Desenvolvimento: Metas do Milênio necessitam um novo impulso

Madri, 27/05/2005 – O cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio fixadas pela Organização das Nações Unidas para acabar com a pobreza necessita um novo impulso, afirmaram os participantes do Congresso Internacional "As ONGs e a transformação social no século XXI". O encontro, organizado pela ONG Mãos Unidas, com apoio da ONU e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), da qual participaram 40 expositores de vários países, terminou nesta quinta-feira em Santiago de Compostela, cidade galega situada no extremo noroeste da Península Ibérica.

Ana Alvarez de Lara, presidente da Mãos Unidas, disse à IPS que esse novo impulso requer que os 189 governos que aprovaram as Metas do Milênio cumpram seus compromissos e que as ONG sejam o motor do mesmo. "Sobretudo, devemos conscientizar as sociedades do Norte sobre a situação das pessoas do Sul, cujos maiores problemas são causados pelas políticas e ações de nossos países", ressaltou. Os países industrializados devem revisar suas políticas comerciais e estudar temas como a troca da dívida externa por projetos de desenvolvimento, "sem que isso signifique aprovar a corrupção, que desgraçadamente ainda existe, e sem esquecer que os corruptores também são culpados", acrescentou a ativista.

Oscar Zzmitia, representante do Projeto de Desenvolvimento de Santiago, da Guatemala, e da Associação Latino-Americana de Organismos de Promoção, com sede central na Costa Rica, também foi concludente a esse respeito em declarações á IPS. A seu ver, as Metas do Milênio "são minimalistas, pequenas", mas, ainda assim, não são cumpridas, e por isso, além de exigir seu cumprimento, deve-se reclamar dos governos que dupliquem os fundos comprometidos. Tão importante quanto isso é que "sejam criadas as condições para ser possível o desenvolvimento no Terceiro Mundo", levantando barreiras aduaneiras que existem contra os países do Sul em desenvolvimento e renegociando o cancelamento das dívidas externas "que afogam as economias de nossas nações?.

Ao abrir o congresso, Alvarez destacou que já tendo passado cinco anos desde a aprovação das Metas do Milênio, nas quais foram estabelecidos oito objetivos prioritários, se avançou muito pouco, e, pior ainda, é que em muitos países, entre eles a Espanha, "nosso caminho parece estar se afastando do objetivo proposto". A ativista se referiu também à questão da violência, tanto terrorista quanto insurgente, e afirmou que é preciso acabar com fatos que podem fomentá-la. "A paz se alcança com a denúncia da injustiça e da violência estrutural que provocam focos de violência; a paz se alcança rejeitando a violência aberta, com o trabalho pela erradicação da fome e da pobreza, com a luta contra a marginalização e a exclusão", ressaltou.

O Congresso foi realizado no contexto da Conferência Mundial para a Paz, a Solidariedade e o Desenvolvimento, organizada pelo governo da comunidade autônoma da Catalunha, e que nesta sexta-feira reuniria representantes de cinco religiões para proclamarem conjuntamente sua rejeição a qualquer guerra, conflito ou violência, e, ainda, sua decisão de combater a pobreza e a iniqüidade social. Essa proclamação, na Catedral de Santiago, constava de uma vigília pela paz com a presença de hinduístas, judeus, budistas, muçulmanos e cristãos, em um ato público. A esse respeito, Rafael Serrano, secretário-geral da Mãos Unidas, ONG vinculada à Igreja Católica, disse que "para a doutrina social da Igreja (católica), os bens que Deus colocou na Terra são considerados como patrimônio comum da humanidade que está constituído por um conjunto de bens universais (água, ar, florestas, alimento, sementes etc)".

Esses bens, "de modo algum podem ser comercializados, privatizados ou patenteados por uns poucos, pois são propriedade coletiva de todas as pessoas?, acrescentou Serrano. A igualdade social requer "a construção de uma sociedade com divisão justa dos recursos entre os habitantes do planeta, procurando a sustentabilidade ecológica, que é a base da reprodução da vida e o requisito imprescindível para a solidariedade com as gerações futuras", destacou o ativista. Em sua declaração final, os participantes do Congresso afirmaram que o encontro lhes confirmou a convicção de ser parte da "primeira geração da história que tem em suas mãos a possibilidade de acabar com a pobreza extrema". Alvarez explicou à IPS que essa afirmação parte do conhecimento de que no mundo de hoje se produz o suficiente para que ninguém passe fome, viva no país em que viver.

As três centenas de participantes afirmaram que "o mundo em que atuam e agem as ONGs vive sob o signo da globalização. Esta globalização deveria ser para todos, mas, cremos que acontece somente para alguns às custas dos demais. A globalização que se está potencializando é a de remover barreiras ao capital para que este possa circular mais livremente". Por isso, é necessário "trabalhar para mudar estas tendências, já que esta globalização configura um panorama cheio de incertezas, que mais tarde, ou mais cedo, afetará a todos nós. O desenvolvimento da ciência e da técnica deve estar acompanhado de uma maior justiça social e de uma melhor distribuição da riqueza". É preciso "construir uma sociedade com uma divisão mais justa dos recursos entre os habitantes do planeta, procurando a sustentabilidade ecológica e um estilo de desenvolvimento que não represente uma hipoteca para as gerações futuras", afirmaram. A declaração termina com uma citação do escritor francês Tibor Mende: "É necessário apagar da face da terra a vergonha da miséria e da fome". (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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