China-Taiwan: Ofensiva da sedução

Pequim, 27/04/2005 – Os líderes comunistas chineses lançaram uma "ofensiva de sedução" sobre partidos opositores de Taiwan – incluindo seu antigo arqui-rival Kuomitang – partidários da reunificação com a China continental. Os convites aos dois líderes da oposição taiwanesa para dialogarem em Pequim faz parte de uma campanha diplomática mais ampla da China para melhorar sua deteriorada imagem internacional depois da aprovação, em março, de uma polêmica lei anti-secessão que ameaça com a força militar Taiwan, considerada uma província rebelde. Lien Chan, presidente do Kuomitang (Partido Nacionalista), o maior partido de oposição de Taiwan, chegou à China nesta terça-feira. É a primeira vez que um líder desse partido coloca os pés na China continental deste que esta e Taiwan se separaram, depois da guerra civil de 1949.

James Soong Chu-yu, líder de outro partido opositor de Taiwan, o People First Party (PFP), também viajará a Pequim, em maio. Os dois líderes tinham previsto se reunir com o presidente Hu Jintao, que também é o máximo líder do Partido Comunista Chinês. A coalizão do Kuomitang e o PFP é maioria no parlamento taiwanês. Taiwan se separou politicamente de Pequim depois da vitória, em 1949, das forças comunistas na China continental e da fuga dos líderes do Kuomitang para a ilha, onde estabeleceram um governo rival. Taipe afirma que 50 anos de reformas democráticas transformaram a ilha radicalmente e criaram uma nova identidade em sua população, enquanto a China insiste em que Taiwan é uma província renegada que lhe pertence, e ameaça usar a força se esta se declarar independente ou negar-se a aceitar a reunificação.

Nas semanas posteriores à aprovação unânime da lei anti-recessão, a China pagou um preço por seu belicismo: rompeu-se o consenso da União Européia para levantar o embargo militar que este bloco impôs a Pequim em 1989, depois do massacre de manifestantes em favor da democracia na praça de Tiananmén. A decisão ficou em suspenso até o próximo ano. Além disso, em represália, o presidente pró-independentista taiwanês, Chen Shui-bian, suspendeu as negociações recém-iniciadas com Pequim para melhorar os vínculos aéreos e comerciais através do estreito de Taiwan. A comunidade internacional expressou preocupação porque a nova lei chinesa dá aos militares um "cheque em branco" para atacar a ilha de Taiwan se esta se declarar independente.

O Departamento de Estado norte-americano criticou a lei e advertiu que esta pode aumentar a tensão através do estreito de Taiwan e se transformar em uma ameaça para a segurança da Ásia oriental. A reação internacional fez Pequim lançar uma campanha de propaganda para apresentar a nova lei como uma medida de controle necessária para as forças independentistas de Taiwan, e não como autorização para uma guerra. "Houve uma mudança estratégica do 'cronograma para a reunificação? em 'oposição ao secessionismo como prioridade", escreveu no jornal oficial China Daily Huang Jiashu, professor de estudos taiwane4ses da Universidade de Renmin, de Pequim.

O governo chinês também adotou uma atitude mais conciliadora ao convidar os líderes oposicionistas de Taiwan a visitarem a China continental, no que chamou de "viagens de paz". Pequim espera que essas visitas de líderes taiwaneses partidários da reunificação ajudem a isolar o governante Partido Progressista Democrático de Chen. "Embora o Kuomitang seja um partido de oposição, a visita de seu presidente tem uma enorme importância por representar o primeiro diálogo frente a frente entre o Partido Comunista Chinês e o Partido Nacionalista em mais de 50 anos", comentou Xu Bodong, pesquisador da Universidade Lianhe, da capital chinesa. "Como não existem contatos oficiais entre Pequim e Taipe, esta visita também marca um novo tipo de diálogo político através do estreito", acrescentou. (IPS/Envolverde)

Antoaneta Bezlova

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