CUBA: Os diversos rostos por trás da @

Havana, Cuba, 06/07/2011 – “Quero conhecer @salvatore300 e @elainediaz2003”, se ouviu no primeiro encontro em Cuba de integrantes de redes sociais, #TwittHab. Após anos conectados na internet, o incipiente espaço da cidadania deste país nesse ambiente demonstra a possibilidade de contato no mundo real.

“Podem ser organizados encontros e reuniões sociais espontaneamente sem a tutela das instituições cubanas. São realizadas e nada acontece: não há que ter medo”, disse à IPS Rogelio M. Díaz, autor do blog Bubusopia, e um dos participantes de uma incomum “jornada twitteira” iniciada em Cuba no dia 1º deste mês.

As tensões políticas entre o governo cubano e seu inimigo histórico, os Estados Unidos, e os atritos contínuos com os grupos da dissidência política interna, que também se manifestam em blogs e redes sociais, criam uma atmosfera complexa ao redor de projetos deste tipo.

Entretanto, na tarde de 1º de julho, na central esquina das ruas 23 e 12 em Havana, cerca de 35 rostos, em sua maioria jovens, e outros nem tanto, saíram em “busca da @”, como dizia um dos cartazes criados para o encontro, convocado por Leunam Rodríguez, administrador do Portal da Rádio Cubana.

O encontro, um dos três ocorridos apenas na tarde do dia 1º na capital cubana, teve repercussão na província oriental de Holguín e gerou vários encontros “para continuar conversando e se conhecendo”, em centros culturas e noturnos de Havana durante todo o final de semana passado, disse Rodríguez à IPS.

A ideia inicial surgiu em meados de junho e fluiu rapidamente por meio de blogs e redes sociais como Twitter e Facebook. O objetivo do encontro “real e amistoso” era ter a oportunidade de conhecer os diversos rostos e as diversas formas de pensar que se escondem por trás de identidades virtuais como @alondraM e @cuba1erplano.

Sem uma agenda planejada e apenas com o desejo de intercambiar, da originalidade de estudantes universitários, jornalistas, blogueiros e profissionais da informática, nasceram cartazes e cartões de apresentação, onde se conjugou a visualidade do Twitter com símbolos cubanos, como o tocororo, a ave nacional.

“Vá em busca da @ agora” e “Quero te conhecer” foram os chamados que circularam no ciberespaço. Porém, pessoas alheias à organização e alguns meios de comunicação de fora de Cuba politizaram as intenções da reunião amistosa e de socialização, segundo observadores.

“No final, era apenas um grupo de jovens que queriam se encontrar e se conhecer. Não está nem minimamente no terreno da política”, garantiu à IPS a blogueira e psicóloga Sandra Álvarez, que está no Twitter como @negracubana, e participou do encontro na esquina das ruas 23 e 12.

Para Elaine Díaz, autora do blog La Polémica Digital, a desnecessária politização faz com que “sejam distorcidos os objetivos da iniciativa em seu princípio”. Um dia antes do #TwittHab, Leunam Rodríguez anunciou uma mudança da sede para o Pavilhão Cuba, no central bairro do Vedado, na capital.

Este local, da não governamental Associação Hermanos Saíz, ofereceu computadores com acesso à internet para a atividade, e lá estiveram o principal organizador, integrantes da Jovem Cuba e representantes da autodenominada blogosfera alternativa cubana.

Horas mais tarde, representantes das duas sedes se dirigiram ao parque do teatro Amadeo Roldán para discutir em conjunto a questão da comunicação e o desejo de contar com uma conexão melhor e com mais internautas no país, que seria possível graças à instalação de um cabo de fibra ótica com apoio da Venezuela.

Quase cem pessoas, que estiveram tanto no Pavilhão Cuba como na esquina das ruas 23 e 12, realizaram o sonho coletivo de “se conhecer e trocar experiências”. Cada um, com seu cartão de participação, foi se apresentando em um vídeo artesanal que estará disponível no Youtube.

Neste terceiro espaço surgido espontaneamente fluiu o diálogo e um debate sobre diversas preocupações, entre elas como conseguir a inclusão, sem importar a cor política, dos que desde Cuba oferecem sua visão individual por meio de redes sociais. “Não preciso de apresentação: sou o pai do Twitter em Cuba”, disse para a câmera Roger Trabas, #roger213tm.

Trabas foi o segundo cubano que, no começo de 2008, entrou nessa rede social, onde se encontram pessoas “que vivem no mundo e outras que querem mudá-lo”, concordou o grupo assistente.

Apenas 2,9% dos cubanos ouvidos em uma pesquisa feita em 2010 pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE) em cerca de 38 mil lares em todo o país disseram ter navegado pela internet em 2009. Desse total, 59,9% o fez de seus centros de estudo, 7,4% do trabalho e 5,9% de casa. Envolverde/IPS

Dalia Acosta

Dalia Acosta ha sido corresponsal de IPS en Cuba por muchos años. Se graduó en 1987 de la licenciatura en periodismo internacional en el Instituto Estatal de Relaciones Internacionales de Moscú. Trabajó un año en el diario cubano Granma y otros seis en Juventud Rebelde, donde incursionó en el periodismo de investigación sobre mujer, minorías, sida y derechos sexuales. En 1990 recibió el Premio de Periodismo Tina Modotti, y en 1992 el Premio Nacional de Periodismo por un reportaje sobre la comunidad rockera de su país. Empezó a colaborar con IPS en 1990 como parte de un proyecto de comunicación con el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). Desde 1995 se desempeña como corresponsal en La Habana, y entre 1991 y 2010 trabajó también para el Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SEMLac).

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