MULHERES-ONU: nova agência para as mulheres

Nova Yorque, 16/09/2009 – A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou a criação de uma nova agência para as mulheres, após anos adianto o assunto.

Charlotte Bunch - UN DPI Photo/Paulo Filgueiras

Charlotte Bunch - UN DPI Photo/Paulo Filgueiras

A histórica resolução adotada segunda-feira pelo órgão máximo de decisão da ONU, de 192 membros, dispõe a criação de uma entidade que concentre todas as atividades e todos os programas em favor da igualdade de gênero. Existem quatro organismos dedicados às mulheres: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), Escritório do Assessor Especial sobre Questões de Gênero, Divisão para o Progresso das Mulheres e Instituto Internacional de Pesquisa e Capacitação para o Progresso das Mulheres (Instraw). Porém, nenhum tem poder político nem orçamento estavam como outras agências das Nações Unidas.

A nova agência, cuja concretização está prevista para meados de 2010, será encabeçada por uma subsecretária-geral, o terceiro cargo em importância dentro da ONU, depois do secretário-geral e do secretário-geral-adjunto. Os órgãos dedicados às mulheres não são liderados por uma subsecretária-geral, ao contrário do Fundo das Nações Unidas para a Infância ( Unicef), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o escritório do Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur). A resolução “dá um forte apoio para que os quatro órgãos dedicados à igualdade de gênero se fundam em uma entidade composta com os mandatos existentes”.

A Assembléia Geral pediu ao secretário-geral, Ban Ki-moon que elabore uma proposta geral com detalhes do novo organismo, organograma, financiamento e formação da junta diretora que supervisionará suas atividades. “É um alívio que a Assembléia finalmente tenha tomado a decisão de criar uma nova entidade de gênero às vésperas do 15ª aniversario da conferência de mulheres de Pequim”, de 1995, disse Charlotte Bunch, diretora-executiva do Centro para a Liderança Global das Mulheres, da Universidade de Rutgers (estatal, dos EUA). “É uma grande vitória em matéria de direitos das mulheres e também para as organizações da sociedade civil que trabalharam duro durante anos para criar a nova agência”, acrescentou Bunch.

Por sua vez, a diretora da campanha de gênero da Oxfam, Daniela Rosche, aplaudiu a resolução, mas disse que “é deplorável a atitude de alguns membros que tentaram debilitar seu mandato ate o último minuto”. A existência de um novo organismo para as mulheres não servirá absolutamente de nada se os Estados-membros não definirem com clareza sua missão, acrescentou. As boas notícias são que a nova agência poderá racionalizar o processo de decisão e os programas vinculados aos direitos femininos em uma única entidade, disse Rosche.

“Não será uma peça a mais da pesada máquina burocrática da ONU. Existe e poderá ter consequências na vida das mulheres através da educação, organização e do poder”, disse Rosche. Toda referência ao seu mandato foi apagada da resolução finalmente aprovada, destacou. Mas, não é tarde para mudar as coisas. Necessita-se com urgência que o secretário-geral da ONU dirija o processo para não perder o impulso e para que a defesa dos direitos das mulheres tenha o apoio político que merece. A rápida designação de uma subsecretária-geral contribuirá para que sejam dados os passos necessários para que a agência efetivamente se concretize no ano que vem, acrescentou Rosche.

Uma coalizão de mais de 300 organizações não-governamentais que levou adiante a campanha por uma Reforma da Arquitetura de Igualdade de Gênero (GEAR) do sistema da ONU se mostrou encantada com o forte e unânime apoio dado pela Assembléia Geral à resolução. “Exortamos o secretário-geral a começar imediatamente o processo de busca da pessoa que ocupará a subsecretária-geral e levará adiante a consolidação das quatro entidades”, diz a declaração da GEAR.

“Esperamos que comece um processo de busca amplo e aberto para contar com uma subsecretária-geral e que a entidade possa estar operando para a Revisão da Conferência Mundial sobre a Mulher, Pequim +15, da Comissão sobre o Status da Mulher, que acontecerá em março de 2010”, destaca a declaração. A coalizão também disse que os Estados membros devem atender todos os assuntos importantes necessários para a nova agência funcionar, incluídos mecanismos de gerenciamento e controle. Os doadores devem se comprometer a fornecer uma quantia substancial de dinheiro, cerca de US$ 1 bilhão, para apoiar as atividades propostas e para que a entidade possa cumprir os objetivos dispostos pelos governos parte e pela ONU.

“A sociedade civil sempre teve um papel vital na defesa dos direitos femininos e exortamos o secretário-geral a assegurar sua participação, especialmente a de organizações de mulheres, nos processos locais, nacionais e regionais, inclusive na junta diretora”, acrescenta o comunicado da coalizão.

As mulheres esperaram muito tempo para ver cumprida a promessa desde o primeiro dia internacional dedicado a elas em 1975, passando pela adoção da Convenção sobre a Eliminação de Toda Forma de Discriminação contra a Mulher, de 1979, e as conferências mundiais de Nairóbi, em 1985, e de Pequim. A resolução da Assembléia Geral da ONU “é um passo muito importante que agora deverá se concretizar rapidamente”, conclui a coalizão de organizações da sociedade civil. IPS/Envolverde

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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