PAQUISTÃO: O Talibã perde popularidade

Peshawar, Paquistão, 12/01/2010 – “Não vamos ser intimidados por atos de covardia, e continuaremos expondo outros combatentes do movimento islâmico Talibã”, disse, furioso, o presidente do Clube da Imprensa de Peshawar (PPC), Shamin Shahid.

 - Ashfaq Yusufzai/IPS

- Ashfaq Yusufzai/IPS

Os assassinatos de jornalistas no Paquistão em 2009, e a possibilidade de estes atos continuarem neste ano, fortaleceram a resistência do público aos talibãs. No final do mês passado, um atacante suicida fez explodir a entrada do prédio do PPC, matando três pessoas e ferindo 22, no que foi o primeiro ataque direto contra jornalistas paquistaneses.

A União Federal Paquistanesa de Jornalistas (PFUJ), organização independente de profissionais de imprensa, condenou duramente o ataque. Imediatamente divulgou um comunicado dizendo que os terroristas mentiam ao afirmar que realizavam suas ações em nome da fé muçulmana. “O Islã é uma religião de paz, tranqüilidade, irmandade, enquanto o Talibã acredita em impor sua própria lei, apelando para o terrorismo para seus motivos ocultos”, disse à IPS o presidente da PFUJ, Shamsul Islam Naz.

Os últimos ataques provocaram ainda mais rejeição do público ao Talibã, disse o ministro-chefe da Província da Fronteira Nordeste (NWFP), Bashir Ahmed Bilour, em entrevista em seu escritório em Peshawar, capital da província. Os combatentes não têm nenhuma religião, seu único objetivo é semear pânico, acrescentou. Após serem desalojados do Afeganistão pelos Estados Unidos no final de 2001, os talibãs foram bem recebidos pela população nas paquistanesas Áreas Tribais Federalmente Administradas (Fata), onde encontraram refúgio.

Então, a população tinha muito respeito por eles, e os via como defensores do islã contra os Estados Unidos e seus aliados, explicou Rukhshanda Naz, ex-diretora residente da Fundação Aurat, organização que defende os direitos das mulheres no Paquistão. Por outro lado, hoje as pessoas denunciam às autoridades as atividades suspeitas de terrorismo, disse à IPS o ministro da Informação da NWFP, Mian Iftikhar Hussain. “Estamos obtendo uma resposta exemplar do público”, afirmou.

Por sua vez, o presidente da União Tribal de Jornalistas, Hasbanullah Khan, concordou que existe um retrocesso no apoio público ao Talibã. As pessoas, antes partidárias desse movimento, se deram conta de que estão erradas, afirmou. A mídia expõe os motivos reais dos talibãs, disse Bilour. “Escrevem duramente contra eles, expondo seus atos violentos que minaram mais a sua imagem e prepararão o caminho para a paz”, acrescentou.

Hussain destacou que em 2009 o governo eliminou os combatentes islâmicos de Swat, um dos 24 distritos da NWFP, graças ao apoio público. “Cerca de 3,5 milhões de moradores se ofereceram como voluntários para esvaziar a área e permitir uma operação militar em grande escala e se converteram em refugiados.”, afirmou. Naz, por sua vez, disse que as pessoas já não estão dispostas a dar abrigo aos talibãs. “Os talibãs ficaram loucos nas suas atividades, atacando civis inocentes, participando de seqüestros ao acaso e outros crimes”, acrescentou.

“Primeiro operavam sob o nome do Talibã. Agora são chamados combatentes, extorquistas. Os ataques a mesquitas, mercados, escolas, exercito e policia diminuíram a popularidade do Talibã’, afirmou Naz. Agora as pessoas se organizam em “lashkars”, milícias formadas por voluntários nas aldeias. Os homens patrulham as ruas e vigiam os combatentes islâmicos. Isto deu esperança à população de que este ano possa ser mais pacífico, disse Naz à IPS.

Segundo a Intermédia, organização sem fins lucrativos, o ano passado foi o mais sangrento para a imprensa paquistanesa. “Dos 10 jornalistas que morreram em 2009 por ataques de islâmicos, quatro foram assassinados em Punjab, três na NWFP e o restante nas FATA, no Baluchistão e em Islamabad”, disse o grupo em seu último informe divulgado dia 30 de dezembro. O documento acrescenta que houve 153 casos informados de ataques diretos contra a imprensa no ano passado, incluindo assassinatos, agressões, seqüestros, ameaças explícitas, censuras e ataques a propriedades da mídia. Punjab teve o mais alto número de jornalistas vítimas de ataques de combatentes, com 36, dos quais 12 ficaram mutilados. IPS/Envolverde

Ashfaq Yusufzai

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