LÍBIA: Ocidente aponta baterias contra Gadafi

Washington, Estados Unidos, 02/03/2011 – Aumenta a pressão internacional contra o líder da Líbia, Muammar Gadafi. Enquanto diplomatas ocidentais pedem sua imediata renúncia, o Pentágono e seus aliados estudam criar uma zona de exclusão aérea sobre essa nação africana. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que entre 600 e dois mil manifestantes pacíficos e testemunhas inocentes morreram desde que o regime de Gadafi lançou sua violenta repressão sobre os protestos opositores, há 13 dias.

“O coronel Gadafi e os que o cercam devem ser responsabilizados por estes atos, que violam as obrigações internacionais e a decência comum”, disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, durante reunião, no dia 28 de fevereiro, do Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, do qual a Líbia é membro. “Com suas ações, perdeu a legitimidade para governar. E o povo da Líbia deixou claro que é hora de Gadafi partir. Agora, sem mais violência nem demora”, acrescentou.

O presidente Barack Obama havia feito afirmações semelhantes em conversa, no dia 26 de fevereiro, com a chefe de governo da Alemanha, Angela Merkel. Ontem, Clinton disse na Câmara de Representantes de seu país que se aproxima um momento de decisão, já que a Líbia “pode se converter em uma democracia pacífica ou sofrer uma longa e esgotante guerra civil ou, ainda, afundar no caos”, e destacou que é essencial “uma resposta norte-americana forte e estratégica”.

Por sua vez, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, James Mattis, disse no Congresso que a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia exigiria uma operação bélica prévia para destruir a capacidade de defesa desse país. No final de semana, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução histórica, impondo um embargo de armas sobre esse país produtor de petróleo e sanções a membros do regime de Gadafi, incluindo proibições de viajar e congelamento de contas bancárias, medidas que já estavam sendo aplicadas unilateralmente por alguns países.

No dia 28 de fevereiro, a Casa Branca anunciou que havia congelado US$ 30 bilhões das contas do regime líbio desde que entraram em vigor suas sanções, no dia 25. A resolução do Conselho de Segurança, aprovada por unanimidade, também remeteu o caso da Líbia ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. É o segundo caso que este organismo envia ao TPI desde que este foi criado.

“É vital que a comunidade internacional fale com uma só voz, e assim o fez”, disse aos jornalistas no dia 28 a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice. “Estas sanções e estes mecanismos deveriam fazer os membros do regime líbio pensar sobre a encruzilhada que têm pela frente: violar os direitos humanos e serem responsabilizados, ou deter a violência e respeitar o clamor do povo por uma mudança”, afirmou Susan. “Não há escapatória a esta alternativa fundamental”, acrescentou. A embaixadora disse, também, que a criação de uma zona de exclusão aérea é uma das opções em exame “consideradas ativa e seriamente”.

No dia 28, o Pentágono anunciou que estava enviando forças naval e aérea para a região. “Temos funcionários trabalhando em vários planos de contingência”, informou aos jornalistas em Washington o porta-voz do Departamento de Defesa, Dave Lapan. “Estas forças podem ser usadas em diversas quantidades e formas”, acrescentou. Por outro lado, observadores alertam que uma crise humanitária está se formando. Segundo dados das Nações Unidas divulgados no mesmo dia, 61 mil líbios fugiram para o Egito, 40 mil para a Tunísia e mil para Níger. Além disso, há muitos refugiados internos que não podem abandonar o país.

O fórum mundial também expressou sua preocupação pela fala de suprimentos médicos e de alimentos. “A ONU começou a montar uma forte resposta humanitária que incluirá recursos para as várias agências envolvidas, como o Alto Comissariado para os Refugiados e a Organização Internacional para as Migrações”, disse Susan, que estava em Washington no dia 28 para a reunião entre Obama e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Ban designará um funcionário de alto nível para coordenar a resposta humanitária e política da ONU, acrescentou a embaixadora. Ao mesmo tempo, Washington enviou equipes de assistência para as fronteiras líbias, enquanto a agência norte-americana para o desenvolvimento internacional (Usaid) destinou US$ 10 milhões para a ajuda humanitária, anunciou o Departamento de Estado. Envolverde/IPS

Aprille Muscara

Aprille Muscara is based in Washington, D.C. and is IPS’s online content and community manager. Prior to this position, she was the deputy bureau chief in Washington, D.C., covering global issues and United States foreign policy. She joined IPS in 2010 as a United Nations correspondent in New York covering the U.N. Security Council, international development and human rights. She is also co-coordinator of IPS’s North America intern programme. Aprille’s work has been published by IPS, Al Jazeera English, Truthout, Reuters AlertNet, Asia Times, Lobelog.com and The Electronic Intifida, among other outlets and translated into multiple languages worldwide.

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