Infância: Seiscentos milhões de crianças afundadas miséria na Ásia

Siem Reap, Camboja, 29/03/2005 – A parte oriental da região Ásia-Pacífico experimentou um crescimento econômico sem precedentes nos últimos 14 anos, apesar de várias crises, porém, a prosperidade não chegou a todos, e entre os esquecidos estão 600 milhões de crianças. Os crescentes abismos sociais e econômicos ameaçam muitas dessas crianças de desnutrição, exclusão da escola, problemas de saúde e exploração. "A disparidade e um dos principais problemas da infância nesta região", disse Carol Bellamy, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). "E tende a aumentar, não a diminuir", advertiu.

Reconhecendo este problema, representantes de 26 países da Ásia-Pacífico oriental prometeram se concentrar na redução das disparidades e na promoção da situação dos adolescentes e da infância. As promessas foram feitas na semana passada ao final da Sétima Consulta Ministerial da Ásia-Pacífico Oriental (Mincon), que teve duração de três dias sob o lema "Uma região onde cada criança conta". A Mincon é a única reunião regional de alto nível dedicada exclusivamente às crianças. A primeira foi realizada em 1001, e desde então acontece a cada dois anos, sob patrocínio do Unicef. Este ano foi realizada no Camboja. "Reconhecemos que a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento de nossas crianças é um bem público nacional que garantirá o êxito futuro de nossas sociedades e que, como tal, merece um investimento significativo de fundos e recursos públicos", afirmaram os países na Declaração de Siem Reap-Angkor.

"As conseqüências da disparidade para as crianças podem ser graves: maior vulnerabilidade ao tráfico e outras formas de exploração, falta de acesso aos serviços necessários para a sobrevivência e o desenvolvimento", diz a declaração. "As disparidades prolongadas e não atendidas podem causar ou inflamar tensões sociais latentes", adverte o documento. Um claro exemplo de disparidade interna se registra na China, onde florescentes cidades costeiras, como Xangai, contrastam cada vez mais com outras regiões do país. Enquanto à disparidade entre países da região, a situação de Papua-Nova Guiné contrasta com a do Japão, por exemplo.

Papua-Nova Guiné registra altos índices de mortalidade infantil e violência de falta de serviços médicos adequados. Jimmie Rodgers, diretor-geral-adjunto da Secretaria da Comunidade do Pacífico, destacou na reunião de Mincon que os países do Pacífico enfrentam problemas adicionais relacionados com o isolamento geográfico, bem como a divisão entre uma geração mais velha mais tradicional e outra mais jovem, que adota novos estilos de vida e atitudes. Além das disparidades, o Unicef identificou outros problemas na região, como a epidemia de HIV/aids, a saúde materna e neonatal, e, ainda, o baixo índice de presença no curso secundário. Embora a incidência de HIV/aids seja baixa em comparação com a da África subsaariana, os números absolutos são altos devido á enorme população da região. Somente China e Índia somam 2,4 bilhões de habitantes. Mas, a maioria das mortes infantis na Ásia-Pacífico oriental estão vinculadas com a desnutrição.

A Mincon prometeu trabalhar em medidas preventivas, com a promoção da amamentação materna nos seis primeiros meses de vida. Os delegados também concordaram em redobrar os esforços para "fortalecer os mecanismos de proteção contra a exploração, aumentar o número de matrículas no ensino secundário e reduzir as desistências, e fortalecer a prevenção do abuso de drogas". Por outro lado, uma aliança de organizações não-governamentais pediu urgência aos países da região para que passem a cuidar do problema da violência contra as crianças e aumentar sua participação em um estudo da Organização das Nações Unidas sobre o assunto. "Uma infância sem violência pode nos levar a um mundo sem violência", disse o representante de uma ONG. (IPS/Envolverde)

A. D. McKenzie

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *