SÍRIA: As poucas cartas da ONU

Nova York, Estados Unidos, 22/02/2012 – Quando a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na semana passada, uma resolução contra a Síria por esmagadora maioria, estava plenamente consciente de que, ao contrário do Conselho de Segurança, é politicamente impotente. A votação do dia 16 foi de 137 a favor contra 12 (incluindo China e Rússia, as duas grandes potências aliadas do presidente sírio, Bashar Al Assad), com 17 abstenções.

Depois que Pequim e Moscou usaram seus poderes de veto para bloquear qualquer ação punitiva contra a Síria no Conselho de Segurança na semana anterior, a ONU ficou em um beco sem saída, com poucas possibilidades de resolver a crise nesse país do Oriente Médio que já dura 11 meses. Mais de 5.400 pessoas, na maioria civis e membros das forças do governo, morreram na repressão ordenada por Assad contra seus opositores.

Entretanto, José Luis Díaz, chefe do escritório da Anistia Internacional na sede da ONU, afirmou que o fórum mundial ainda tinha opções. "A falta de ação do Conselho de Segurança não é culpa das Nações Unidas", afirmou. Consultado sobre o futuro, Díaz disse à IPS que mesmo esse órgão permanecendo indiferente, há muitos outros mecanismos à disposição do fórum mundial para tratar a questão síria.

Díaz destacou o papel da Comissão de Investigação, criada pelo Conselho de Direitos Humanos, bem como do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Estes atores podem continuar reunindo informação sobre a situação na Síria e apresentar um caso contra os responsáveis por crimes contra a humanidade, afirmou. "Também estamos exortando o Conselho de Segurança a enviar o caso ao Tribunal Penal Internacional", acrescentou.

Por sua vez, Philippe Bolopion, diretor do escritório da organização Human Rights Watch na ONU, ressaltou que a votação da Assembleia Geral significou uma "esmagadora rejeição à tentativa da Rússia e da China de proteger o governo sírio da condenação internacional". Acrescentou que se trata de "uma clara mensagem aos funcionários sírios de que a vasta maioria dos países no mundo quer justiça para as vítimas e o fim da brutalidade do governo", destacou.

Moscou e Pequim "devem considerar que estão cada vez mais isolados e acabar com suas obstruções para que o Conselho de Segurança detenha a sangrenta repressão". A resolução adotada pela Assembleia Geral foi virtualmente idêntica à vetada no Conselho de Segurança.

A resolução expressa pleno apoio à decisão da Liga Árabe de facilitar a transição política para um sistema democrático e pluralista, promovendo um "sério diálogo" entre o governo sírio e os partidos de oposição. Também exorta o regime de Assad a deter todo tipo de violência e proteja seu povo, liberte todos os detidos, retire todas as forças armadas das cidades e povoados, autorize manifestações pacíficas e permita o acesso irrestrito de observadores árabes e dos meios de comunicação internacionais.

Entre os países que se opuseram à resolução estão Coreia do Norte, Cuba, Irã, Nicarágua e Venezuela, adversários políticos dos Estados Unidos. Díaz afirmou à IPS que China e Rússia deveriam se perguntar o quanto podem continuar desafiando a opinião internacional e se alinharem a países que são importantes para eles. Desde essa perspectiva, é importante que a comunidade internacional continue falando claramente e condenando a repressão, enfatizou.

A Assembleia Geral e o Conselho de Direitos Humanos responderam de forma bastante clara diante da situação, opinou Díaz. "Se o Conselho de Segurança não agiu, sabemos o motivo. Assim, a falta de ação do Conselho de Segurança em relação à Síria não é culpa das Nações Unidas como um todo", ressaltou. Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *