Desenvolvimento: Os ricos ajudam menos do que prometem

Londres, 12/04/2005 – A ajuda oficial para o desenvolvimento (AOD) aumentou a níveis recorde no ano passado, mas, deverá aumentar de forma substancial no próximo ano para que os países doadores cumpram seus compromissos internacionais. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de 30 países industrializados, informou esta semana que a AOD de seus 22 países-membros mais ricos às nações em desenvolvimento aumentou para US$ 78,6 bilhões em 2004, a maior quantia da história em números absolutos. Considerando a inflação e a queda do dólar norte-americano, isto representa aumento de 4,5% em termos reais entre 2003 e 2004, frente a uma alta de 4,3% entre 2002 e 2003, diz o relatório.

"A boa notícia é que a ajuda para o desenvolvimento está crescendo, de acordo com as economias destes países", disse Brian hammond, da OCDE. "Entretanto, ainda estamos muito longe de cumprir os compromissos de Monterrey", disse á IPS, referindo-se à Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizada nessa cidade mexicana em 2002. 'Se esses países cumprirem o prometido, a AOD aumentará de 0,25% de seu produto interno bruto para 0,30%", disse Hammond. "Portanto, é necessário um forte incremento nos próximos dois anos", destacou.

A AOD à qual se refere a OCDE procede dos 22 países integrantes do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento, os mais ricos entre os membros da organização. Essa ajuda representa quase o total mundial de assistência ao desenvolvimento. Países como Arábia Saudita, Índia e China têm seus próprios programas de assistência ao desenvolvimento, mas, não estão incluídos no estudo da OCDE. Este organismo analisa os dados da AOD em termos reais, isto é, considerando tanto a inflação quanto a desvalorização do dólar, e estabelece a ajuda uma vez descontado o reembolso de créditos. Vários fatores explicaram o aumento de US$ 3,1 bilhão em termos reais no ano passado, diz o documento da OCDE.

As contribuições para organizações internacionais aumentaram US$ 3,7 bilhões, e a ajuda ao Afeganistão e Iraque subiu, pelo menos, US$ 1,5 bilhão em conjunto. Por outro lado, as doações de cooperação técnica aumentaram US$ 1,2 bilhão. Por outro lado, as doações para alívio da dívida caíram US$ 2,1 bilhões em termos brutos, e os créditos líquidos US$ 1,3 bilhão. Quinze dos 22 integrantes do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento relatram um aumento em sua AOD em 2004, diz o relatório. Os Estados Unidos continuam sendo o maior doador em volume de assistência, seguido de Japão, França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Os únicos países que excederam o objetivo das Nações Unidas de destinar mais de 0,7% de seu PIB à AOD foram Dinamarca, Luxembrugo, Holanda, Noruega e Suécia. A ajuda líquida norte-americana no ano passado foi de US$ 19 bilhões, uma alta de 14,1% em termos reais com relação a 2003. Sua relação entre a AOD e o PIB aumentou de 0,15% Para 0,16%. A maior parte dessa alta se deveu a uma contribuição de US$ 1,8 bilhões à Associação Internacional para o Desenvolvimento, a janela de créditos brandos do Banco Mundial.

A AOD líquida do Japão caiu 4,8% em termos reais, para US$ 8,9 bilhões, ou 0,19% de seu PIB. Entretanto, em termos brutos aumentou 24,5%, para US$ 16 bilhões. Isto se deveu em parte à ajuda para a reconstrução do Iraque, mas, principalmente, ao maior alívio da dívida para alguns dos países mais pobres. "No entanto, este alívio da dívida teve escasso efeito sobre a AOD líquida, já que o grosso dos empréstimos perdoados foram contados como AOD quando foram concedidos", explica o relatório da OCDE.

Os 15 países do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento que integram a União Européia aumentaram sua AOD combinada em 2,9% em termos reais, para US$ 42,9 bilhões. Vários membros do Comitê estão implementando significativas expansões de seus programas de ajuda bilateral. A Conta de Desenvolvimento do Milênio, lançada pelos Estados Unidos, já está funcionando, e outros dois grandes doadores, França, e Grã-Bretanha, estão aumentando sua AOD como parte de seus planos para alcançar o objetivo de 0,7% em 2012 ou 2013. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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