesquisa feita pelo WorldPublicOpinion.org, projeto do Programa de Atitudes Políticas Internacionais da Universidade de Maryland (EUA), não foram tão categóricos quanto à eficácia do protecionismo para minimizar a crise. Para a pesquisa foram ouvidas 18 mil pessoas em dois países americanos, seis europeus, quatro do Oriente Médio, dois africanos e cinco da Ásia meridional, oriental e do sudeste, além das regiões chinesas de Hong Kong e Maceu, e Taiwan, que Pequim considera província renegada.
Maiorias absolutas ou relativas de entrevistados de 20 dos 22 países e territórios analisados consideram que seus governos “não estão fazendo o suficiente” contra a crise. Entre os mais descontentes figuram Ucrânia (85%), Coréia do Sul (80%), Polônia (72%) e Quênia (71%). A média mundial foi de 56%, enquanto 15% disseram que seus governos “estão indo longe demais” e 25% que a resposta está correta (“está bem”).
Nos Estados Unidos, essa foi a resposta de 44% dos entrevistados, enquanto 31% consideraram que o governo “está indo longe demais” e um quarto afirmou que as ações oficiais contra a crise “estão bem”. Trinta e sete por cento dos ouvidos na Índia responderam que o governo de Manmohan Sing “está indo longe demais”. Os entrevistados mais satisfeitos com as políticas de seu governo diante da crise foram os da China? 63% responderam que “está bem”. Apenas 11% disseram que “está indo longe demais” e 20% que “não faz o suficiente’.
A pesquisa mostra uma amplo apoio (mais da metade em 17 dos 22 países e regiões) à proposta de que os governos “deveriam usar fundos públicos para ajudar grandes indústrias com problemas”. O maior apoio a esta resposta foi no Paquistão (77%), China (73%), Turquia (71%) e México (59%). Apenas em cinco nações menos da metade dos entrevistados apoiou a ajuda à indústria: nos Estados Unidos 70% foram contra a idéia. Este país foi, também, o único onde a maioria (52%) rejeitou a criação de um órgão regulador das finanças mundiais.
Em média, 49% dos entrevistados em nível mundial consideraram que as políticas econômicas norte-americanas contribuíram “muito” na origem da recessão mundial, porcentagem que cai para 42% quando se trata de atribuir responsabilidade aos seus próprios países. Quanto às barreiras comerciais temporárias, foram desaprovadas pela maioria dos entrevistas em países e territórios com forte exportação industrial (como China, Coréia do Sul, Hong Kong, Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha e Polônia), por medo de que represália por parte dos importadores.
Por outro lado, nove países (em geral com pouco valor agregado em suas exportações, como Nigéria, Egito e Turquia) houve maiorias de entrevistados que apoiaram políticas protecionistas temporárias para salvaguardar as indústrias nacionais.
A atribuição da culpa da crise aos Estados Unidos não surpreendeu Mark Weisbrot, codiretor do Centro para a Pesquisa em Políticas Econômicas, instituição acadêmica com sede em Washington. “Não creio que haja discussão sobre o lugar onde começou a crise. Há muito ressentimento. Esta crise foi criada pelos excessos financeiros dos Estados Unidos, e os países em desenvolvimento pagam a conta”, afirmou à IPS.
Em outros aspectos o público se mostrou no mesmo tom com a resposta de seus governos à crise, segundo Stephen Weber, do WorldPublicOpinion.org. é compreensível que o público de nações exportadoras se opõe à generalização de medidas protecionistas e que os países menos industrializados as apóiem, disse à IPS Tony Avirgan, do Instituto de Política Econômica, outro centro de estudos de Washington. Mas a pesquisa também mostra que as pessoas chegam a estas conclusões sem necessariamente para ter acesso ou compreensão a estatísticas econômicas complexas. Porém, embora não vejam os números, “vêem suas famílias e vizinhos perdendo seus empregos”, explicou Avirgan.
Um estudo da Organização Internacional do Trabalho prevê que este ano perderão o emprego 51 milhões de pessoas. Avirgan considera, portanto, que o desejo de maior intervenção estatal é justificado. “O fato é que os governo não fizeram o suficiente e que muitos esperam que os Estados Unidos se recuperem para voltar aos velhos bons tempos. E para o resto do mundo, esperar é um erro”. IPS/Envolverde

