Manama, Bahrein, 17/03/2011 – Pelo menos duas pessoas morreram e centenas ficaram feridas depois que forças de segurança no Bahrein reprimiram manifestantes pró-democráticos na Praça Pearl, em Manama, capital do país. Helicópteros sobrevoavam a área enquanto soldados apoiados por tanques chegaram ontem à Praça, palco de manifestações contra o governo iniciadas há uma semana, informou o correspondente da Al Jazeera.
Foram ouvidas múltiplas explosões e avistadas colunas de fumaça no centro de Manama. Nosso correspondente informou que a polícia, apoiada por militares, atacou os manifestantes por todos os lados e utilizou gás lacrimogêneo para dispersá-los. Os manifestantes, intimidados pelas forças de segurança, se retiraram, acrescentou. Fontes hospitalares indicaram que dois manifestantes morreram e centenas ficaram feridos na ofensiva. A agência de notícias Reuters informou que três policiais também morreram.
Ali Al Aswad, membro do opositor Wefaq, disse à rede Al Jazeera que o governo usou helicópteros Apache para disparar contra os manifestantes pacíficos. Acrescentou que a situação é muito grave e que o Bahrein caminha para o desastre. “As forças de segurança estão matando pessoas. Pedimos à Organização das Nações Unidas que nos ajude”, afirmou.
A operação das forças de segurança aconteceu depois da declaração de estado de emergência no país, e pelo menos duas pessoas morreram em distúrbios no subúrbio xiita de Sitra, nos arredores de Manama. Uma ordem do rei “autorizou o comandante das forças de defesa do Bahrein a adotar todas as medidas necessárias para proteger a segurança do país e de seus cidadãos”, segundo um comunicado lido no dia 15 na televisão.
Centenas de tropas lideradas pela Arábia Saudita entraram no dia 14 no Bahrein, como parte de uma iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo para proteger as instalações governamentais em meio a um agravamento dos protestos. Não estava claro se na repressão de ontem as forças sauditas participaram. Syed Al Alawi, uma testemunha, disse à rede Al Jazeera que as tropas estavam cercando o hospital de Salmania e não permitiam a entrada de médicos nem enfermeiras.
“As tropas do Conselho de Cooperação do Golfo são para lutar contra forças estrangeiras, mas estão atacando o povo do Bahrein. Qual é nosso crime? Estamos pedindo nossos legítimos direitos”, disse Syed. Pelo menos 500 manifestantes estão acampados na Praça Pearl no centro de Manama. Envolverde/IPS
*Publicado em acordo com Al Jazeera.

