Os próximos passos para livrar o Oriente Médio de armas nucleares

Jerusalém, Israel, 06/03/2012 – Representantes de mais de 65 organizações e países reuniram-se há algumas semanas , em Amã, na Jordânia, em um esforço para estabelecer as bases para a meta das Nações Unidas de "criar um Oriente Médio sem armas nucleares e outras armas de destruição em massa". “Mais de 11 assuntos foram discutidos durante a reunião, incluindo o mais relevante, a importância da Organização das Nações Unidas (ONU) em declarar o Oriente Médio como uma zona livre de armas nucleares, além das implicações de segurança em uma zona livre de armas de destruição em massa, as perspectivas ao se estabelecer um circuito de combustível nuclear, e a segurança nuclear no Oriente Médio”, explicou Ayman Khalil, diretor do Instituto Árabe de Estudos de Segurança (Iaes), um dos organizadores da conferência.

“Planejando 2012: Oportunidades para a Não-Proliferação e Segurança Nuclear”, foi o tema da conferência de três dias destacou os desafios que persistem no período que antecedeu o encontro de 2012 da ONU sobre o assunto. Em maio de 2010, uma reunião para revisar o Tratado de Não-Proliferação (TNP) "“ que acontece a cada cinco anos "“ foi convocada pela ONU. Em outubro, foi anunciado que a Finlândia será a sede da conferência, e que Jaakko Laajava, subsecretário de Estado para a política externa e de segurança, iria promover o encontro.

“A reunião (em Amã) proporcionou um fórum de coordenação e troca de opiniões entre os partidos nacionais, regionais e internacionais e destacou os desafios, requisitos e condições para participação ativa e o envolvimento de todos os Estados da região no processo de 2012”, disse Khalil à IPS. Em 1995, a declaração final da Conferência de Revisão do TNP convocou todos os países do Oriente Médio para construir uma região livre de armas nucleares, químicas e biológicas de destruição em massa, e exortou outros Estados a promoverem ações neste sentido.

“Todos os Estados do Oriente Médio que ainda não o fizeram, sem exceção, devem aderir ao TNP o mais rápido possível e colocar as suas instalações nucleares sob o completo escopo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”, foi a declaração lida ao final da conferência. Em vigor desde 1970, o TNP visa a prevenir a disseminação de armas nucleares e sua tecnologia, e, além disso, promover o desarmamento nuclear em todo o mundo. Entre todos os seus 190 signatários estão atualmente cinco países que oficialmente possuem armas nucleares: China, Rússia, Reino Unido, França e Estados Unidos. Acredita-se que Israel, que não assinou o TNP, também possua armas nucleares.

Khalil adverte que esta relutância em assinar o TNP é o maior obstáculo para a criação de um Oriente Médio livre de armas nucleares. “Apesar da disponibilidade de todos os Estados da região para criar uma zona livre de armas nucleares, tal objetivo permanece inatingível. De acordo com Khalil, o maior obstáculo, é claro, é a recusa de certos países não signatários do TNP". “Há uma série de outros desafios que tornam este objetivo bastante desafiador: a existência de um conflito árabe-israelense, e a posse e desenvolvimento de programas nucleares na região”, disse Khalil.

Nos últimos meses, vários governos impuseram sanções ao Irã depois do surgimento de relatos de que o país estava construindo seu arsenal de armas nucleares, uma acusação que as autoridades iranianas têm consistentemente negado. A situação suscitou temores de um confronto entre Jerusalém e Teerã, que poderia inflamar toda a região. No mês passado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pediu ao mundo “parem a corrida armamentista do Irã a partir do uso de tecnologia atômica, antes que seja tarde demais”.

De acordo com Khalil, no entanto, “colocar Irã e Israel no mesmo cesto pode ser um fator complicador”, desde que o Irã é signatário do TNP e, até agora, há a manutenção do compromisso com as inspeções da AIEA, enquanto Israel é um não signatário do TNP e até agora mantém uma política ambígua. “As capacidades não convencionais de Israel foram abordadas na reunião (em Amã). Israel é o único estado que não assinou o TNP e, atualmente, está adquirindo armas nucleares para alcançar a dissuasão nuclear contra as modestas capacidades convencionais de seus vizinhos, e foi qualificado como uma "criança indisciplinada", ressaltou Khalil. “Obviamente, se é para haver sucesso no processo de 2012, Irã e Israel têm de ser participantes ativos na reunião proposta”, concluiu. Envolverde/IPS

Jillian Kestler-D'Amours

Originally from Montreal, Quebec, Jillian Kestler-D'Amours is an independent reporter and documentary filmmaker based in Jerusalem since May 2010. She is a regular contributor to Free Speech Radio News, The Electronic Intifada and Al Jazeera English, and her first documentary film, ‘Sumoud: The Struggle for al-Araqib’, will be released by the Alternative Information Centre in Fall 2011.

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