Mundo: Bush exagera aumento da ajuda à África

Washington, 29/06/2005 – Os Estados Unidos não triplicaram sua ajuda destinada à África subsaariana durante o governo de George W. Bush, como ele próprio sustenta, nem mesmo a duplicou, afirma o Brookings Institution, um gabinete de especialistas com sede em Washington. Por outro lado, entre 2000 e 2005 esse país aumentou sua ajuda para a região mais pobre do mundo em 56% em termos reais, segundo outro relatório do Brookings Institution intitulado "Ajuda dos Estados Unidos para a África: Afirmações e realidades". O documento aumenta a pressão sobre Bush para que anuncie uma nova iniciativa a fim de impulsionar o desenvolvimento na África subsaariana às vésperas da cúpula do Grupo dos Oito países mais industrializados (G-8), que acontecerá entre 6 e 8 de julho em Gleneagles, na Escócia.

A pressão sobre os Estados Unidos para que aumente sua ajuda destinada à África cresceu, apesar de sua incorporação a um plano de cancelamento da dívida do G-8 que beneficiará os 18 países mais pobres e endividados do mundo, dos quais 14 são africanos. O G-8 está integrado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Rússia. Durante sua visita a Washington no início deste mês, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anfitrião da reunião em Gleneagles, destacou que o aumento da ajuda e outras formas de apoio à África serão o principal tema da cúpula, além da Organização das Nações Unidas e do Banco Mundial, Blair exortou os países industrializados a duplicarem a ajuda que destinam à África nos próximos anos como parte de uma série de medidas, incluído o alívio da dívida, para reduzir substancialmente a pobreza e promover o crescimento econômico na região.

A exortação de Blair deixou Bush isolado, já que foi bem recebida pela União Européia, que concordou em quase duplicar sua ajuda aos países mais pobres do mundo nos próximos cinco anos, e pelo Japão, que prometeu fazer o mesmo em três anos. Além disso, membros-chave da UE também se comprometeram a aumentar sua ajuda oficial para o desenvolvimento para 0,7% de seu produto interno bruto antes de 2015. Mas Bush insistiu em dizer que seu governo já triplicou a ajuda à África e que a promessa de dar-lhe 0,7% do PIB (quase cinco vezes o que Washington oferece atualmente) "não se ajusta ao processo orçamentário nacional" . "Nos últimos quatro anos triplicamos nossa ajuda à África subsaariana, e atualmente os Estados Unidos representam quase um quarto de toda ajuda na região", disse Bush a Blair durante entrevista coletiva conjunta na Casa Branca, no último dia 7.

Entretanto, segundo o estudo do Brookings Institution, a ajuda norte-americana para a África "não triplicou nem duplicou" sob a presidência de Bush. O documento indica que entre o ano fiscal de 2000 (último ano completo da presidência de Bill Clinton) e o ano fiscal de 2005, a ajuda norte-americana destinada à África aumentou apenas 56% em termos reais, e a maior parte desse crescimento consistiu em ajuda alimentar de emergência, em lugar da tradicional Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (AOD), usada para promover o desenvolvimento a longo prazo. No mesmo período, a AOD para a África cresceu somente 33% em termos reais, diz o informe, redigido por Susan Rice, que foi assessora de Clinton para a África entre 1993 e 2001, e atualmente integra o Centro para o Progresso norte-americano.

Considerando-se os fundos destinados para o ano fiscal de 2005, a ajuda total à África terá aumentado 78% em termos reais desde 2000, e a AOD 74%, segundo o estudo. "O governo fez algumas afirmações sobre seu nível de gasto que não são certas", disse Rice à imprensa por meio de teleconferência realizada nesta segunda-feira. A ajuda dos Estados Unidos ao exterior, em geral, caiu ao seu ponto mais baixo em meados dos anos 90, quando o agora governante Partido Republicano assumiu o controle da Câmara de Representantes, recordou a especialista. No final da década passada, a ajuda começou a aumentar, mas ainda assim os Estados Unidos continuava sendo o que oferecia menos AOD entre todos os países industrializados, com apenas 0,16% de seu PIB. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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