Hydra, Grécia, 08/11/2010 – Os distúrbios na Grécia devido à profunda crise econômica de meados do ano espantaram os turistas tradicionais, mas não os chineses, que aproveitam o momento para conseguir melhores preços. Os turistas chineses chegam nos cruzeiros e inundam as ruas com calçamento de pedra da Ilha de Hydra, compram joias de prata e tomam frapuchinos (café gelado) em pequenas tabernas das quais se aprecia o pitoresco porto. Ficam maravilhados com o labirinto de estreitos becos e prédios cor de mel, de estilo veneziano e neoclássico.
Os mais aventureiros contratam o único transporte disponível na ilha, burros, para subir empinadas rochas das quais se desfruta de uma bela vista. Feng Yixing, de Xangai, gastou US$ 21 mil alugando um iate com capitão para navegar pelas Ilhas Sarônicas com sua mulher, os dois filhos, seus pais e uma empregada. A embarcação, que tem cinco camarotes, uma cozinha e uma sala, permanece ancorada no porto enquanto a família percorre o povoado. Pode-se ver a empregada na coberta sacudindo roupas de cores vivas, que balançam ao vento como bandeiras medievais.
“São os novos russos”, disse o capitão do iate. “Se encantam com o luxo e podem pagar por ele”, acrescentou. Os ricos turistas chineses rapidamente se convertem na nova fonte de renda de operadores, donos de iates e pequenos empresários gregos. Pelo menos não adiaram seus planos devido aos distúrbios contra as medidas de austeridade e as mortes que afetaram a capital da Grécia no último verão e espantaram muitos europeus.
Pelo contrário, viram uma oportunidade de conseguir bons preços em cruzeiros e outras ofertas turísticas. “Quero conhecer a Grécia desde que vi a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos” de 2008, disse Li Hui, uma pequena empresária da cidade chinesa de Wuhan. “Conheço muitos lugares do sudeste da Ásia. A Europa sempre foi muito cara e tinha que esperar o momento certo”, afirmou.
A ocasião se apresentou este ano, quando o estado da dívida grega veio à luz e o mal-estar pela racionalização fiscal agitou o país. Muitas pessoas cancelaram suas viagens após a morte de três pessoas, entre elas uma mulher grávida que morreu no dia 5 de maio em Atenas, em uma manifestação contra os cortes impostos pelo governo para garantir um empréstimo da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional de mais de US$ 154 bilhões.
A quantidade de visitantes no país caiu 1,3% nos primeiros sete meses deste ano, em comparação com igual período de 2009, segundo a Associação de Empresas Turísticas da Grécia. Os que mais cancelaram viagens foram alemães e britânicos, que representavam um terço dos 15 milhões de turistas que visitam a Grécia anualmente. Os operadores do setor não perderam tempo e trataram de aproveitar a situação. Em maio trabalharam com agências de viagens da Turquia para atrair turistas chineses à região e abriram escritórios em Atenas e Istambul. O ministro de Cultura e Turismo da Grécia, Pavlos Geroulanos, viajou a Pequim para promover as praias e os templos do país.
No ano seguinte aos Jogos Olímpicos, a Grécia foi o segundo destino preferido pelos chineses. O turista chinês que vai à Europa ocidental costuma ir de um país a outro comprando e visitando lugares sem parar, já a Grécia é um destino em si mesmo. “A Grécia é mais diversão do que compras”, disse Cheng Ziying, da província de Shandong, que escolheu Hydra para sua lua de mel. “Me agrada sua beleza clássica e seus pequenos povoados são realmente românticos. É perfeito para a ocasião”, afirmou.
Ainda são poucos os turistas chineses, em comparação com os de outros países. Cerca de 50 mil visitaram a Grécia no ano passado, mas funcionários do setor esperam que este ano cheguem dez vezes mais. “Quando é férias na China, as ruas gregas se enchem de chineses”, disse Elena Mitraki, diretora do escritório em Pequim da Organização Nacional de Turismo da Grécia. “Estamos encantados”, acrescentou.
“Amam Hydra”, disse Panayotis Makridakis, dono de uma loja de curiosidades perto do porto. “Gostam do fato de não termos automóveis e não param de tirar fotos dos burros que andam de um lado a outro levando coisas. Têm muito dinheiro, mas não sabem qual o valor de algumas coisas. Nós apreciamos cada pedra e cada tijolo, e eles não param de perguntar qual o interesse de todas essas coisas”, acrescentou. Envolverde/IPS

