Educação: Estudar em outras partes

Washington, 20/01/2005 – A quantidade de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos caiu pela primeira vez em mais de três décadas, em parte pela percepção de que não são bem-vindos nesse país, enquanto cada vez mais jovens norte-americanos vão estudar em universidades no exterior. O número absoluto de jovens estrangeiros inscritos em universidades e institutos terciários norte-americanos caiu 2,4%, para 572.509, no período 2003/2004, segundo o "Open Doors"(Portas Abertas), o estudo anual do Instituto de Educação Internacional (IEE, sigla em inglês). Por outro lado, a quantidade de estudantes já matriculados caiu 5%, mas parte da perda foi compensada por um aumento de 2,5% no número de graduados, diz o relatório.

Estatísticas incompletas obtidas de institutos para graduados sugerem que as matrículas para o ano o letivo 2004/2005 poderiam cair 6 %, afirmou Hey -Kyung Koh, diretor do Open Doors. Ao mesmo tempo, diz o informe, o número de norte-americanos que vão estudar no exterior aumentou 8,5%, chegando a quase 175 mil, no período 2002/2003, o último ano acadêmico completo com estatísticas disponíveis. Dois terços desses estudantes foram para universidades da Europa, mas as matrículas em universidades da América Latina também aumentaram (14%, chegando a 27 mil). Além disso, as matrículas na África (quase cinco mil) e na Austrália e Nova Zelândia aumentaram 15%, chegando a 13 mil.

As novas estatísticas preocupam os educadores norte-americanos, que haviam alertado para o impacto da "guerra contra o terrorismo" declarada por Bush depois dos atentados do 11 de setembro de 2001 sobre os intercâmbios estudantis. Desde então, estudantes de países islâmicos e alguns asiáticos não-islâmicos têm mais dificuldades para conseguir o visto de entrada a tempo, apesar dos esforços das autoridades consulares norte-americanas para acelerar o processo. Associações educacionais e científicas advertiram que a redução da quantidade e qualidade dos estudantes estrangeiros que chegam aos EUA ameaça a competitividade e a imagem do país a longo prazo.

"Claramente, interessa à segurança nacional norte-americana de longo prazo receber estudantes internacionais para que estudem aqui", afirmou Allan Goodman, presidente do IIE, em declaração divulgada junto com o informe. "A presença de estudantes internacionais neste país amplia as perspectivas de seus companheiros norte-americanos, contribui para atividades vitais de pesquisa, fortalece as economias locais onde vivem e constrói vínculos duradouros entre seus países de origem e os Estados Unidos", acrescentou. O estudo também revelou que Austrália, Nova Zelândia e Grã-Bretanha estão recebendo mais estudantes estrangeiros às custas dos Estados Unidos, e que a percepção de que esses estudantes não seriam bem recebidos neste país contribuiu para a redução das matrículas.

Outros fatores são o custo relativamente alto da matrícula e "um notável fortalecimento na capacidade de formação estudantil" em muitos países. Quase 50% de todos os estudantes estrangeiros em universidades e institutos terciários dos Estados Unidos procediam de apenas cinco países no período letivo 2003/2004, quatro deles asiáticos. A Índia enviou o maior número: quase 80 mil, 7% a mais do que no ano anterior. Em seguida estão (62.000), Coréia do Sul (52.000), Japão (41.000), Canadá (27.000) e Taiwan (26.000). O México figura em sétimo lugar com 13 mil estudantes, seguido de Turquia (11 mil), Tailândia, Indonésia e Alemanha (quase no mil cada), Grã-Bretanha (8.500), Brasil (7.800), Colômbia (7.500) e Quênia (7.400).

As maiores quedas percentuais de matrículas por país correspondem a Indonésia (o país muçulmano mais povoado do mundo, com 15%), Japão (11%) e Tailândia (10,5%), afirma o relatório. Por outro lado, a quantidade de estudantes já matriculados caiu 20% no caso da China, 14% no do Japão e 9% no da Índia. O número de estudantes da Europa e do Oriente Médio diminuiu 5% e 9%, respectivamente. A redução de estudantes do Oriente Médio foi muito acentuada, porque se somou a uma queda de 10% em 2002/2003, o primeiro ano letivo depois dos ataques de 11 de setembro. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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