Comunicações: Internet amplia o alcance do rádio

Túnis, 18/11/2005 – Enquanto as multinacionais competiam para exibir as novidades em tecnologias da informação e das comunicações durante a cúpula da informação realizada no mês passado em Túnis, os meios alternativos de rádio se mantiveram fiéis aos seus gravadores e microfones de sempre. "Quando quisemos nos desenvolver, nos disseram que para montar uma rádio na Internet precisaríamos de um milhão de dólares e uma tecnologia super avançada", contou à IPS María Suárez Toro, co-diretora da Rádio Internacional Feminista, emissora que em seu início ultrapassava as fronteiras da Costa Rica graças às transmissões em onda curta. Entretanto, a solução não demorou.

"Éramos engenheiras e técnicas de nossa rádio de onda curta, assim, decidimos usar toda nossa tecnologia antiga da rádio com um cordão umbilical para o computador", explicou Suárez. Desse modo, o equipamento que a acompanha em suas coberturas inclui uma misturadora, um gravador, um microfone e um computador que se conecta á Internet. Um estudo recente provou que sua audiência se estendeu a 145 países nos últimos cinco anos. "Os arquivos de som que colocamos na Internet são baixados pelas mulheres de rádios comunitárias que os reproduzem em suas emissoras. Outros profissionais tomam nota de nossas transmissões ao vivo, e somos fonte direta dos acontecimentos", afirmou.

A emissora transmite seu material em espanhol e inglês, o que, segundo Suárez, tem a vantagem de "ligar" o setor feminino latino-americano com mulheres da Ásia, África, Europa, Estados Unidos e Canadá. "Estamos apostando que a expressão oral das mulheres é onde reside nossa maior força. Somos amantes do rádio e decidimos inventar o rádio na Internet", acrescentou esta ativa defensora da igualdade de gênero. Esse foi um dos vários assuntos que atraíram a atenção da sociedade civil na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, em Túnis, com participação de mais de nove mil representantes de 597 organizações não-governamentais.

Esse número fez da sociedade civil a mais representada, depois de governos e empresários. Estima-se que no total cerca de 17 mil pessoas participaram da cúpula, convocada para reduzir a diferença de acesso à informática e às telecomunicações entre ricos e pobres. A reunião também teve um grande número de atividades a cargo das ONGs e outros setores da sociedade civil, algumas das quais, paradoxalmente, não puderam acontecer por causa da censura exercida pelo país anfitrião. Suárez disse que transmitia ao vivo o desenvolvimento do seminário "Expressão sob repressão", a cargo da organização holandesa Hivos, quando autoridades tunisinas advertiram que não era permitido distribuir propaganda dentro da sala de sessões. "Enquanto isso ocorria, nós, com uma maquininha, estávamos transmitindo ao vivo e dali mesmo para todo o mundo, o que acontecia no seminário", contou.

O seminário incluiu testemunhos sobre o uso de weblogs (sites onde são colocados comentários e notícias sobre determinados assuntos, também chamados bitácoras) e boletins eletrônicos no Zimbábue, Irã e China, como alternativa para fazer a informação chegar às pessoas através da Internet. "Quando falamos de comunicação alternativa e comunitária, significa poder contar o que acontece na Cúpula com um olhar diferente do apresentado pelos grandes meios de comunicação e, além disso, contar o que estes não contam", disse à IPS Inés Farina, da agência noticiosa Pulsar.

Esta agência se define como "a voz dos que não têm voz", explicou Farina. Trata-se de uma iniciativa da Associação Mundial de Rádios Comunitárias – América Latina e Caribe (AMARC-ALC) para democratizar as comunicações através do contato direto entre jornalistas e fontes da sociedade civil. A Pulsar tem escritórios permanentes no Brasil, Uruguai, México e Argentina, e mantém acordos com redes nacionais e regionais de notícias para ter acesso e divulgar informação em primeira mão sobre o que acontece em cada país. Seus serviços são distribuídos por e-mail e pela web de maneira gratuita.

"Só o que pedimos é que nos citem", disse Farina, acrescentando que a Pulsar procurou cobrir as incidências do encontro de Túnis com um olhar crítico, com perspectiva do que tem a ver com a sociedade civil e a rádio comunitária, bem como com as organizações não-governamentais. A jornalista estima que cerca de 400 rádios comunitárias estão associadas na América Latina à AMARC-ALC, que tem entre seus postulados a democratização da radiodifusão através de ações locais e internacionais e a promoção do movimento do rádio comunitário no mundo. (IPS/Envolverde)

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *