Washington, 30/09/2005 – A grande maioria dos norte-americanos não acredita na eficácia da "democratização" do Oriente Médio como forma de prevenir o terrorismo, e a experiência do Iraque aumentou esse ceticismo, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira. Somente 35% dos 808 entrevistados aleatoriamente disseram ser partidários do uso da força militar para derrubar ditadores, e 75% afirmaram que o objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein e instaurar a democracia no Iraque não foi um bom motivo para ocupara esse país. Estes números foram revelados em um informe do gabinete de especialistas Conselho de Chicago sobre Relações Exteriores e o Programa de Atitudes Internacionais sobre Políticas, da Universidade de Maryland.
Desde que caíram os argumentos esgrimidos pelo presidente George W. Bush para lançar a guerra contra o Iraque (as armas destruição em massa, a suposta ligação entre Saddam e o grupo terrorista Al Qaeda), o mandatário insiste em que a "guerra contra o terrorismo" só pode ser ganha através da promoção da democracia, especialmente no Oriente Médio. De fato, Bush dedicou a esse tema seu segundo discurso inaugural à nação, em janeiro passado. "Os fatos e o senso comum nos levam a uma conclusão: a sobrevivência da liberdade em nossa terra depende cada vez mais do êxito da liberdade em outras terras", afirmou na oportunidade.
Entretanto, "a maioria dos norte-americanos não parece convencida do argumento de Bush de que promover a democracia é essencial para combater o terrorismo e tornar o mundo mais seguro", observou Steven Kull, diretor do Programa de Atitudes Internacionais sobre Polícias e um dos responsáveis pela pesquisa. Embora os republicanos pareçam mais inclinados a aceitar as opiniões de Bush, importantes maiorias do público em geral se mostram céticas, particularmente sobre o uso da força para impor mudanças democráticas no exterior. Cinqüenta e cinco por cento se manifestaram contrários ao uso da força militar para "derrubar um ditador", contra 35% que apóiam a idéia. Além disso, uma maioria de dois terços considerou que ameaçar com intervenção militar para promover mudanças democráticas "causa mais prejuízo do que benefício", enquanto 21% expressaram opinião contrária.
Quanto ao Iraque, três em cada quatro entrevistados, 60% deles republicanos, disseram que o objetivo de derrubar o governo de Saddam Hussein e impor a democracia não foi uma boa razão para ir à guerra. Setenta e dois por cento acrescentaram que a experiência do Iraque nos faz sentir "pior" sobre a possibilidade de usar a força militar para promover mudanças democráticas no futuro. O público está dividido em partes iguais quanto as democracias serem capazes de reduzir o apoio a grupos terroristas. Uma leve maioria de republicanos concorda com essa idéia. Quanto aos métodos de promoção da democracia, a maioria é claramente a favor dos incentivos, como ajuda para o desenvolvimento e outras formas de apoio, do que com sanções econômicas e intervenções militares.
A pesquisa também revelou que 68% do público são partidários de promover a democracia através da Organização das Nações Unidas, "porque tais esforços são vistos como mais legítimos" do que a ação unilateral. Esta última opção foi apoiada por 25% dos pesquisados, por acreditarem que "permite pactuar de maneira mais decisiva e eficaz". Em contraste com o ceticismo sobre a pressão contra países para que se democratizem, grandes maiorias se mostram otimistas com relação ao uso da pressão diplomática sobre outros governos para que respeitem os direitos humanos. (IPS/Envolverde)

