PENA DE MORTE: Abolicionista contra a pena de morte exortam a Liga Árabe

Londres, Inglaterra, 14/10/2011 – Ativistas de todo o mundo exortaram a Liga Árabe e a Comissão Africana para os Direitos Humanos e do Povo a explorarem a possibilidade de adoção de protocolos regionais destinados a abolir a pena de morte. Mais de 100 representantes de governo e de organizações da sociedade civil de todo o planeta adotaram uma resolução ao fim de um encontro organizado nesta cidade pelo grupo Reforma Penal Internacional (RPI).

No texto exorta-se a Liga Árabe e a Comissão Africana a intervirem “em reconhecimento do importante papel que têm os organismos regionais e interregionais na formação de padrões e normas”. A resolução também pede à Liga Árabe que “emende o artigo 7 da Carta Árabe de Direitos Humanos para proibir completamente as sentenças de morte e as execuções de menores de 18 anos no momento em que cometeram o crime”.

“A Declaração de Londres, adotada de forma unânime por mais de 100 participantes na conferência organizada pela RPI, incluindo representantes governamentais e da sociedade civil de países tanto abolicionistas como os que mantêm o castigo de quase todas as regiões do mundo, é considerada um grande avanço” contra a pena de morte, disse à IPS Jacqueline Macalesher, do RPI. “Agora virá o apoio das organizações, e também se espera o apoio do Ministério de Assuntos Exteriores da Comunidade Britânica”, acrescentou.

O RPI acredita que a Declaração irá gerar um impulso “para a moratória e a abolição em nível mundial. Reflete a determinação da comunidade de direitos humanos de avançar para uma abolição universal”, disse Macalesher. Para ela, a Declaração “será usada como nova ferramenta dos abolicionistas em seus esforços para estimular os Estados que mantêm a pena capital a implantarem os mínimos padrões, bem como uma moratória das execuções e sentenças, e que avancem para uma plena abolição em lei”.

Segundo Macalesher, “a Declaração também faz uma importante afirmação de que aqueles Estados que aboliram a pena de morte deveriam adotar sanções alternativas, com a prisão perpétua, que sejam justas, proporcionais e respeitem os padrões internacionais de direitos humanos”.

A Declaração indica que não há evidência convincente de que a pena capital sirva de dissuasão para o comportamento criminoso de forma mais eficaz do que outros castigos. Também afirma que “onde se mantém por completo a pena de morte, esta deveria ser imposta para os crimes mais graves, e depois de um julgamento justo do acusado”.

A resolução destaca que “a pena de morte cria vítimas adicionais – os familiares dos executados –, que em geral são esquecidos, marginalizados ou estigmatizados pela sociedade. “O objetivo essencial do sistema penitenciário deve ser a reabilitação social dos prisioneiros”, diz o texto. E acrescenta que nos países onde há pena de morte ao menos se deveria acabar com a obrigatoriedade da pena máxima para determinados crimes, e estabelecer pautas para sua aplicação.

Do encontro em Londres participaram representantes de 31 países: Argélia, Armênia, Áustria, Azerbaijão, Bangladesh, Bielorússia, Bélgica, Canadá, China, Estados Unidos, Francia, Geórgia, Grã-Bretanha Jordânia, Cazaquistão, Quênia, Quirguistão, Líbano, Marrocos, Nigéria, Polônia, Qatar, Rússia, Síria, Suíça, Tajiquistão, Tanzânia, Tunísia, Turquia, Ucrânia y Uganda.

A resolução também indica que as nações devem “proibir a aplicação da pena capital contra jovens, pessoas que eram menores quando cometeram o crime, grávidas, mães com filhos pequenos e os que têm problemas mentais”.

Além disso, exorta para “capacitar juízes e profissionais que trabalham no sistema penal para garantir que sejam plenamente conscientes dos padrões relevantes internacionais referentes à pena capital”. Também chama os Estados a adotarem uma moratória oficial ou de fato das execuções, bem como uma abolição parcial, a comutar as penas por prisão perpétua, tomando também em consideração o tempo que os condenados já passaram atrás das grades.

Além disso, exorta a “serem dados os passos necessários através de reformas legislativas e constitucionais para abolir a lei de pena de morte para todos os crimes”. Envolverde/IPS

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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