Desenvolvimento: ONGs exigem um lugar na corrida rumo às metas do milênio

Bangkoc, 20/01/2005 – Quatro anos depois de seu lançamento, o programa dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio se transformou no grito de um amplo espectro de ativistas da Ásia e do Pacífico. A razão é que esse compromisso assumido pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas deu lugar a conflitos politicamente explosivos. E isto foi admitido por membros das organizações não-governamentais participantes do Segundo Fórum da Sociedade Civil Asiática, que acontece na capital tailandesa. A reunião de Bankcoc, que convocou mais de cem ONGs de 30 países, expôs potenciais áreas de enfrentamento entre ativistas e governos em sua corrida rumo às metas de desenvolvimento do milênio.

Os ativistas se perguntam o quanto os governos estarão abertos para convidá-los a serem sócios na busca dessas metas, e quanto as ONGs poderão pressionar os governos para que eles permitam sua participação na compilação da informação do que cada governo deve realizar antes de 2005. Entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, fixados para 2015, estão a redução pela metade da pobreza extrema e da fome, ensino primário universal, igualdade de gênero na área educacional e redução da mortalidade materno-infantil. Outras metas se relacionam com o combate à aids, à malária e outras doenças; à sustentabilidade ambiental e ao fomento de uma associação mundial para o desenvolvimento.

A representante do programa na Ásia-Pacífico admitiu que podem surgir conflitos políticos desse programa, porque a tarefa exige mais do que os governos podem oferecer. "Os grupos da sociedade civil e as ONGs são os melhores colaboradores que os governos podem ter para difundir a mensagem das metas do milênio e ajudá-los a alcançá-las", afirmou Erna Witoelar, embaixadora especial da Organização das Nações Unidas para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. "Isso se deve ao fato de esses grupos saberem mais sobre os pobres do que os governos, pois trabalham com os pobres, enquanto os governos trabalham para os pobres", disse à IPS.

O papel das ONGs na consecução desses objetivos está ganhando força por vários motivos, entre eles a falta de consciência pública sobre o programa da ONU, quatro anos depois de seu lançamento por 189 governos, durante a Assembléia Geral de 2000. "As metas do milênio estão fixas apenas na mente de funcionários das chancelarias e das Nações Unidas . As pessoas por elas afetadas não as conhecem. Mas as ONGs podem ajudar a mudar isso", disse Witoelar. A ignorância sobre as metas do milênio se refletiu no fórum de Bangkoc, que começou no dia 21 e termina hoje, 25/11. Vários dos 300 participantes admitiram que não conheciam os detalhes da agenda de oito pontos desta campanha mundial.

"Isto não é benéfico para a campanha, porque a comunidade de ONGs, em geral, está melhor informada sobre questões de desenvolvimento" do que os próprios destinatários dos programas, comentou Boonthan Verawongse, do Centro de Recursos para a Paz e os Direitos Humanos, de Bangkoc. "Esta é a primeira vez que o Fórum da Sociedade Civil Asiática fala sobre as metas do milênio, e também é a primeira vez que alguns grupos ouvem falar delas", acrescentou durante uma entrevista. Segundo Verawongse, os governos terão dificuldades em alcançar os objetivos do milênio, a menos que trabalhem em colaboração com as ONGs, porque "estas trabalham mais diretamente com as pessoas, com os beneficiários da campanha", ressaltou. (IPS/Envolverde)

Marwaan Macan-Markar

Marwaan Macan-Markar is a Sri Lankan journalist who covered the South Asian nation's ethnic conflict for local newspapers before joining IPS in 1999. He was first posted as a correspondent at the agency's world desk in Mexico City and has since been based in Bangkok, covering Southeast Asia. He has reported from over 15 countries, writing from the frontlines of insurgencies, political upheavals, human rights violations, peace talks, natural disasters, climate change, economic development, new diseases such as bird flu and emerging trends in Islam, among other current issues.

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