Washington, 20/01/2005 – O Banco Mundial advertiu que milhões de meninos e meninas e centenas de milhares de grávidas ainda morrem a cada ano em todo o mundo, apesar do compromisso da comunidade internacional de reduzir essas mortes até 2015. A instituição multilateral de crédito indicou que em 2002 morreram mais de 11 milhões de crianças vítimas de doenças que podem ser prevenidas antes de completaram 5 anos de idade. Dos 613 milhões de crianças nessa faixa etária, 140 milhões têm peso menor do que o recomendado, acrescenta o Banco. Em seu informe intitulado "A altura dos desafios: Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para a Saúde", divulgado na quinta-feira pelo Banco Mundial, também calculou que até meio milhão de mulheres morreram em 2002 durante a gravidez ou o parto.
No entanto, os críticos da instituição alertam que ela própria é responsável por recomendar políticas – que os países devem seguir como condição para obter empréstimos – que com freqüência privam os pobres de serviços de saúde adequados. Entre essas políticas figuram a privatização dos sistemas de saúde e o aumento das tarifas para ter acesso aos seus serviços. O Banco informou que muitos países em desenvolvimento estão muito atrasados em suas políticas voltadas a reduzir drasticamente o número de mortes de grávidas e crianças menores de 5 anos até 2015. Essa meta figura entre os Objetivos de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas para o Milênio, fixados na sessão especial da Assembléia Geral em setembro de 2000, na presença de numerosos chefes de Estado e de governo.
Outros objetivos são garantir até 2015 a educação universal de meninas e meninos e reduzir à metade, em relação a 1990, a população de pobres, famintos e sem acesso à água potável nem meios para custeá-la. Outros objetivos estabelecidos em 2000 pelos 189 países que na época integravam a ONU são promover a equidade de gênero, reduzir a mortalidade infantil, combater o HIV/aids, a malária e outras doenças e garantir a sustentabilidade ambiental. O compromisso da comunidade internacional implica melhorar a saúde materna, com a meta de reduzir em três quartos a mortalidade materna até 2015, equivalente a uma redução anual de 5,4%. A meta em matéria de redução da mortalidade infantil é de dois terços em relação aos números de 1990, equivalente a uma redução anual de 4,3%.
"Mesmo com um crescimento econômico geral e um avanço mais rápido rumo às metas do milênio referentes à saúde, muitas regiões ficarão fora dos objetivos sanitários", disse o presidente do Banco Mundial, James D. Wolfensohn, em entrevista coletiva. A África subsaariana é, segundo o estudo, a região que apresentou menos avanços nesse sentido, especialmente com relação à meta da mortalidade infantil. Nenhum país da área cumprirá essa meta, persistindo as tendências atuais. Ali são registrados cerca de 42% das mortes de menores de 5 anos por causas que podem ser prevenidas no mundo.
De fato, apenas 16% dos países, que representam 19% da população mundial, estão a caminho de atingir esse objetivo, segundo do documento do Banco Mundial. E apenas 17% dos países em desenvolvimento cumprirão, segundo as tendências, a meta em matéria de mortalidade materna. Neste caso, a América Latina e o Caribe são a região em piores condições: apenas 42% dos países estão a caminho de cumpri-la. Os autores do documento afirmam que existem tratamentos eficazes para a desnutrição e para a maioria das causas de mortalidade infantil e materna, mas os medicamentos e tratamentos não estão ao alcance dos que mais necessitam deles.
Isso é evidente no caso da diarréia, pneumonia e paludismo, que representam 52% da mortalidade infantil mundial, explicaram. Na Ásia meridional, o documento alerta que menos da metade das grávidas recebem cuidados pré-natal, e apenas 20% das crianças são atendidas no parto por pessoal especializado. Somente 300 mil dos seis milhões de portadores do vírus HIV, causador da aids, em países de baixa e média renda recebem tratamento anti-retroviral, utilizado para atrasar ou mesmo impedir o desenvolvimento da doença. Nenhum país asiático conseguiu garantir esse tratamento para mais de 5% dos portadores do HIV, diz o documento.
De todo modo, o Banco Mundial considera em seu informe que aumentar o gasto do Estado, um remédio recomendado com freqüência por organizações da sociedade civil, não é suficiente. Pelo contrário, atribuiu as falhas a "problemas políticos e institucionais" e recomenda "fortalecer" os sistemas de saúde para distribuir melhor os medicamentos e tratamentos e para treinar mais técnicos, de modo a cobrir a "fuga de cérebros" que se dirigem do Sul para o Norte industrializado. Tanto Banco quanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) são acusados de impor em suas condições para empréstimos reduções no gasto público em saúde e educação para reduzir o déficit fiscal. (IPS/Envolverde)

