BENIM: Melhoria de competências de parteiras salva vidas

COTONOU, 23/05/2011 – A formação de parteiras na área da gestão activa da terceira etapa do parto aponta para uma das principais causas de morte materna: hemorragia pós-parto. “No Benim, a taxa de mortalidade materna é de 397 mortes por cada 100.000 nados-vivos, sendo a hemorragia pós-parto responsável por 25 por cento dessas mortes,” afirmou o Dr. René Daraté, director de saúde materno-infantil junto do Ministério da Saúde. “Portanto, o governo do Benim verificou ser necessário introduzir, entre outras coisas, a técnica canadiana de gestão activa da terceira etapa do parto (AMTSL, na sigla em Inglês), a fim de salvar as mulheres das hemorragias pós-parto,” disse Daraté. De acordo com Daraté, ele mesmo obstetra e ginecologista, a AMTSL é uma intervenção introduzida no Benim que permite que a placenta seja facilmente expulsa e assegura a contracção do útero. A gestão activa da terceira etapa do parto – durante a qual o cordão umbilical é atado firmemente e a placenta expulsa – é essencial para impedir a hemorragia pós-parto. Isso envolve dar à mulher em trabalho de parto oxitocina, controlar a tracção do cordão conforme necessário (ajudando a expulsão da placenta) e massajar o útero depois da placenta ter sido expulsa. Para introduzir a prática da AMTSL, foi lançado um vasto programa de formação destinado a trabalhadores de saúde, com o apoio do orçamento nacional e de vários parceiros de desenvolvimento do Benim. “Os 35 distritos de saúde do Benim foram abrangidos por esta formação,” declarou Daraté. Algumas clínicas privadas no Benim também beneficiaram dos cursos de formação. Segundo Laurence Odounlami Montéiro, Presidente da Associação de Parteiras do Benim, o seu grupo ministrou formação a pessoal em cerca de trinta centros de saúde privados, que agora usam esta técnica. Flore Abalo, parteira que recebeu formação nesta matéria, acredita que a “AMTSL é uma técnica muito importante que todas as parteiras no país deviam conhecer. Melhorou consideravelmente a qualidade dos nosso serviços.” Marcelle Totchénou, chefe da divisão de saúde materna no Ministério da Saúde, disse à IPS que, durante a fase piloto da AMTSL, uma avaliação indicara que as mortes devido a hemorragia pós-partos tinham diminuído em 50 por cento.

Um relatório de avaliação nacional sobre necessidades obstétricas e neonatais de emergência está actualmente em curso. Daraté prevê que o relatório irá dar uma indicação mais clara sobre se o Benin está no caminho certo para alcançar o 5° Objectivo de Desenvolvimento do Milénio, que procura reduzir a mortalidade materna até 2015 para três quartos dos níveis atingidos em 1990. Simultaneamente, está a realizar-se o Quarto Inquérito de Saúde Demográfica. “Os resultados irão permitir que avaliemos novamente as muitas técnicas que estão a ser usadas,” acrescentou. De acordo com Daraté, nem todos os trabalhadores de saúde foram formados de forma adequada nesta técnica. “Durante a primeira avaliação da AMTSL, há cinco anos, observámos que menos de 13 por cento das pessoas que receberam formação estavam a usá-la correctamente. Por isso tivemos de intensificar a formação.” As parteiras estão muito satisfeitas com os resultados. “A AMTSL contribuíu para os partos bem sucedidos na clínicas. O fornecimento de sangue [para transfusões] continua a ser uma necessidade prioritária,” afirmou Yollande Johnson. De acordo com o Professor José de Souza – director da Clínica Universitária de Ginecologia e Obstetrícia em Cotonou – a AMTSL produz bons resultados, mas ele apela a uma monitorização médica eficaz para acompanhar a técnica. É importante que as pessoas estejam verdadeiramente informadas, que visitem os centros de saúde e que as mulheres grávidas tomem parte em consultas de orientação pré-natais. De Souza também quer que as pessoas saudáveis doem sangue para ajudar a salvar vidas porque, apesar de tudo, as mulheres às vezes ainda têm hemorragias depois dos partos, o que requer transfusões. Enquanto a formação no sistema de saúde pública continua, no sector privado o reforço de capacidades dos trabalhadores de saúde está a abrandar. Montéiro pede agora que a formação no sector privado recomece rapidamente. “Hoje temos perto de 4.000 clínicas privadas no Benim, registadas ou não. Para termos resultados conclusivos, precisamos de reforçar o sector privado, porque muitas vezes o perigo vem desse sector,” disse. Daraté partilha este ponto de vista. “Temos de prosseguir a formação ininterruptamente se quisermos atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, porque ainda há muito que fazer.”

Ulrich Vital Ahotondji

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