Comunicação: Tunis vai sediar a cúpula da censura

Londres, 18/05/2005 – Organizações internacionais defensoras dos direitos humanos expressaram preocupação pela falta de liberdade dos meios de comunicação e grupos da sociedade civil em Tunis, quer vai sediar em novembro a segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). A Federação Internacional dos Direitos, o grupo Direitos e Democracia e a Organização Mundial contra a Tortura disseram que não estão seguras de que "o governo tunisino tenha a capacidade ou a vontade de respeitar seus compromissos no contexto da legislação internacional". Em um informe conjunto, essas ONGs destacaram numerosas práticas de detenção arbitrária, maus-tratos, hostilidade judicial contra pessoas e organizações que defendem os direitos, repressão sistemática das liberdades de expressão e associação e censura e controle na Internet.

Antes de elaborar o texto, as três organizações humanitárias tentaram conversar com o governo de Tunis sobre o respeito às liberdades, durante uma visita realizada em janeiro por três especialistas internacionais, durante a qual colheram os dados apresentados, explicou à IPS Antoine Madelin, secretário dessa missão. O relatório inclui questões de direitos que serão tratados na CMSI (cuja primeira fase aconteceu no final de 2003, em Genebra) e outras relacionadas com a vida diária na sociedade civil de Túnis. "Agora, depende das autoridades desse país fazerem os esforços necessários para que a Cúpula transcorra no clima adequado", disse Madelin.

Por várias vezes no ano passado o governo garantiu que havia levantado as restrições ao funcionamento dos sites independentes na Internet, mas está claro que existe um clima repressivo, e "muitos sites, tanto tunisinos quando internacionais, ainda são censurados. Este relatório não é acessível em Tunis através da Internet", afirmou. "Procuramos dialogar com as autoridades, mas estamos insatisfeitos pelo modo como responderam aos nossos esforços. Continuamos preocupados pelo acesso à CMSI por toda a sociedade civil tunisina, e tememos que alguns grupos não possam participar", destacou o ativista.

"Um advogado foi condenado na semana passada a três anos e meio de prisão por divulgar informação sobre casos de tortura, e outro recebeu pena de quatro meses de detenção por defender o primeiro", informou Madelin. De todo modo, há avanços, e "não podemos dizer que nenhuma de nossas recomendações foi considerada. Somente o fato de nossa equipe ter ido a Tunis e voltado é um sinal de progresso", acrescentou a ativista, adiantando que o grupo de três especialistas voltará a esse país em setembro, para uma avaliação final dos eventuais avanços.
Entre as medidas que as três ONGs solicitaram às autoridades tunisinas antes da Cúpula estão as seguintes:

– Completar o reconhecimento legal de todas as ONGs defensoras dos direitos humanos, desistir de todas as ações movidas contra elas ou contra seus integrantes junto ao Poder Judicial, e estabelecer plena vigência com bases permanentes da liberdade de associação.

– Permitir a livre circulação de informação, e em particular o acesso a sites da Internet cujo conteúdo se relacione com a política ou os direitos humanos.

– Convidar de forma permanente todos os mecanismos especiais da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, e, em especial, permitir visitas oficiais dos relatores sobre a tortura e sobre a independência dos juízes e advogados, e uma do representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para Defensores dos Direitos Humanos.

– Permitir visitas a Tunis de todas as organizações humanitárias interessadas em realizá-las para fazer investigações independentes e imparciais.

– Revisar as convocações de licitação para operar meios audiovisuais de comunicação, em cumprimento ao Código de Telecomunicações tunisino, e especialmente das normas sobre garantias de transparência nessas convocações, e permitir meios de comunicação que reflitam a diversidade política.

– Avaliar as conseqüências da supervisão e censura das comunicações eletrônicas de informação, em termos de apropriação social de tecnologia de informação e comunicações, e de desenvolvimento econômico de serviços de informação. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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