Economia: A hora do microcrédito

Londres, 20/01/2005 – O pequeno ganhou importância no mundo das finanças. Ou seja, o negócio do microcrédito está prosperando, e com ele a vida de milhões de pessoas que carecem de acesso a serviços financeiros básicos. Esta é a conclusão de um relatório do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), uma agência da Organização das Nações Unidas com sede em Roma, em preparação para um ativo Ano Internacional do Microcrédito, em 2005. Há uma gama muito ampla de microcréditos, dentro de certos limites.

"Uma pessoa pode emprestar US$ 50", disse Gary Howe, chefe de estratégia de desenvolvimento da Fide. Não parece muito, mas com esse dinheiro "pode-se comprar três cabras, sementes, fertilizantes, ferramentas e, uma vez pago o empréstimo, pode-se pedir até US$ 500 para compra de máquinas", disse à IPS. O pioneiro mundial dos serviços microfinanceiros foi o Grameen Bank, de Bangladesh, que atualmente conta com 2,4 milhões de clientes. "Começou como uma atividade experimental. Depois, se transformou em uma organização não-governamental e, em seguida, em um banco", explicou Howe.

Os serviços microfinanceiros seguem essa tendência de se transformarem em ONG benéficas para estruturas financeiras. E cada vez mais se encaminham através de instituições nacionais capazes de se relacionarem com ONGs no mundo. Esta corrida para emprestadores mais especializados e experientes é boa para as microfinanças, disse Howe. "É melhor trabalhar através de instituições com autocontrole financeiro e probidade. Isto facilita a regulamentação e dá à indústria uma voz em relação aos reguladores", explicou. As microfinanças começam a chamar a atenção de atores financeiros de grande peso no mundo.

O Ano Internacional do Microcrédito, designado pela ONU, será lançado nesta quinta-feira, 18/11, nas bolsas de valores de várias cidades importantes do mundo, como Nova York e Milão, para dar-lhe um caráter mais mundial. Nos últimos cinco anos, o setor microfinanceiro cresceu ao ritmo de 25% a 30% ao ano, destacou o Fida. "Sessenta e três das principais instituições microfinanceiros do mundo apresentaram um rendimento médio de 2,5% de seus ativos totais, o que se compara favoravelmente com os rendimentos do setor bancário comercial", ressaltou a agência. Em países tão diversos como Bangladesh Benin e República Dominicana, a porcentagem de reembolso chega a 97%.

"Instituições financeiras comerciais como o Triodos Bank da Holanda, o Citibank dos Estados Unidos e o Deutsche Bank estão se voltando para o microcrédito, atraídos pelo "duplo benefício" de obter ganhos e contribuir para a redução da pobreza mundial", destaca o relatório. Mais de 60 fundos de investimento incorporaram os microcréditos às suas carteiras, e cerca de 70% deles apareceram nos últimos anos, diz o documento. "Os pobres estão se transformando em parte do mercado financeiro mundial e querem ter acesso a maior variedade de serviços e produtos financeiros", disse Lennart Bagé, presidente do Fida. "Para atender suas necessidades, devemos fazer com que as microfinanças se aproximem do sistema financeiro formal", ressaltou.

Muitos grandes atores financeiros estão criando vínculos com sistemas microfinanceiros nacionais. O próprio Fida, além de promover a tecnologia do microcrédito, tem uma carteira de projetos de US$ 640 milhões em atividades de financiamento rural, que representa 30% de seus planos em curso. Além disso, dois terços dos projetos da agência têm algum componente microfinanceiro. Segundo Howe, os microcréditos podem dar um grande impulso aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, porque "aumentam a capacidade de ganhar mais". Uma dessas metas, estabelecidas pelos países-membros da ONU em 2000, é reduzir a quantidade de pobres pela metade até 2015.

Os microcréditos são mais eficazes contra a pobreza que a cooperação para o desenvolvimento porque podem "ajudar a aumentar a produtividade e os ganhos dos pobres". Em especial, os microcréditos são muito bons para as mulheres, que tradicionalmente têm pouco acesso à terra e aos mercados. "Os microcréditos abriram sua janela para o mundo. Tiveram um impacto muito profundo em sua saúde e educação", destacou Howe. O relatório do Fida reconhece que as microfinanças ainda não alcançaram os 25% mais pobres entre os pobres. "A maioria dos microcréditos é concedida em zonas urbanas ou semi-urbanas, porque é mais fácil fornecer um serviço quando as pessoas estão juntas", explicou Howe. O Fida busca métodos para reduzir o custo e levar microcréditos às áreas rurais. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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