DESARMAMENTO: Obama avança em sua agenda antinuclear

Washington, 15/04/2010 – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, relacionou os compromissos sobre a segurança de delicados materiais passíveis de fissão ao objetivo maior de seu plano de criar um “mundo sem armas nucleares” na cúpula realizada esta semana em Washington.

 - Eli Clifton/IPS.

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“Faz parte de uma política mais ampla dos Estados Unidos, que tem o objetivo de reduzir nosso arsenal e deter a proliferação de armas atômicas. A estratégia nos aproximará do objetivo máximo de ter um mundo sem armas nucleares”, disse Obama, no dia 13, aos representantes dos 47 países presentes ao encontro.

Os Estados Unidos trabalharão com outros Estados para ajudá-los a garantir a segurança de seus materiais físseis e a evitar o contrabando, uma finalidade da qual compartilham todos os países presentes, disse Obama ao final do encontro de dois dias. A cúpula é um dos melhores exemplos do novo enfoque multilateral de Washington em matéria de política externa e um importante passo para os ambiciosos objetivos propostos pelo mandatário há um ano. “Creio que este é uma grande oportunidade. Fiquei impressionado com o fato de terem dito que iriam fazer e que estão fazendo”, disse à IPS Steve Clemons, diretor do programa de estratégia norte-americana da New America Foundation.

O objetivo específico da cúpula, realizada nos dias 12 e 13, foi discutir como impedir que materiais físseis caiam em mãos de organizações terroristas, mas nas semanas anteriores a Casa Branca intensificou os esforços para promover seu objetivo de um mundo sem armas nucleares. Obama e seu colega russo, Dimitri Medvedev. Assinaram na semana passada um novo Tratado de Redução de Armas Esratégicas (Star), em Praga.

No dia anterior, Obama divulgou a nova versão do documento Revisão da Política Nuclear, que proíbe os Estados Unidos de usar armas atômicas contra nações signatárias que respeitem o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNPN), renuncia aos testes e à fabricação de novas ogivas e obriga Washington a fazer com que o Senado ratifique o Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares, para que entre em vigor. Em maio acontecerá a conferência para revisar o TNPN na sede da Organização das Nações Unidas em Nova York.

‘Há uma nova versão da Revisão da Política Nuclear, o que é produtivo, e depois o Start, que uma semana antes não estava assegurado. Depois veio a cúpula de segurança. Creio que tudo leva à conferência de maio. São semanas extraordinárias com a atenção pública se concentrando na não proliferação”, disse Clemons. “O presidente é um homem muito sério, como pessoa e como dirigente dos Estados Unidos, no que diz respeito às obrigações do TPNN. Com o governo de Obama, os Estados Unidos fazem sua parte”, disse à IPS Bruce Blair, cofundador e um dos coordenadores da Global Zero, iniciativa internacional que defende o fim do armamento atômico.

“Negociamos a redução de arsenais e inclusive mantemos um diálogo a respeito com países como a China, e até trabalhamos por uma reconciliação. É uma boa oportunidade para que os signatários do TNPN, que possuem a tecnologia, negociem de boa fé a redução de seu armamento”, afirmou. A cúpula conseguiu que os 47 países representados assumissem vários objetivos primordiais. Os compromissos alcançados incluem esforços para fortalecer organizações internacionais como ONU e Agência Internacional de Energia Atômica, bem como uma plataforma de acordos bilaterais.

O mais importante dos pactos foi o selado entre Estados Unidos e Rússia para se desfazerem de pelo menos 34 toneladas de plutônio enriquecido, cada um, suficientes para fabricar 17 mil bombas atômicas, segundo a secretária de Estado, Hillary Clinton. Obama e o primeiro-ministro chinês, Hu Jintao, se reuniram no dia 12, e discutiram o aumento das sanções contra o Irã, suspeitando que Teerã tenha um programa para desenvolver armas nucleares. Pequim tem grandes relações comerciais com esse país.

O Cazaquistão concordou em converter um reator de pesquisas de urânio enriquecido e eliminar todo material que já tem produzido. A Ucrânia também se comprometeu a descartar o seu material produzido até a próxima cúpula, em 2012, na Coreia do Sul. Os Estados Unidos propuseram reforçar sua nova política multilateral com os membros do Movimento de Países Não Alinhados. O vice-presidente, Joe Biden, organizou no dia 12 um almoço em sua casa com representantes de 11 países: Arábia Saudita, Argélia, Chile, Egito, Indonésia, Malásia, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Tailândia e Vietnã.

Agora resta ver se os compromissos serão cumpridos, afirmaram diversos especialistas. “Cremos que a cúpula é um avanço concreto para eliminar o arsenal atômico”, afirmou à IPS Cara Bautista, coordenadora da Campanha para um Mundo Livre de Armas Nucleares. “Agora que os países fixaram seus compromissos veremos se os cumprem. Nos Estados Unidos esperamos que o Senado ratifique o novo Start e que haja mais dinheiro para programas que garantam a segurança dos materiais físseis no mundo”, acrescentou. IPS/Envolverde

Eli Clifton

Eli Clifton is a national security reporter for ThinkProgress.org. Eli holds a bachelor's degree from Bates College and a master's degree in international political economy from the London School of Economics. He previously reported on U.S. foreign policy for IPS, where he served as deputy Washington, D.C. bureau chief. His work has appeared on PBS/Frontline's Tehran Bureau, the South China Morning Post, Right Web, Asia Times, LobeLog.com, and ForeignPolicy.com. Website: http://thinkprogress.org/author/eclifton Blog: http://thinkprogress.org/security/issue/

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