Brasil realiza o censo “mais perfeito” do mundo

Rio de Janeiro, Brasil, 26/08/2010 – Até 31 de dezembro, espera-se que 68 países completem a árdua tarefa de realizar uma precisa contagem do número de pessoas que vivem dentro de suas respectivas fronteiras geográficas.

Cerca de 240 recenseadores visitarão 58 milhões de lares em 5.565 municípios. - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Cerca de 240 recenseadores visitarão 58 milhões de lares em 5.565 municípios. - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

O censo demográfico internacional, que tradicionalmente acontece a cada dez anos em diversos países e em diferentes períodos de tempo, este ano inclui quase a metade da população mundial, de 6,7 bilhões de pessoas. Entre os países que realizarão o censo estão Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, China, Estados Unidos, Finlândia, Indonésia, Japão, México, Paquistão, Rússia e Zâmbia.

O Brasil, quinta nação mais populosa do planeta e a maior da América do Sul, saiu na frente dos demais realizando seu primeiro censo digital e computadorizado em nível nacional. Os brasileiros garantem que o censo, iniciado no dia 1º deste mês, é o “mais preciso, completo e tecnologicamente sofisticado” que o país realiza “desde 1872, e talvez em toda a história mundial”. Pelo menos quatro países – Cabo Verde, Colômbia, Omã e Uruguai – já adotaram sistemas completamente digitais, segundo o fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Em magnitude e alcance geográfico, espera-se que o censo brasileiro seja demograficamente formidável, considerando que a população deste país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados chega a 194,3 milhões de habitantes. Os números são assombrosos: 240 mil recenseadores visitarão 58 milhões de lares em 5.565 municípios, utilizando 225 mil computadores de mão (PDA) e notebooks com Sistema de Posicionamento Global (GPS), além de 8.400 computadores pessoais.

Os recenseadores transmitirão a informação através dos PDA para mais de sete mil bases de dados regionais distribuídas em todo o país. Em sua paixão digital, o Brasil também inclui a possibilidade de os cidadãos responderem ao questionário do censo via Internet. Este mecanismo só é válido após uma visita do recenseador para entregar pessoalmente um envelope contendo um código que dá acesso ao questionário e a um site seguro.

O custo total do censo brasileiro, que será realizado durante quatro meses, está estimado em mais de US$ 900 milhões, e espera-se que os números preliminares sejam divulgados no dia 27 de novembro. Os preparativos iniciais começaram em 2007, com provas-piloto que se estenderam até 2009. Os resultados finais serão publicados em 2011. O primeiro censo do Brasil, em 1872, contou 10,1 milhões de habitantes, e o último, em 2000, registrou 169,8 milhões de habitantes.

O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Pereira Nunes, acredita que o próximo censo apresente uma imagem completa das características socioeconômicas da população. “O censo 2010 mostrará um país com uma taxa de escolaridade mais alta, maior inclusão digital e maior acesso a produtos de consumo, novas estruturas familiares, crescente presença de mulheres nos locais de trabalho e maior educação”, previu.

A diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid, criou a Iniciativa Especial sobre Censo, que ajuda países pobres a realizarem seus censos este ano. “Nenhum país deveria deixar de fazer um censo populacional e de moradia durante a rodada de 2010 por limitações financeiras ou falta de capacidade técnica”, afirmou. Essa agência da Organização das Nações Unidas apoia nações em desenvolvimento para que realizem censos, como Afeganistão, Camboja, Coréia do Norte, Iraque, Palestina, Somália, Sudão, Timor Leste e Vietnã.

Os brasileiros, que desenvolveram seus próprios programas informatizados, estão ajudando outros países, como Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Omar Gharzeddine, do UNFPA, disse à IPS que este tipo de consulta é essencial para que os governos tenham base para tomar decisões relativas aos desafios que seus habitantes enfrentam. “São a principal fonte de informação sobre o número, as características e necessidades de determinada população”, afirmou.

De acordo com as atuais tendências, o censo eletrônico brasileiro inclui perguntas como uso de contador de energia elétrica, telefone celular, acesso à Internet, migrações e relações estáveis com pessoas do mesmo sexo. O censo alcançará as partes mais remotas do Brasil, a maioria acessível apenas por ruas não pavimentadas, e comunidades que em sua maior parte abrigam grupos minoritários e povos indígenas.

Os recenseadores também visitarão penitenciárias, postos militares, asilos, orfanatos, conventos, hospitais, hotéis e acampamentos em selvas distantes. Será o décimo-segundo censo do Brasil, caracterizado por uma diversa mescla cultural e racial, e com uma população em sua maioria de ascendência portuguesa e africana. Consultado se o Brasil pretende realizar “o censo mais perfeito do mundo”, o coordenador dos trabalhos no Rio de Janeiro disse à IPS: “É isso que esperamos”. Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *