Aids: Vítimas encontram refúgio na religião

Kobe, Japão, 08/07/2005 – Sneha Samaj, portadora do vírus HIV procedente do Nepal, assiste a sessões espirituais uma vez por mês. Nessa ocasião lê a Bíblia e fala sobre a importância da compaixão com outras pessoas vítimas do vírus da aids, sob orientação de monjas. "Isto é muito importante em minha vida", disse em entrevista durante o Sétimo Congresso Internacional sobre o HIV/aids na Ásia e no Pacífico, realizada esta semana na cidade japonesa de Kobe. A orientação espiritual a ajudou a aceitar a condição de portadora do vírus causador da deficiência imunológica humana, causador da aids, e melhorou sua capacidade de ajudar os outros, explicou.

Muitas pessoas encontram refúgio na religião porque não se trata apenas de um problema de saúde, mas também de uma enfermidade social, afirmou Sarkar Amitaya, um transexual indiano integrante da organização Saathi, que promove a aceitação das pessoas que mudam de sexo. "A religião nos consola. Quero que os líderes religiosos tenham um papel mais ativo na promoção de nossa aceitação", afirmou. Na Tailândia, de maioria budista, muitos monges trabalham em programas que procuram erradicar o estigma e promover a compreensão das pessoas que vivem com o HIV/aids. "O budismo ensina a tolerância. Cuidar dos doentes é um importante ato religioso", afirmou o monge Phama Boonchuay, que dirige um desses programas.

Os templos oferecem assessoramento psicológico e capacitação profissional às vítimas do HIV/aids, enquanto os monges visitam as famílias dos doentes para ajudá-as a lidar com a situação. Os órfãos da aids também recebem atenção nos templos. Especialistas em saúde e ativistas reconhecem a importância da promoção religiosa da tolerância e da compaixão em relação aos enfermos, mas advertem que a religião também deve ser mais realista quanto à prevenção. "Pretender que todos pratiquem a abstinência não é realista. A prevenção da aids deve estar baseada no respeito à sexualidade humana", afirmou Khartini Slamah, coordenadora da Rede de Trabalhadores Sexuais da Ásia-Pacífico, com sede na Malásia.

A resposta religiosa à pandemia pode ser mais eficaz se levar em conta as necessidades dos pobres e mudar as tradições patriarcais, observou Esak Faired, um acadêmico islâmico. "A pandemia de aids desafia as idéias religiosas e também os próprios líderes religiosos", disse. Como se esperava, um dos assuntos mais polêmicos da conferência de Kobe, que terminou na terça-feira, foi a falta de apoio em alguns países de maioria católica muçulmana ao uso de preservativo para prevenir contra a aids. Faran Emmanuel, um pesquisador do Paquistão, disse que as leis islâmicas de seu país proíbem que se fale de sexo abertamente, e isto contribui para a desinformação.

Suvendrini Kakuchi

Suvendrini Kakuchi is a Sri Lankan journalist based in Japan and covering Japan-Asia relations for more than two decades. Her focus is building understanding and respect between diverse populations in Asia based on equality and collaboration.

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