Viena, Áustria, 20/07/2010 – Os especialistas que participam da 18ª Conferência Internacional sobre aids compartilharão conhecimentos sobre pesquisas ligadas à vacina contra o vírus da deficiência imunológica humana (HIV). Um dos grandes desafios da ciência é encontrar uma vacina efetiva e segura contra o vírus causador da síndrome da deficiência imunológica adquirida (aids), disse o diretor-executivo da Global HIV Vaccine Enterprise, Alan Bernstein.
“Também é um momento capital para a pesquisa”, disse Alan em um programa de capacitação HIV/aids, de quatro dias, dirigido a meios de comunicação, realizado pela National Press Foundation, com sede em Washington, no contexto da Conferência que começou no dia 18 e terminará no dia 23. Em setembro, a Global HIV Vaccine Enterprise divulgará um plano estratégico realizado por mais de 400 pesquisadores de diferentes países. Os cientistas estão otimistas sobre conseguir importantes avanços se trabalharem juntos.
É essencial reunir os recursos de especialistas que trabalham em diferentes partes do mundo, disse Linda Gail Bekker, subdiretora do Centro de HIV Desmond Tutu, do Instituto de Doenças Infecciosas e de Medicina Molecular da África do Sul. Os antirretrovirais reduzem a replicação do vírus e melhoram muito a qualidade de vida do portador, mas não eliminam a infecção. Não existindo a cura que o mundo espera há 25 anos, a atenção se concentra na prevenção e no tratamento precoce.
Aproximadamente 5,2 milhões de pessoas recebiam tratamentos no final de 2009, apenas um terço das necessitadas. Há mais de dois portadores do HIV para cada paciente que recebe assistência. São muitas as iniciativas para lutar contra o HIV, como o uso de preservativos, a circuncisão, a monogamia e as relações sexuais seguras. Qualquer delas só pode deter a propagação da epidemia, não acabar com ela. As vacinas são a melhor ferramenta para conter ou erradicar o vírus. A varíola e a poliomielite foram praticamente eliminadas dessa forma.
O HIV tem sido o vírus mais difícil de combater e é preciso uma quantidade importante de fundos para financiar as custosas pesquisas. Os especialistas recomendam o tratamento precoce, antes da debilitação do sistema imunológico do paciente para evitar o ataque de enfermidades oportunistas como a tuberculose, a principal causa de morte entre pessoas com HIV. Os falecimentos por tuberculose podem diminuir em até 90% se as pessoas com HIV são tratadas a tempo.
A fortaleza do sistema imunológico se mede pela quantidade de linfócitos CD4. Antes era recomendado começar o tratamento contra o HIV quando as células por milímetro cúbico do portador caíam para 200, mas agora é recomendado que seja feito quando chegam a 350. Além de salvar vidas, o tratamento precoce supõe benefícios em matéria de prevenção. Reduz a carga do vírus no organismo e diminui a probabilidade de contágio.
Mais de 2,7 milhões de pessoas são contagiadas por ano. Cada uma delas precisa de um caro, e comumente complexo, tratamento para salvar sua vida. O orçamento para tratamentos contra HIV em 2010 chegará a US$ 9 bilhões, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids. Diante da falta de fundos, é esperada uma luta por recursos entre cientistas, ativistas e representantes governamentais na Conferência. Este ano, o lema do encontro é “Direitos Aqui, Direitos Agora”. Os participantes discutirão sobre a situação atual da pandemia e analisarão a complexa relação entre os direitos humanos e a propagação da doença entre a população mais vulnerável, mulheres, meninas e meninos. IPS/Envolverde

