AGRICULTURA-INDIA: Cabo aéreo muda vida de agricultores

Uttarakhand, Índia, 26/08/2009 – Um cabo aéreo facilita a vida de muitos agricultores neste Estado do noroeste da Índia, onde o território montanhoso e a falta de uma boa rede viária são um problema para o transporte dos produtos até os mercados. Há décadas agricultores com Chunnila, do povoado de Teenya, no distrito de Uttarkashi, transportam pesadas cargas em suas costas por esse difícil terreno do Estado de Uttarakhand, onde a agricultura é o principal meio de vida. Mas tudo isso mudou drasticamente coma instalação de um cabo aéreo que transporta os produtos desde as áreas altas para outras acessíveis por estrada, o que reduziu os custos com transporte para menos da metade e facilitou muito o trabalho.

“O cabo aéreo é vital para nós. Agora gastamos apenas US$ 0,30 por um saco de batatas, em comparação com os US$ 0,82 que gastávamos antes”, explicou Chunnilal, cuja aldeia fica em grande altitude. Este produtor de batatas afirmou que “não é possível carregar os sacos manualmente desde essa altitude, por isso antes alugava mulas para esse trabalho, e além de caro as batatas eram danificadas durante a viagem”. O transporte por cabo aéreo mantém a qualidade das frutas e verduras, disse Jananad, da localidade de Pauladi. “Antes usava mulas para transportar a ervilha que cultivo, mas os animais danificavam grande parte da colheita. Por isso os agricultores deixaram de cultivar ervilha. Mas, agora com o cabo aéreo voltaram a cultivar”, acrescentou.

O governo do Estado prometeu reiteradas vezes instalar cabos aéreos para os agricultores das alturas, mas as promessas nunca foram cumpridas. Então, uma organização não-governamental decidiu assumir o assunto. O Himalayan Action Research Centre (HARC), com sede na capital estadual, Dehradun, ajudou os produtores de Uttarkash a criar uma federação de agricultores para fomentar a produção planejada e sistemas de mercado sólidos. Em 2007, como parte de seu projeto de incentivo à tecnologia rural, o HARC instalou um cabo aéreo na região de Dhari Kafnaul para facilitar o transporte dos produtos. A aldeia foi escolhida por ser a mais remota do distrito e porque a agricultura é o meio de vida dos moradores, onde cada família possui um hectare de terra.

“O custo total da instalação e construção do cabo aéreo chegou a US$ 14 mil”, informou Chhaya Kunwar, coordenador de programas do HARC. O trabalho teve apoio financeiro do Principal Assessor Científico do Governo da Índia, de Nova Délhi, através do Grupo de Ação de Tecnologia Rural, em Deharadun, e com o apoio técnico do Departamento de Engenharia Industrial e Mecânica do Instituto de Tecnologia Indiana em Roorkee. O cabo aéreo além de melhorar a economia dos produtores também economiza energia e não prejudica o meio ambiente. Seu impacto ambiental é muito baixo em comparação com outros meios de transporte, como estradas ou trens.

A tecnologia se baseia no uso otimizado da força gravitacional com ausência de toda força externa, e o cabo aéreo consiste em dois carrinhos que rodam sobre trilhos de apoio, explicou Chhaya. Bachni Devi, de Teenya, se maravilha com a economia de tempo com o cabo aéreo. “Pagávamos um dólar para alugar mulas que transportavam 80 quilos de produtos, e demorávamos três horas para chegar à estrada”, recorda. “Agora podemos transportar pelo cabo aéreo 40 quintais (um quintal equivale a cem quilos) de produtos em menos de uma hora e ao custo de apenas US$ 0,41 para cada 80 quilos”.

Bachni, como outros de sua aldeia, cultiva ervilha e batata. Uma boa parte de seus ganhos se destinavam ao transporte do adubo de esterco desde o povoado até o campo. “Isto me custava cerca de US$ 8 por quintal, mas com o cabo aéreo agora só pago um dólar para cada 50 quilos”, disse com alegria. “No passado, não podíamos distribuir bem os fertilizantes no campo devido ao alto custo do transporte, mas graças ao cabo aéreo agora tenho mais abono a preços razoáveis”, acrescentou, por sua vez, Sarojini Devi, da aldeia de Manad. Mais de duas mil famílias investiram nessa tecnologia. Os agricultores produzem cerca de mil toneladas de maçãs e batatas por ano. Mahendra Singh Kunwar, secretária do HARC, informou que no primeiro ano foram transportadas 4.800 caixas de maçãs pelo cabo aéreo, e 5.200 caixas no ano seguinte.

A federação dos agricultores cobra US$ 0,10 por cartão para pagar o salário das duas pessoas que operam e fazem a manutenção do cabo aéreo, disse Kunwar. O sucesso do empreendimento levou o governo estadual a anunciar que instalará cabo aéreo em outros dsitritos. O doutor Rajendra PRasad Dobhal, diretor do Conselho de Ciências e Tecnologia de Uttarakhand, disse que a entidade prevê instalar a tecnologia no distrito de Chamoli, fronteiriço com a China. “O acesso dos agricultores a essa tecnologia permite o cultivo de produtos de qualidade, por isso queremos incentivá-la nas áreas mais remotas de Uttarakhand”, afirmou.

(Envolverde/IPS)

Nitin Jugran

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